As apostas da gestora de fundo que rendeu quase 3000% do CDI em maio, o acordo entre EUA e Irã e o que mais você precisa ler hoje

O termo benchmark, que hoje é usado no mercado financeiro como a referência para medir outros desempenhos, práticas e rendimentos, tem origem na década de 1970. A Xerox Company foi a pioneira no uso desse termo e da prática de procurar bons cases na economia, analisar quais as práticas de gestão que levaram a essa performance e tentar adaptá-las para o próprio negócio.
Se muitos investidores buscam um retorno em linha com o CDI, taxa semelhante à Selic e que é o benchmark do mercado, os fundos da Adam Capital buscam outro patamar.
Em maio, o Advanced, fundo mais arrojado da casa e com maior exposição ao exterior, alcançou o melhor resultado histórico, com retorno superior a 30%, quase 3000% do CDI.
Esse rendimento destoa do restante do mercado, assim como grande parte das teses da empresa. Isso porque a companhia não busca seguir os padrões ou crenças do restante do mercado.
Arriscado? Sim. Mas há lógica nos argumentos da gestora, que tem R$ 2,9 bilhões sob gestão.
Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, o sócio e economista-chefe da Adam Capital, Juliano Cecílio, detalha as teses, apostas e receios da gestora. Confira tudo nesta matéria da repórter Camille Lima.
Transformação pela IA está só no começo
Uma das teses da Adam Capital que diverge do mercado é sua aposta na inteligência artificial (IA).
As empresas ligadas a teses de IA nunca valeram tanto nas bolsas de valores. A Nvidia, gigante multinacional fabricante de chips, chegou a bater a marca de US$ 5,5 trilhões em valor de mercado em maio. Embora tenha perdido parte dessa força, é a primeira companhia da história a atingir esse patamar.
Os investimentos previstos também têm valores astronômicos, e podem superar os US$ 700 bilhões para a construção de data centers, energia, processadores e novas tecnologias.
E não é só: as fabricantes de algumas das inteligências artificiais mais conhecidas, a OpenAI e a Anthropic, respectivamente, estão na corrida para abrir o capital na bolsa de valores.
Enquanto muitos podem ficar assustados com esses valores exorbitantes, há quem acredite que estamos apenas no começo.
Confira por que nesta matéria aqui.
Esquenta dos mercados
Donald Trump finalmente marcou um golaço na noite de ontem (14) — e isso não tem nada a ver com a Copa do Mundo. Enquanto comemorava o aniversário de 80 anos, o presidente dos Estados Unidos conseguiu finalizar um acordo de paz provisório com o Irã.
Segundo Trump, o tratado preliminar determina a reabertura do Estreito de Ormuz sem pedágios a partir de sexta-feira. O presidente disse ainda que foi autorizada “a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA” aos portos iranianos. “Navios do mundo, liguem seus motores”, escreveu. “Deixem o petróleo fluir!”
O Irã também confirmou o entendimento.
Com a notícia, os preços do petróleo despencam nesta manhã. Os contratos futuros do Brent chegaram a cair mais de 5% hoje.
Embora a conquista não esteja relacionada ao futebol, tem muito investidor comemorando como se tivesse ganhado o título mundial. É o caso dos mercados asiáticos, que fecharam o pregão desta segunda-feira (15) em forte alta.
O índice japonês Nikkei avançou 4,99%, alcançando os 69.317,50 pontos pela primeira vez, enquanto o sul-coreano Kospi saltou 5,20%, a 8.545,98 pontos.
O clima também é de festa na Europa. As bolsas da região amanhecem em alta, enquanto o índice Stoxx 600 renova recorde.
O cenário não é diferente em Wall Street, com os índices futuros de Nova York indicando um dia de fortes ganhos por lá.
Porém, ainda tem muita bola para rolar. Isso porque a agenda econômica desta semana está recheada de eventos importantes, com destaque para a Super Quarta, quando os bancos centrais do Brasil e EUA decidem sobre as taxas de juros nos países. Reino Unido e Japão também contam com decisões de política monetária nos próximos dias.
Mas não para por aí: os investidores acompanham ainda a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a cúpula do G7, pesquisa eleitoral BTG/Nexus e uma série de indicadores.
Além disso, os holofotes se voltam para os jogos da Copa, enquanto os brasileiros ainda digerem a estreia fraca da seleção brasileira nos jogos e o empate contra o Marrocos.
Confira a agenda econômica completa aqui.
Outros destaques do Seu Dinheiro:
ATO FALHO?
Cofundadora do Nubank (ROXO34) explica mensagem sobre liquidação do banco: “Erro bizarro”, diz Cristina Junqueira. Mensagem equivocada chegou a parte da base de clientes na sexta-feira (12) por e-mail, aplicativo e notificações. Banco Central negou qualquer processo de liquidação da fintech.
QUEM PAGA MAIS?
Fundos imobiliários de papel lideram distribuição de dividendos em 2026; confira os principais. Levantamento da Grana Capital mostra quais FIIs entregaram os maiores rendimentos aos cotistas entre janeiro e maio de 2026.
IA NOS NEGÓCIOS
Inteligência artificial nos pequenos negócios: Google, Sebrae, Itaú e Tera oferecem capacitação gratuita para empreendedores. Gigantes do mercado criaram uma formação online para empreendedores aplicarem IA na área de gestão, marketing e finanças de empresas de diferentes portes.
