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Sacre Investimentos
EconomiaMPOLACS
24/07/2026
4 min

‘Arcabouço é a regra menos bem-sucedida da história’, diz economista-chefe da ARX Investimentos

‘Arcabouço é a regra menos bem-sucedida da história’, diz economista-chefe da ARX Investimentos

O economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel de Barros, classificou o arcabouço fiscal como a “regra menos bem-sucedida da história” e afirmou que o modelo precisará ser alterado nos próximos anos. A declaração ocorreu durante um painel sobre política fiscal, que reuniu também o CEO do Bradesco, Bruno Funchal, a analista da XP Bianca Lima e o economista sênior da XP Tiago Sbardelotto.

“Essa é a regra menos bem-sucedida da história. Logo no seu início já foi pedido para não cumprir a regra”, afirmou Barros.

Na avaliação do economista, o problema não está apenas no desenho do arcabouço, mas também na estratégia adotada pelo governo para conduzir as contas públicas. Segundo ele, a União tem buscado alternativas para contornar as limitações previstas no regime fiscal, reduzindo a credibilidade da regra.

“O governo está a todo momento contornando a regra. Não dá para manter de forma artificial a economia da forma como está. Em 2027 vai ter que mudar. Há um erro de estratégia e um erro no arcabouço”, disse.

Barros também afirmou que o aumento da arrecadação promovido pelo governo não foi suficiente para resolver o problema fiscal porque os recursos foram direcionados para ampliar despesas.

“Uma coisa que o governo foi bem-sucedido foi aumentar a carga tributária e a arrecadação. Mas por que isso não resolveu? Porque se converteu em gastos”, afirmou.

O economista ainda comparou a condução da política econômica do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o governo Dilma Rousseff e disse que a estratégia atual cria uma “falsa sensação de bem-estar”.

“Lula 3 é igual ao governo Dilma. É uma sucessão de erros. Temos vários erros de política econômica e evidências de que são os mesmos erros que a Dilma fez lá atrás. O objetivo é sempre o mesmo: falsa sensação de bem-estar”, afirmou.

Segundo ele, a manutenção desse modelo pode levar o país a uma recessão. “A gente já conhece o resultado: isso vai gerar uma recessão. Não dá para saber o tamanho”, disse.

Funchal defende arcabouço, mas alerta para pressão sobre juros

Em contraponto às críticas de Barros, Bruno Funchal afirmou que o arcabouço fiscal representa uma regra moderna, mas destacou que a combinação entre inflação elevada, juros altos e resultado fiscal ainda desafia a política econômica.

Para Funchal, o cenário atual mostra uma dificuldade de coordenação entre política fiscal e monetária. Ele destacou que o Banco Central tem feito um esforço significativo para reduzir os juros em meio a um ambiente de inflação pressionada.

“Se a gente observa um juro do jeito que está, com revisões de inflação para cima, e se a gente tem um arcabouço que tem inflação mais 2,5% de limite de despesa e mesmo assim entrega déficit primário, o Banco Central está fazendo um esforço hercúleo para abaixar os juros”, disse.

O CEO do Bradesco também avaliou que ajustes fiscais em um ano eleitoral são difíceis, mas fazem parte do processo de correção das contas públicas.

XP vê espaço para ajustes na regra a partir de 2027

Bianca Lima, da XP, afirmou que existe no mercado uma percepção de que o arcabouço criado em 2023 pode passar por ajustes, especialmente em seus parâmetros de crescimento das despesas.

Segundo ela, uma das discussões envolve mudanças no teto de crescimento real dos gastos e a entrada de novos gatilhos previstos na própria regra a partir de 2027.

A analista também citou possíveis revisões em programas públicos, incluindo uma eventual unificação de iniciativas sociais que tenham sobreposição, além da revisão de gastos e incentivos tributários.

Para ela, o desafio é que medidas de ajuste fiscal costumam ter baixo apelo político.

“Ajuste fiscal infelizmente não rende voto. Estamos há anos falando sobre isso”, afirmou.

A analista também ponderou que algumas medidas econômicas recentes do governo começaram a ser desenhadas e implementadas nos últimos meses, dificultando uma avaliação definitiva sobre seus efeitos nas pesquisas de aprovação.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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