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InvestMercados
14/07/2026
6 min

ASA ainda acredita em Ibovespa nos 300 mil pontos: 'vai depender da eleição'

ASA ainda acredita em Ibovespa nos 300 mil pontos: 'vai depender da eleição'

Mesmo depois da mudança de cenário que afastou o Ibovespa dos recordes históricos deste ano, o ASA mantém a avaliação de que a bolsa brasileira ainda pode alcançar os 300 mil pontos. A instituição financeira afirma, porém, que esse cenário segue condicionado à eleição, em 2026, de um governo considerado fiscalmente responsável e ao avanço de uma agenda de ajuste das contas públicas.

A projeção havia sido apresentada pela primeira vez em dezembro do ano passado, quando o Ibovespa renovava sucessivos recordes e operava próximo de 161 mil pontos. Desde então,o índice chegou a se aproximar da marca inédita de 200 mil pontos, mas passou aperder força a partir da segunda quinzena de abril, em meio à mudança do cenário macroeconômico, à redução do fluxo estrangeiro para mercados emergentes e ao aumento das incertezas domésticas.

Apesar da recuperação que vem registrando nos últimos pregões, o Ibovespa terminou o pregão desta segunda-feira, 13, aos 175.739 pontos.

Em coletiva à imprensa para apresentar as perspectivas para o segundo semestre, Rogério Freitas, o head de investimentos do ASA, afirmou que atese otimista continua válida porque ela nunca esteve baseada no cenário atual, mas em uma possível mudança da política econômica após as eleições de 2026.

"O cenário de Bolsa a 300 mil pontos sempre foi condicionado. Se formos para um caminho onde elege um candidato fiscalmente responsável, o cenário de 300 mil pontos continua atual", afirmou no final da manhã desta terça-feira, 14, aos jornalistas.

Segundo Freitas, essa valorização não ocorreria imediatamente após a eleição. A expectativa da casa é que esse movimento aconteça ao longo de 12 a 18 meses, desde que o ambiente internacional também permaneça favorável. "O cenário positivo sempre foi condicionado à eleição de um candidato fiscalmente responsável", disse.

Eleição deve ser bem apertada, projeta a instituição financeira

O executivo destacou que a instituição financeira continua trabalhando com um cenário eleitoral bastante aberto. Na avaliação do ASA, hoje existe uma divisão praticamente equilibrada entre os dois principais campos políticos, com cerca de 50% de probabilidade para cada lado, o que dificulta mudanças relevantes na estratégia dos portfólios antes que o quadro eleitoral fique mais claro.

O principal embate, até o momento, é travado pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará a reeleição, e o pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Segundo o head de investimentos do ASA, os fatores domésticos devem assumir protagonismo na precificação dos ativos brasileiros ao longo do segundo semestre, diferentemente do que ocorreu no ano passado e na primeira metade deste ano, quando os eventos internacionais dominaram o comportamento dos mercados.

Na avaliação da instituição, a principal discussão dos próximos meses será sobre a política fiscal e o tamanho do Estado. "O que o brasileiro quer para os próximos quatro anos? Um aumento de carga tributária, um aumento do tamanho do Estado ou uma redução desse crescimento?", afirmou Freitas durante a apresentação.

Para o executivo, a política fiscal expansionista tem reduzido a eficácia da política monetária. Mesmo com juros elevados, com a Selic em 14,25% ao ano, a economia continua aquecida, sustentada por um forte impulso fiscal, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente e a inflação de serviços segue em níveis incompatíveis com a meta perseguida pelo Banco Central.

Embora o último IPCA, divulgado na sexta, 10, tenha surpreendido positivamente ao cair para 0,16% em junho ante a alta de 0,58% em maio, Freitas afirmou que a desaceleração foi puxada principalmente pelos alimentos, um componente mais volátil. Já a inflação de serviços, especialmente a mais sensível aos salários, continua elevada e ainda impede um ciclo mais intenso de cortes da Selic.

Alocação do ASA segue diversificada, mas com cautela, incluindo na renda fixa

Na avaliação do ASA, esse ambiente exige cautela na alocação dos investimentos. Embora continue defendendo uma exposição maior a ativos de risco no horizonte de longo prazo, a instituição afirma que prefere evitar apostas concentradas enquanto o cenário eleitoral permanece indefinido.

"A eleição ainda não está decidida. Vai ser muito apertada. Temos muita água para passar debaixo dessa ponte". Segundo Freitas, a estratégia tem sido manter uma carteira diversificada, combinando gestão ativa e passiva, sem assumir posições excessivamente direcionais.

A postura também aparece na renda fixa. O ASA afirma que preferetítulos públicos indexados à inflação com vencimentos intermediários, entre cinco e seis anos, em vez de papéis mais longos.

O head de investimento do ASA diz que esse posicionamento "reduz tanto o risco de reinvestimento quanto a volatilidade" que poderia surgir caso o cenário fiscal se deteriore. "A gente prefere ficar no meio da curva".

No crédito privado, a gestora afirma estar ainda mais seletiva diante do aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais e da redução dos prêmios de risco.

Head global de investimentos vê valorização do dólar à frente

Além do cenário doméstico, o ASA também vê riscos vindos do exterior. O head global de investimentos da instituição, Charles Ferraz, afirmou que continua otimista com as bolsas americanas, apoiado pelo crescimento dos lucros das empresas e pelo ciclo de investimentos em inteligência artificial.

A expectativa, de acordo com Ferraz, é que os balanços deste segundo semestre apresentem um crescimento de lucro na ordem de 22% na comparação trimestre contra trimestre, e de 17% em relação ao ano passado. O head de investimento diz que o mercado não vive uma bolha, uma vez que os resultados corporativos continuam superando expectativas.

Ao mesmo tempo, Ferraz alertou que o aumento dos gastos públicos nos Estados Unidos pode manter os juros elevados por mais tempo e fortalecer o dólar, o que tende a aumentar a volatilidade dos mercados emergentes. "O Banco Central americano hoje tem um discurso mais de alta de juros do que de queda" disse o head global de investimentos.

O ASA também avalia que o fluxo estrangeiro poderá voltar a favorecer o Brasil caso os investidores globais retomem posições em mercados emergentes. Freitas pondera, contudo, que isso dependerá não apenas do cenário internacional, mas também da capacidade do país de apresentar uma trajetória fiscal considerada sustentável.

"Se o Brasil fizer o dever de casa, pode voltar a ser um dos principais destinos do capital estrangeiro. Mas isso continua condicionado", finalizou.

AutorClara Assunção
FonteExame
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