Assaí (ASAI3): O que está por trás da alta desta quarta-feira (16) e do avanço de 36% no ano?
O Bank of America (BofA) revisou as estimativas para o Assaí (ASAI3) e elevou o preço-alvo das ações de R$ 10 para R$ 12, o que implica um potencial de valorização de 24% sobre o preço de fechamento anterior. O banco reforçou a visão otimista com a perspectiva de juros mais baixos e inflação crescente […]

O Bank of America (BofA) revisou as estimativas para o Assaí (ASAI3) e elevou o preço-alvo das ações de R$ 10 para R$ 12, o que implica um potencial de valorização de 24% sobre o preço de fechamento anterior.
O banco reforçou a visão otimista com a perspectiva de juros mais baixos e inflação crescente de alimentos. Nas contas do banco, a redução de 1 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) reflete em uma alta de 6,7% no lucro por ação. O BofA prevê corte de 2,75 pontos percentuais na taxa de juros até o final do próximo ano.
“Os anúncios no Mercado Livre, as farmácias, a treasure hunt (uma estratégia comercial) e as categorias complementares continuam dando suporte a um crescimento adicional. Reafirmamos nossa recomendação de Compra“, dizem os analistas.
As ações da varejista de alimentos estão entre os destaques da Bolsa no pregão desta quarta-feira (16) e acumulam avanço de mais de 20% apenas no último mês e de cerca de 36% no acumulado do ano até esta data.
Nesta quarta, por volta de 16h25 (horário de Brasília), as ações subiam 4,97%, cotadas a R$ 10,13, em um dia negativo para o Ibovespa (IBOV), principal índice da Bolsa brasileira. Acompanhe o tempo real.
Alta das ações do Assaí
Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp, destaca que a ação tem um desempenho muito forte no ano de 2026 principalmente quando comparada com o comportamento do papel no ano passado.
“Parte dessa recuperação acontece depois de uma base bastante deprimida. Quando a gente olha o segundo semestre de 2025, as ações do Assaí foram fortemente penalizadas […] Existe um componente de recuperação após o mercado ficar bastante pessimista com a companhia”, disse ao Money Times.
Naquele momento, recorda a analista, havia uma combinação ruim para a tese, com a empresa carregando alta alavancagem em um ambiente de juros elevados, combinação que levantava dúvidas sobre a velocidade de recuperação da geração de caixa.
Ao mesmo tempo, o consumidor de baixa renda também estava bastante pressionado. Dada a exposição do Assaí a esse público, somado com o balanço alavancado, a ação sofreu.
“Eu diria que o movimento deste ano tem um componente de normalização dessa percepção de risco para começar a reconhecer alguns sinais concretos de melhora da companhia”, diz.
Sanchez pondera que gradualmente a percepção de risco começa a mudar. No segundo trimestre de 2026, a alavancagem caiu para 2,37 vezes dívida líquida/Ebitda ante 3,17 vezes um ano antes, enquanto a dívida líquida recuou R$ 1,4 bilhão em 12 meses.
“Isso é bastante importante para entender a reação da ação. Não é simplesmente o mercado pagando mais por uma empresa que continua igual. Existe uma percepção de que um dos principais riscos da tese — o balanço mais alavancado — está começando a diminuir”, afirma.
Ao mesmo tempo, ela pondera que a valorização da ação no ano não significa que todos os problemas do Assaí se resolveram, especialmente em um cenário de sensibilidade do consumidor à disponibilidade da renda.
Na avaliação da analista, o que passa a determinar agora se esse movimento irá continuar é muito a execução operacinal e financeira da companhia. Uma continuidade da redução da dívida, juntamente com melhora consistente das vendas de mesmas lojas (SSS) e maturação das lojas abertas são os principais gatilhos, somados com uma melhoria do ambiente macroeconômico e de margens.
“O papel teve uma valorização muito forte nesse ano, então uma parte dessa percepção de melhora de certa forma já foi incorporada ao preço. Acredito que ainda existe espaço, mas daqui para frente o mercado vai ficar muito mais exigente com o números para sustentar essa recuperação”, pondera Sanchez.
Varejo sensível ao macro
O BTG Pactual aponta que o varejobrasileiro continua sendo um dos setores mais sensíveis ao cenário macroeconômico, com o consumo fortemente ligado às taxas de juros, disponibilidade de crédito e renda disponível.
“Com os juros ainda elevados, os riscos inflacionários voltando ao debate e as eleições se aproximando (trazendo mais ruído político), o desafio não é apenas sustentar o crescimento, mas também converter lucro líquido em caixa ao longo do ciclo”, diz a equipe de analistas do banco em relatório.
Segundo os analistas, Lojas Renner, Assaí e RD Saúde continuam aparecendo como algumas das melhores histórias de geração de caixa, combinando escala com perfis mais saudáveis de capital de giro e investimentos.
No caso do Assaí, a varejista apresentou melhora relevante, com fluxo de caixa operacional/Ebitda de 74%, ante 65% nos últimos 12 meses do primeiro trimestre de 2026, e fluxo de caixa para a firma/Ebitda de 61%, ante 48%.
“Em um cenário macroeconômico ainda incerto, acreditamos que a qualidade deve continuar sendo o principal critério de seleção de ações. O risco de um novo ciclo inflacionário, combinado com uma política monetária ainda restritiva, sugere um ambiente desafiador para o varejo brasileiro”, diz o banco.
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