As 5 criptomoedas mais recomendadas pelos analistas para outubro
Analistas preveem um mês positivo considerando o histórico do "uptober", mas reunião do Fomc pode trazer volatilidade

O bitcoin acumulou uma alta de 42,6% no terceiro trimestre de 2026 e agora entra em um mês que é tradicionalmente de alta para as criptomoedas. No meio cripto, outubro ficou conhecido como "uptober" pelo histórico de bons desempenhos.
Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin (MB), destaca que outubro tem a maior mediana de retorno mensal do bitcoin desde 2011, próxima de 14%. Para ele, a sazonalidade, quando acompanhada de melhora em fundamentos, traz boas perspectivas para o mercado cripto, e principalmente o seu ativo mais famoso.
No entanto, vale lembrar que a volatilidade dos ativos no mês pode aumentar com a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos Estados Unidos no dia 28. A plataforma de mercados preditivos Polymarket aponta para 75% de chance de manutenção das taxas no patamar atual e 25% de aumento de 0,25 ponto percentual.
Confira a lista das cinco criptomoedas mais recomendadas pelos analistas das corretoras Bitget, Foxbit e Mercado Bitcoin.
Bitcoin
Para a maior das criptomoedas, Marcelo Person, diretor de tesouraria cripto & mercados da Foxbit, afirma que a retomada dos fluxos institucionais para os fundos negociados em bolsa (ETFs) é algo que chega a outubro no radar, com a melhor semana de entradas em ETFs de todo o ano entre 21 e 25 de setembro.
Usando análise técnica, Fontes projeta que o próximo teste relevante da moeda digital está na média móvel de 100 semanas, próxima de US$ 89,5 mil. "Um rompimento dessa região reforçaria a estrutura positiva, abrindo espaço para US$ 95 mil e, em um movimento de força mais extremo, para a faixa dos US$ 105 mil."
Já Matias Part, analista da Bitget, alerta que o Federal Reserve (Fed) é um risco, pois o banco central dos EUA já elevou os juros em setembro e pode fazê-lo de novo este mês, algo que prejudicaria o desempenho dos ativos de renda variável.
Ethereum
O ether começa o mês com recuperação do mercado e mais de 43,2 milhões de ETH travados em staking, lembra o analista do MB. "São moedas usadas para ajudar a validar a rede e que, portanto, não fazem parte da oferta imediatamente disponível para negociação. Ao mesmo tempo, a quantidade de ETH mantida em corretoras caiu cerca de 73% desde 2020, de 22,9 milhões para apenas 6,06 milhões", destaca.
Fontes explica que isso significa que a quantidade de Ethereum prontamente disponível para venda está em nível bastante reduzido. Assim, uma retomada na demanda a partir de compras pelos ETFs, tesourarias de ativos digitais e o próprio fluxo dos investidores criaria uma dinâmica favorável para o preço. Após romper a média móvel de 200 semanas, o ETH pode ter espaço para buscar os US$ 3.250.Há ainda outro evento importante para o ether. Part lembra que em 6 de outubro uma das redes de testes do Ethereum, a Sepolia, passará pela atualização Glamsterdam, a maior desde que o blockchain adotou a validação por Prova de Participação (Proof of Stake) no The Merge.
"A atualização busca aumentar a capacidade de cada bloco e redesenhar a forma como eles são construídos. Não é a rede principal, mas é o passo que definirá se a ativação definitiva ocorrerá ainda este ano", argumenta.
Solana
A principal concorrente do Ethereum como blockchain de primeira camada para programação de contratos inteligentes também terá uma atualização neste mês. "Outubro é o mês previsto para a ativação do Alpenglow, substituto de seu mecanismo de consenso, que busca reduzir o tempo de confirmação de transações de cerca de 12 segundos para 150 milissegundos", afirma Part.
Há ainda, conforme lembra Fontes, o Project Harmonia, parceria da Solana com a Allfunds, que administra cerca de 1,9 trilhão de euros, para ampliar a distribuição institucional de fundos tokenizados pela rede. "A etapa atual termina em 24 de outubro", diz o analista.
Usando análise gráfica, o especialista do MB diz que o token SOL também rompeu a média móvel de 200 semanas, próxima dos US$ 110, e se esse patamar foi mantido o espaço está aberto para buscar a região entre US$ 140 e US$ 150.Ondo
Menos conhecida do que as top 3 de sempre, a ondo é a criptomoeda do projeto Ondo Finance, que está ligado à tese de tokenização ao levar ativos como títulos, ações e fundos para o blockchain. Fontes diz que isso torna o projeto um dos beneficiários mais claros do movimento da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) de permitir, sob determinadas regras, a negociação on-chain de ações dos EUA tokenizadas.
Person destaca que a Ondo vem ampliando sua conexão com o sistema financeiro tradicional e avançando na infraestrutura para levar ativos tradicionais para ambientes on-chain. " Com a tokenização ganhando espaço entre grandes instituições, ONDO entra em outubro como um dos principais ativos ligados à tese de RWA [tokenização de ativos do mundo real]", diz.
Fontes aponta que ONDO rompeu sua média móvel de 50 semanas, indicando uma melhora importante da estrutura de preço. "A continuidade do movimento abre espaço para o ativo buscar a média móvel de 100 semanas, ao redor de US$ 0,70, que passa a ser o principal alvo técnico para outubro."
Chainlink
Por fim, os analistas recomendam a LINK, do protocolo de oráculo de blockchains, Chainlink. O projeto atua como ponte entre blockchains e informações produzidas fora delas, levando dados como preços de ações, fundos e outros ativos. "Por isso, a expansão das ações tokenizadas favorecida pela recente decisão da SEC pode aumentar a importância dessa infraestrutura", diz Fontes.
O sistema CCIP, da Chainlink, que permite a comunicação e transferência de tokens entre diferentes blockchains, movimentou US$ 4,9 bilhões no trimestre, em uma alta de 353% na comparação anual.
Part diz que o ativo está em torno de US$ 14,30 após atingir sua máxima do ano. "O gatilho foi o lançamento do CCIP 2.0 e sua integração com o livro contábil da Swift, anunciados durante o Sibos. O que definirá outubro não é o anúncio, mas o uso: se instituições e emissores de ativos tokenizados de fato adotarem a tecnologia", avalia.Com bastante resistência nos US$ 15, um rompimento consistente desse patamar pode levar o ativo à região dos US$ 20.
