Argentina x Inglaterra lutaram a Guerra das Malvinas em 1982; relembre como foi

Dois dos semifinalistas dessa edição da Copa do Mundo,a Argentina e a Inglaterra, se enfrentarão nos gramados por uma vaga na grande final nesta quarta-feira, 15.
As seleções de elite têm um longo histórico de rivalidade nas copas, enfrentando-se 14 vezes em jogos internacionais e cinco vezes em copas do mundo, com a Inglaterra defendendo uma leve liderança, com 3 vitórias contra 2 da Argentina, em duelos que incluem alguns dos mais históricos do futebol, como o gol com a "Mão de Deus" de Maradona em 1986.
Fora dos gramados, os países também compartilham um passado de rivalidades, mas muito mais sangrento. Durante dez semanas em 1982, a Argentina e a Inglaterra travaram uma guerra que nunca foi formalmente declarada pela soberania das Ilhas Malvinas, um arquipélago localizado a cerca de 500 km da costa da Patagônia.
A história política da ilha é complexa.
Ambos os países reivindicam soberania sobre o arquipélago. Para Buenos Aires, é uma extensão natural do território argentino, cuja base legislativa remonta ao período colonial, quando a Espanha ocupava as Malvinas: após a queda do poder imperial e a independência da Argentina, Buenos Aires entende que o controle das ilhas pertence naturalmente ao país.
Em contrapartida, a ilha também foi território colonial da Coroa britânica, que estabeleceu bases nas Malvinas (Falklands, em inglês) já em 1765, poucos anos antes da chegada da Espanha, que forçou a saída britânica. Os ingleses retornaram somente em 1833 — 13 anos após a independência da Argentina — e retomaram o controle da ilha, que desde então tem permanecido como território britânico ultramarino.
Em 2013, ocorreu um referendo no qual os habitantes da ilha — em sua vasta maioria descendentes diretos de colonos britânicos — votaram sobre o status do arquipélago: 99,8% dos correspondentes optaram por continuar sob administração britânica.
A Guerra pelas Ilhas Malvinas
Militar briânco olha o jornal com notícias sobre as ilhas Falkland, conhecidas como Malvinas, após rendição da Argentina (Getty Images/Getty Images)
Décadas antes do referendo, em 1965, as tensões voltaram a borbulhar entre os países, após uma demanda da ONU para que os dois lados chegassem a uma resolução da disputa. O Ministério das Relações Exteriores e da Commonwealth (FCO), órgão britânico, apesar de sua confiança na validade da reivindicação britânica, estava disposto a ceder o território.
Todavia, foram os habitantes que negaram a proposta, fazendo intenso lobby político para frustrar os planos do FCO, que já estavam em estágio de negociação com Buenos Aires. Ainda assim, o FCO buscou mudar a posição dos habitantes ao tornar o arquipélago cada vez mais economicamente dependente da Argentina, por meio de medidas que incluíram, entre outras, um monopólio argentino sobre o petróleo da região.
Na época, a Argentina passava por uma estagnação econômica e por um período de Reorganização Nacional, decorrentes do descontentamento civil com o governo militar. A gota d'água veio na forma de uma junta militar, formada em dezembro de 1981 e liderada pelo presidente-general Leopoldo Galtieri. Esse grupo era muito mais propenso a tomar medidas e, ao apelar ao sentimento nacional de soberania sobre as ilhas, algo que unia muitos argentinos, o governo seria capaz de mitigar o descontentamento político por meio de operações militares.
Por fim, no dia 2 de abril de 1982, as forças argentinas invadiram as Malvinas sem declaração formal de guerra, desencadeando um conflito sangrento que durou 10 semanas e resultou na morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e três civis das ilhas, antes de uma rendição argentina.
As relações diplomáticas entre o Reino Unido e a Argentina foram restabelecidas em 1989, após uma reunião em Madri, na qual ambos os governos divulgaram uma declaração conjunta. O acordo, no entanto, não alterou as posições de Londres e Buenos Aires sobre a soberania das Ilhas Malvinas, tema que permanece em disputa.
Cinco anos depois, em 1994, a Argentina incorporou à sua Constituição uma disposição que reivindica as ilhas como parte de uma de suas províncias. Apesar da reivindicação argentina, o arquipélago continua sob administração britânica e mantém o status de Território Ultramarino Britânico com governo autônomo.
