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MundoMPOL
02/11/2026
7 min

Às vésperas das eleições nos EUA, Trump pede à Suprema Corte suspensão de 20 mil votos na Califórnia

Pedido já havia sido negado pela Justiça e ocorre em meio à disputa pelo controle do Congresso americano, que terá sua composição renovada na Câmara e no Senado nesta terça-feira, 3

Às vésperas das eleições nos EUA, Trump pede à Suprema Corte suspensão de 20 mil votos na Califórnia

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu à Suprema Corte, nesta segunda-feira, 2, que determine a suspensão da contagem de mais de 20 mil votos na Califórnia, um dia antes das eleições de meio de mandato, conhecidas comomidterms.

O Departamento de Justiça alega que os eleitores envolvidos podem não ter cidadania americana e quer que suas cédulas sejam separadas até a confirmação de que estão aptos a votar.

O pedido ocorre às vésperas das eleições legislativas de terça-feira, 3, quando os americanos vão renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado. O resultado definirá o controle do Congresso e poderá alterar o equilíbrio de forças na segunda metade do mandato de Trump.

A Califórnia, tradicional reduto do Partido Democrata, rejeitou a solicitação do governo federal. As autoridades estaduais questionam a confiabilidade da lista apresentada pelo Departamento de Justiça e alertam para o risco de impedir o voto de cidadãos americanos.

Na semana passada, a Justiça federal rejeitou a tentativa do governo de suspender a contagem das cédulas. A decisão foi mantida por um tribunal de apelações, levando a administração Trump a recorrer à Suprema Corte.

Justiça questiona dados apresentados pelo governo Trump

Na decisão, o juiz federal David Carter criticou a tentativa do Executivo de interferir nos procedimentos eleitorais estaduais às vésperas da votação.

Segundo o magistrado, não há precedentes de uma iniciativa semelhante do governo federal para obrigar autoridades estaduais e locais a abandonar seus próprios procedimentos eleitorais constitucionalmente estabelecidos.

Carter também afirmou que a metodologia utilizada pelo governo para identificar possíveis estrangeiros inscritos nos cadastros eleitorais apresentava incertezas e erros.

"Os direitos constitucionais e nossa democracia estão em jogo", declarou o juiz, segundo a agência AFP.

Após a decisão, o governo anunciou que recorreria imediatamente. Nesta segunda-feira, o procurador-geral junto à Suprema Corte, John Sauer, apresentou o pedido à instância máxima da Justiça americana.

No recurso, Sauer sustenta que o cadastro eleitoral da Califórnia contém pelo menos 20 mil pessoas que provavelmente não são cidadãos americanos.

A alegação, no entanto, não foi comprovada para o conjunto de eleitores apontados pelo governo. As autoridades da Califórnia argumentam que a medida pode atingir pessoas legalmente habilitadas a votar.

Disputa ocorre em eleição decisiva para Trump

A ofensiva judicial ocorre em um momento de pressão política sobre Trump. Nesta terça-feira, os americanos vão escolher os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 das 100 vagas do Senado.

Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso. Pesquisas e projeções eleitorais apontam a possibilidade de os democratas conquistarem a maioria na Câmara, enquanto a disputa pelo Senado permanece indefinida.

Uma vitória democrata na Câmara ampliaria o poder da oposição para abrir investigações, convocar audiências e fiscalizar decisões do atual governo.

Se também conquistarem o Senado, os democratas poderão dificultar a aprovação de indicações presidenciais para cargos do governo e tribunais federais.

O controle do Congresso é considerado decisivo para os dois últimos anos do mandato de Trump, que termina em janeiro de 2029.

O presidente e seus aliados republicanos têm levantado repetidamente suspeitas sobre a participação de estrangeiros nas eleições americanas. Estudos e levantamentos sobre o tema, porém, indicam que os casos de votação ilegal por pessoas sem cidadania americana são raros.

Na Califórnia, a disputa judicial permanece centrada na validade dos registros apresentados pelo governo federal e na possibilidade de separar os votos questionados sem prejudicar eleitores. 

*Com informações da AFP

AutorSofia Schuck
FonteExame
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