As 10 maiores usinas eólicas do Brasil — e por que o Nordeste domina o ranking

O Brasil, com mais de 36 GW de capacidade instalada de energia eólica, é a quinta nação na liderança desse setor. Não à toa a modalidade se consolidou como uma das principais fontes renováveis da matriz elétrica brasileira.
Impulsionada pelos ventos constantes do Nordeste e pelos avanços tecnológicos dos aerogeradores, a fonte já responde por uma parcela relevante da geração nacional e é considerada estratégica para a transição energética.
Nos últimos anos, o país assistiu à construção de grandes complexos eólicos capazes de abastecer milhões de residências com eletricidade produzida a partir da força dos ventos. Esses empreendimentos movimentam bilhões de reais em investimentos, geram empregos e ajudam a diversificar uma matriz energética historicamente dependente das hidrelétricas.
O resultado é um mapa de geração concentrado principalmente no Nordeste, região que reúne alguns dos melhores regimes de vento do mundo para produção de energia.
As 10 maiores usinas eólicas do Brasil
A maior usina eólica do Brasil é o Complexo Lagoa dos Ventos, no Piauí, com 716,5 MW de capacidade instalada.
Operado pela Enel Green Power, o empreendimento está localizado nos municípios de Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova e Dom Inocêncio. O complexo reúne 21 parques eólicos e entrou em operação em 2021.
Hoje, é considerado o maior complexo eólico em operação no país e um dos principais símbolos da expansão da energia dos ventos no semiárido nordestino.
Na segunda posição aparece o Complexo Campo Largo, na Bahia, com 687,9 MW.
Controlado pela Engie, o projeto foi desenvolvido em etapas entre 2018 e 2021 e reúne 22 parques eólicos no município de Sento Sé. O empreendimento reforça a posição da Bahia como um dos principais polos da indústria eólica brasileira.
O terceiro lugar pertence ao Complexo Chuí, no Rio Grande do Sul, com 582,8 MW.
Operado pela Omega Energia, o projeto se destaca por ser a principal exceção ao domínio nordestino no ranking. Instalado nos municípios de Chuí e Santa Vitória do Palmar, entrou em operação entre 2015 e 2016 e reúne 28 parques eólicos.
Na quarta colocação está o Complexo Oitis, entre Piauí e Bahia, com 517 MW.
Controlado pela Neoenergia, o empreendimento começou a operar em 2022 e é um dos exemplos mais relevantes de projeto interestadual no setor elétrico brasileiro.
Fechando o grupo dos cinco maiores está o Complexo Rio do Vento, no Rio Grande do Norte, com 504 MW.
O empreendimento pertence a um consórcio formado por Casa dos Ventos, Salus, Mutatis e Perfin Ares. Apesar de reunir apenas sete parques, possui uma das maiores capacidades instaladas do país.
Neoenergia, Omega e grupos internacionais dominam o ranking
Na sexta posição aparece o Complexo Serra do Seridó, na Paraíba, com 480 MW.
Desenvolvido pela EDF Renewables Brasil, o projeto entrou em operação entre 2023 e 2024 e representa uma das adições mais recentes entre os grandes empreendimentos eólicos brasileiros. A entrada em operação ocorreu de forma escalonada, acompanhando a integração gradual do complexo ao sistema elétrico.
Logo depois vem o Complexo Chafariz, também na Paraíba, com 471,2 MW.
Controlado pela Neoenergia, o empreendimento reúne 15 parques eólicos e reforça a presença da companhia entre os maiores operadores do setor no país.
A oitava posição é ocupada pelo Complexo Chapada do Piauí, com 438 MW.
Localizado nos municípios de Simões, Caldeirão Grande do Piauí e Marcolândia, o projeto conta com participação da Contour Global, Eletrobras Chesf e outros investidores. O complexo entrou em operação em 2015 e reúne 15 parques.
Empatado em capacidade instalada, o Complexo Alto Sertão, na Bahia, também possui 438 MW.
O empreendimento está localizado entre os municípios de Igaporã, Caetité e Riacho de Santana. O projeto evidencia a interiorização dos investimentos em energia renovável no semiárido brasileiro e reúne 26 parques eólicos. Sua gestão é da Renova Energia.
Fechando o ranking está o Complexo Delta do Maranhão, com 426 MW.
Operado pela Omega Energia, o empreendimento está localizado nos municípios de Barreirinhas e Paulino Neves e entrou em operação entre 2017 e 2019. A proximidade com a região dos Lençóis Maranhenses faz do projeto um dos casos mais conhecidos de convivência entre geração renovável e áreas de interesse ambiental e turístico.
Nordeste concentra os maiores parques eólicos do país
O ranking dos maiores complexos eólicos do Brasil evidencia a força do Nordeste na geração de energia dos ventos. Dos dez maiores empreendimentos do país, nove estão localizados na região. A única exceção é o Complexo Chuí, no Rio Grande do Sul.
Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Maranhão concentram alguns dos melhores regimes de vento do mundo para geração elétrica. O que explica é a combinação de ventos fortes, constantes e com baixa turbulência permite que os aerogeradores operem com elevada eficiência durante grande parte do ano.
Essa vantagem competitiva ajudou a transformar o Nordeste no principal polo da energia eólica brasileira. Além dos recursos naturais favoráveis, a região passou a atrair fabricantes, fornecedores, operadores e bilhões de reais em investimentos ligados à cadeia de energias renováveis.
Hoje, estados como Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí figuram entre os maiores produtores de energia eólica do país e concentram boa parte dos novos projetos em desenvolvimento.
Os desafios para continuar crescendo
Apesar da expansão acelerada dos últimos anos, o setor enfrenta gargalos importantes.
O principal deles é a infraestrutura de transmissão. Em diversas regiões do Nordeste, novos parques já foram construídos ou estão prontos para entrar em operação, mas a capacidade de escoar a energia gerada não cresce no mesmo ritmo.
O problema levou inclusive a episódios recentes de restrição de geração, quando usinas precisaram reduzir sua produção por limitações da rede elétrica.
Outro desafio relevante é a infraestrutura logística. O transporte de pás eólicas, torres e aerogeradores exige rodovias adequadas e acesso a regiões frequentemente remotas, especialmente no interior nordestino.
A cadeia de fornecedores também segue como um ponto de atenção. Embora o Brasil possua uma indústria consolidada no setor, fabricantes e investidores apontam a necessidade de maior previsibilidade para ampliar a produção local, reduzir custos e acelerar novos projetos.
Questões ambientais e fundiárias aparecem igualmente entre os desafios da expansão. A instalação de grandes empreendimentos em áreas rurais pode gerar conflitos relacionados ao uso da terra, compensações financeiras, impactos paisagísticos e ruídos, especialmente em comunidades do semiárido.
Especialistas também apontam que o país precisa avançar em planejamento energético e segurança regulatória para garantir que os investimentos continuem chegando ao setor nos próximos anos.
Energia renovável e transição energética
Mesmo diante dos desafios, a energia eólica continua sendo uma das principais apostas para o futuro da matriz elétrica brasileira.
A combinação de recursos naturais abundantes, custos cada vez mais competitivos e demanda crescente por fontes limpas coloca o Brasil entre os mercados mais promissores do mundo para novos investimentos em geração renovável.
Com a expansão das redes de transmissão e a entrada de novos empreendimentos, o setor deve continuar ganhando relevância na próxima década, reforçando o papel dos ventos como um dos pilares da transição energética nacional.
