Apple perde o equivalente a três Petrobras na bolsa após balanço do 2ºtri
Empresa que chegou a tocar os US$ 5 trilhões em valor de mercado perdeu US$ 358 bi no pregão de hoje

As ações da Apple (AAPL) desabaram nesta sexta-feira, 31, apagando cerca de US$ 358 bilhões (R$ 1,82 trilhão) em valor de mercado, mesmo depois de a fabricante do iPhone ter reportado números robustos. O tombo veio um dia após a companhia divulgar o balanço do terceiro trimestre fiscal, encerrado em junho. A cifra perdida equivale ao market cap de três Petrobras aproximadamente, hoje avaliada em pouco mais de R$ 600 bilhões.
Os papéis chegaram a recuar quase 10% no pregão. A queda interrompeu uma sequência forte de valorização: a ação vinha subindo 15% só em julho e, poucos dias antes do balanço, a Apple havia cruzado a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado, feito que só a Nvidia havia alcançado antes. O papel fechou em baixa de 7,35%, a US$ 308,91.
Por que a ação caiu, apesar do balanço forte
Os números vieram acima do esperado nas principais linhas. A Apple registrou lucro por ação de US$ 2,02, alta de 28,7% na comparação anual, com receita total de US$ 109,4 bilhões. O que pesou sobre os papéis foram outros pontos do balanço.
O primeiro fator foi a divisão de Serviços, que reúne App Store, Apple Music, iCloud+ e Apple TV+. O segmento, de alta margem e segunda maior fonte de receita da companhia, somou US$ 30,7 bilhões — abaixo dos US$ 31,2 bilhões que o consenso do mercado projetava. Como se trata da área mais rentável e vista como motor de longo prazo dos resultados, a frustração, ainda que pequena, bastou para deslocar a atenção dos investidores do restante do balanço.
O segundo fator foi a projeção para o trimestre atual. O diretor financeiro, Kevan Parekh, indicou aos analistas um crescimento de receita entre 9% e 11% no período, abaixo dos cerca de 12% esperados pelo mercado. Parekh atribuiu a desaceleração a restrições de oferta — ligadas à escassez de memória e chips puxada pela demanda por inteligência artificial — e a efeitos cambiais desfavoráveis, e não a uma piora do negócio em si.
Some-se a isso a realização de lucros. Depois da valorização recente e da máxima histórica atingida dias antes, parte dos investidores aproveitou os resultados para embolsar ganhos, movimento comum na ação após balanços bem recebidos.
O que dizem os analistas
Apesar da reação negativa, parte do mercado manteve a visão construtiva. O Citi reiterou o preço-alvo de US$ 365 para o papel.
Para o banco, o lançamento dos novos iPhones em setembro e o avanço das capacidades de IA da Siri são catalisadores relevantes à frente, e a desaceleração de curto prazo reflete oferta limitada e câmbio, não um problema estrutural.
Vale lembrar que a Apple vinha sendo tratada como uma das apostas de quem quer exposição à inteligência artificial sem entrar na corrida bilionária por data centers e chips.
