Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
TecnologiaBDR
17/07/2026
3 min

Apple parte para o ataque e notifica 40 ex-funcionários que foram para a OpenAI

Apple parte para o ataque e notifica 40 ex-funcionários que foram para a OpenAI

A Apple intensificou sua ofensiva contra a OpenAI. A fabricante do iPhone enviou avisos legais individuais a dezenas de ex-funcionários que hoje trabalham na dona do ChatGPT, em busca de provas para sustentar a acusação de que a empresa de inteligência artificial (IA) roubou seus segredos comerciais.

Segundo o jornal britânico Financial Times, cerca de 40 ex-empregados agora na OpenAI receberam cartas que os orientam a preservar documentos e comunicações e exigem reuniões com os advogados da Apple.

Esse número equivale a cerca de 10% dos 400 ex-funcionários da Apple que hoje atuam na OpenAI.

Uma tática agressiva

O envio de cartas pessoais a tantos indivíduos revela a estratégia combativa adotada pela Apple, que na semana passada abriu um processo de grande repercussão acusando a OpenAI e dois de seus funcionários de roubar planos secretos de hardware.

Nos documentos apresentados à Justiça, a empresa afirmou que as provas incluídas na ação são apenas a "ponta do iceberg" da suposta conduta da OpenAI.

A dona do ChatGPT respondeu que, embora leve as acusações a sério, não tem conhecimento de "nenhuma evidência de que a denúncia tenha fundamento", e afirmou não ter "interesse" nos segredos comerciais de outras empresas.

O processo formal, movido na sexta-feira passada, nomeia apenas dois indivíduos — entre eles um alto designer de dispositivos da Apple que hoje é o chefe de hardware da OpenAI —, sem citar o presidente-executivo Sam Altman nem Jony Ive.

O que está em jogo: o aparelho secreto

A acusação da Apple sustenta que todo o negócio de hardware da OpenAI está comprometido por segredos apropriados indevidamente — o que cria complicações jurídicas para o plano da empresa de lançar a própria família de dispositivos de IA.

Esse dispositivo é desenvolvido com Jony Ive, o ex-chefe de design da Apple, cujo estúdio, o io, foi comprado pela OpenAI por US$ 6,4 bilhões no ano passado.

Segundo pessoas a par dos planos, o primeiro aparelho da OpenAI deve ser um dispositivo portátil, do tamanho da palma da mão, voltado ao uso doméstico e parecido com uma caixa de som inteligente.

O produto não teria tela, mas incorporaria um microfone e câmeras para captar pistas de áudio e imagem do ambiente, dando suporte a um assistente de IA capaz de recorrer aos dados pessoais e às interações diárias do usuário.

De parceiras a rivais

O processo marcou o rompimento espetacular da relação entre dois dos maiores nomes do Vale do Silício. As duas empresas já trabalharam juntas para integrar a tecnologia da OpenAI à Siri, a assistente de voz da Apple.

Desde então, porém, a fabricante do iPhone fechou parceria com o Google e passou a usar os modelos da rival como base para sua nova assistente de voz e texto, apresentada em junho.

Mesmo antes da ação judicial, a OpenAI já não esperava começar a distribuir seu aparelho neste ano.

Segundo o Financial Times, a empresa vinha enfrentando desafios com a personalidade do assistente — equilibrando utilidade e o risco de ser intrusivo —, além de preocupações com a privacidade e da dificuldade de encontrar chips potentes o suficiente para rodar seus modelos em um dispositivo de consumo em massa.

Agora, o processo se soma a esses obstáculos em um momento delicado, às vésperas da aguardada abertura de capital da companhia.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
Distribuído por