ESTRATÉGIA DO GESTOR
Imune às eleições e à guerra: gestores abrem carteira e indicam suas apostas vencedoras para ações e renda fixa. Diante da volatilidade de conflitos e cenário político, gestores preferem posições defensivas e mais bem posicionadas no contexto local e internacional.
VEIO A RESSACA?
A maré virou para a bolsa brasileira? BTG corta recomendação e esfria aposta no Brasil — e ele não é o único. Duas das maiores instituições financeiras do mundo ficaram mais cautelosas com as ações brasileiras.
REDUZINDO AS DÍVIDAS
CSN (CSNA3) avança em plano de desinvestimentos e inicia processo para venda de ativos de infraestrutura, diz jornal. A operação faz parte do plano de venda de ativos da companhia anunciado em janeiro.
TESE POSITIVA
Ibovespa aos 193 mil pontos? Inter vê espaço para nova disparada da bolsa brasileira. Analista do Inter enxergam uma “janela de oportunidade” no Ibovespa para investidores.
PARCERIA ENTRE ESTATAIS
Petrobras (PETR4) deve assinar primeiros acordos com a Pemex ainda neste mês, diz Magda Chambriard. Presidente da estatal brasileira espera receber o comando da petroleira mexicana neste mês para formalizar os primeiros entendimentos entre as empresas.
FONTE DA JUVENTUDE
No futuro todo mundo será jovem? Startup faz primeiros testes em humanos com injeção rejuvenescedora. Ciência da longevidade é a nova aposta dos bilionários, e recentes avanços mostram que é o rejuvenescimento está cada dia mais perto da realidade.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Anthropic é obrigada a suspender acesso aos seus novos modelos de IA após ordem dos EUA; entenda. Medida atinge estrangeiros dentro e fora do país e reacende embate entre a startup e o governo americano sobre limites e riscos da inteligência artificial.
PASSARELA NO FUTEBOL
Os momentos mais emblemáticos da moda na Copa do Mundo 2026 até agora. De uniformes que provocaram debates políticos a colaborações com grifes, artistas e marcas de streetwear, assa Copa já mostra que o estilo também entrou em campo.
MERCADOS NA SEMANA
De Cury (CURY3) a Natura (NTCO3): as ações que mais ganharam e perderam no Ibovespa nesta semana. Bolsa brasileira recupera fôlego com alívio geopolítico, privatização bilionária da Copasa e expectativa de manutenção dos juros no Brasil e nos EUA.
BOMBOU NO SD
“Pix assassino de monopólios”, o fim de AXIA5 e AXIA6 na bolsa e a contratação de Paulo Guedes pela Revolut: veja as mais lidas da semana. Pix, investimentos, loterias e mudanças na bolsa movimentaram a audiência do Seu Dinheiro. Confira as cinco reportagens mais lidas da semana.
AGORA VAI?
O limite do faturamento do MEI vai aumentar ou não? Entenda como o fim da escala 6×1 entrou na discussão. Após sinalizações contrárias do governo, proposta de aumento do faturamento voltou ao radar durante os debates sobre a redução da jornada de trabalho.
ABERTURA DE CAPITAL
“Começou num galpão”: SpaceX estreia na Nasdaq após maior IPO da história; Musk diz que acreditava no fracasso da empresa. Fundador da companhia relembrou os primeiros anos da SpaceX durante a cerimônia que marcou o início das negociações das ações na bolsa norte-americana de tecnologia.
ANUNCIAÇÃO
O que a inflação acima do esperado em maio diz sobre o ciclo de corte de juros no Brasil — e para o seu bolso. IPCA de 0,58% superou projeções e acumula 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta; economistas apontam que Copom deve adotar tom mais duro na reunião da próxima semana.
A FÓRMULA DO PREJUÍZO
Figurinhas da Copa do Mundo nas embalagens viram dor de cabeça para a Coca-Cola. Rótulos premiados com figurinhas são arrancados de garrafas, tornando-as inúteis para venda; Coca-Cola se responsabilizará pelos ocorridos.
O MAIS RICO DO MUNDO
IPO da SpaceX transforma Elon Musk no primeiro trilionário da história — e ainda deixa 4 mil funcionários da companhia milionários. Ao menos 400 funcionários da SpaceX devem acumular patrimônios de US$ 100 milhões (ou mais) após o IPO da startup de Elon Musk.
LIDERANÇA
Vale (VALE3) diz que acionista de referência quer eleger novo presidente do conselho; veja o que a Previ disse à mineradora. A Previ também indicou Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do colegiado.
GURU DA COPA
Economista cria modelo para provar que prever o resultado da Copa do Mundo é impossível — e acerta o campeão três vezes seguidas. Modelo baseado em estatísticas e variáveis econômicas aponta o favorito para conquistar a taça.
QUASE UMA COPA DO MUNDO
Muito além do ECA Digital: dezenas de países se mobilizam para proibir a presença de crianças nas redes sociais. Da Austrália à China, esses países já aprovaram ou estão discutindo restrições ao uso de redes sociais por crianças e adolescentes.
FIM DE UMA ERA?
Privatização da Copasa (CSMG3) movimenta R$ 8,4 bilhões e vira a página da companhia. Agora, o que esperar da nova fase? Governo de Minas reduz participação para cerca de 5%, enquanto a Equatorial emerge como acionista de referência.
ACABOU O OTIMISMO?
Itaú BBA abandona recomendação de compra para uma das ações queridinhas do agronegócio na B3; veja qual é. Banco vê menos espaço para valorização após revisão das perspectivas para commodities e afirma que faltam gatilhos para uma recuperação das ações.
