Apple tem lucro acima da expectativa e reduz investimentos na contramão das 'techs'
iPhone foi o destaque no 2º tri, com US$ 54,2 bilhões em vendas, alta de 21,7%

A Apple (AAPL) encerrou o terceiro trimestre do ano fiscal de 2026 com lucro líquido de US$ 29,789 bilhões, alta de 27,1% na comparação anual. O lucro por ação diluído somou US$ 2,02, avanço de 28,7%, incluindo impacto favorável de US$ 0,11 vindo de reembolsos de tarifas.
Os reembolsos vêm de tarifas de importação que a Apple pagou aos EUA e que a Suprema Corte americana derrubou em fevereiro de 2026, ao anular parte das tarifas impostas sob a lei de emergência econômica (IEEPA). Com a decisão, a empresa passou a pedir a devolução dos valores pagos à alfândega, e esse recebimento entrou como ganho não recorrente no trimestre, inflando margem e lucro.
A margem bruta subiu a 50,1%, ante 46,5% um ano antes, com cerca de 2 pontos percentuais atribuídos ao efeito não recorrente dos reembolsos. A margem operacional ficou em 32,6%, com lucro operacional de US$ 35,695 bilhões (+26,6%). Sem o efeito das tarifas, a margem bruta rodaria perto de 48%.
A receita total chegou a US$ 109,417 bilhões, recorde para um trimestre encerrado em junho e alta de 16,4% no ano. A linha de produtos avançou 18,1%, para US$ 78,678 bilhões, e serviços cresceu 12,1%, para US$ 30,739 bilhões, também recorde.
iPhone puxa o crescimento e só o iPad recua
O iPhone foi o destaque, com US$ 54,252 bilhões em vendas, alta de 21,7%. O Mac somou US$ 10,352 bilhões (+28,7%), impulsionado por notebooks; Wearables, Casa e Acessórios cresceu 6,5%, para US$ 7,883 bilhões. O iPad foi a única categoria em queda, com US$ 6,191 bilhões, recuo de 5,9%.
A companhia registrou crescimento de dois dígitos em todas as geografias, com destaque para a reaceleração da Grande China, ponto fraco de trimestres anteriores. A região faturou US$ 18,816 bilhões (+22,4%). As Américas, maior mercado, somaram US$ 45,781 bilhões (+11,1%); a Europa cresceu 22,4%, para US$ 29,395 bilhões; o Japão faturou US$ 6,554 bilhões (+13,3%); e o resto da Ásia-Pacífico, US$ 8,871 bilhões (+15,6%).
A trajetória contrasta com a do mesmo período de 2025, quando a China ainda pesava sobre o resultado.
Caixa forte e capex menor
No acumulado de nove meses do ano fiscal, a Apple gerou US$ 116,996 bilhões em caixa operacional, alta de 43,1% e recorde para o período. O capex somou US$ 2,455 bilhões no trimestre, queda de cerca de 29% no ano, e US$ 6,799 bilhões nos nove meses, ante US$ 9,473 bilhões.
A companhia encerrou o trimestre com US$ 39,544 bilhões em caixa e equivalentes e outros US$ 106,973 bilhões em títulos e valores mobiliários, totalizando R$ 146,51 bilhões.
"Hoje a Apple tem orgulho de reportar o seu mais forte trimestre de junho da história, com crescimento de receita de dois dígitos em iPhone, Mac e Serviços, e em cada segmento geográfico", disse Tim Cook, presidente-executivo da companhia.
"Estamos muito satisfeitos com o desempenho recorde dos negócios durante o trimestre, que estabeleceu novos recordes de junho tanto para o LPA quanto para o caixa operacional", afirmou Kevan Parekh, diretor financeiro da Apple. "A nossa base instalada de dispositivos ativos também atingiu um novo recorde histórico em todas as principais categorias de produto e segmentos geográficos."
