Assaí chega a menor alavancagem desde 2021: 'Ciclo de expansão já passou'
Segundo diretor financeiro da varejista, é muito provável que a alavancagem termine 2026 ainda mais baixa

O Assaí (ASAI3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 344 milhões, alta de 93,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto reduziu sua alavancagem ao menor nível desde o terceiro trimestre de 2021. O lucro líquido contábil, que inclui efeitos não operacionais como créditos tributários extemporâneos, chegou a R$ 537 milhões.
A melhora no resultado veio em um trimestre de crescimento moderado da receita. O Assaí registrou receita líquida de R$ 19,2 bilhões, avanço de 0,9% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O Ebitda ajustado do Assaí somou R$ 1,1 bilhão no trimestre, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. A margem Ebitda ajustada ficou em 5,6%, com leve recuo de 0,1 ponto percentual na comparação anual.
A relação entre dívida líquida mais recebíveis descontados sobre Ebitda encerrou o período em 2,37 vezes, uma redução de 0,8 vez em 12 meses e o menor patamar desde o terceiro trimestre de 2021.
"Estabelecemos a redução da alavancagem, passado aquele ciclo maravilhoso de expansão das lojas do Extra que consumiu o capital. Já era hora de colocar essa dívida num patamar mais acomodado, e é o que a gente tá fazendo", afirma Rafael Sachete, diretor financeiro do Assaí.
O executivo afirma ainda ser muito provável que a alavancagem da companhia termine 2026 abaixo de duas vezes.
A companhia também acumulou R$ 2,7 bilhões em geração de caixa livre nos últimos 12 meses, mostrando maior capacidade de transformar o resultado operacional em recursos financeiros.
As despesas com vendas, gerais e administrativas somaram R$ 2,2 bilhões, crescimento de 5,1% na comparação anual. O aumento reflete o maior volume de clientes atendidos e investimentos em novas iniciativas, como o Assaí Farma e marcas próprias.
Novas fontes de receita
O Assaí Farma é uma das principais frentes estratégicas da companhia para ampliar a jornada de consumo dos clientes no futuro.
O projeto marca a estreia de farmácias dentro da área de vendas de um varejista alimentar no Brasil, com a proposta de integrar produtos de saúde e bem-estar à experiência de compra tradicional da rede.
As duas primeiras unidades foram inauguradas em julho de 2026, nas lojas Anhanguera e Penha Tiquatira, em São Paulo. A companhia prevê abrir 25 unidades no estado até o fim de 2026 e estima um potencial de expansão para até 250 lojas nos próximos anos.
A iniciativa busca aproveitar o fluxo da rede, que recebe mais de 40 milhões de clientes por mês, oferecendo conveniência e preços competitivos em categorias relacionadas à saúde. Por estar em fase inicial de implantação , a vertical ainda não teve impacto relevante na receita do segundo trimestre de 2026.
"Mas é um projeto com um potencial de geração de retorno sobre o capital investido muito alto. O investimento é baixo, não tem custo fixo de locação, de equipe, de segurança, de luz, de energia, de ar condicionado, de sistema, tá tudo já no nosso custo fixo implementado", explica.
As marcas próprias também são também uma importante aposta do Assaí, com o objetivo de aumentar a fidelização dos clientes, ampliar a margem do negócio e fortalecer a relação da companhia com a indústria.
No segundo trimestre de 2026, a empresa lançou mais de 30 itens das marcas Assaí Chef, Assaí e Econobom. O portfólio inicial inclui produtos como pães, legumes congelados, suco de uva, açúcar e detergente líquido para roupas.
A companhia também prevê a expansão da categoria com a chegada da marca de limpeza Assaí Bloom e novos itens, como batata palha, farinha de trigo, sal, bebida láctea e sabão em pó.
A proposta do Assaí é se afastar do modelo tradicional de marcas próprias no Brasil, historicamente associado a produtos de entrada com menor qualidade. A companhia busca oferecer itens com padrão semelhante ao das marcas líderes, mas com preços mais acessíveis.
A aceitação inicial tem sido positiva. Segundo o Sachete, a penetração média dos produtos próprios chega a 10% nas categorias em que já estão disponíveis, podendo superar 20% em algumas categorias específicas de determinadas lojas.
A importância do canal digital
Os canais digitais do Assaí estão em uma fase de expansão acelerada e já atingiram um faturamento superior a R$ 100 milhões por mês, segundo Rafael Sachete. Apesar do crescimento, a operação ainda representa uma parcela pequena do negócio: o canal movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão por ano, menos de 1% do faturamento total da companhia, que gira em torno de R$ 87 bilhões.
Segundo o executivo, a rentabilidade da operação digital é próxima à das lojas físicas. O canal apresenta uma margem bruta maior para compensar custos adicionais, como a separação dos produtos e as taxas cobradas pelas plataformas digitais.
A operação tem forte participação de parceiros como o iFood, e Sachete afirma que o Assaí está satisfeito com as condições comerciais negociadas. Segundo ele, por atuar em um segmento de alto volume e margens mais apertadas, como o alimentar, a companhia consegue obter taxas mais competitivas do que outros setores, como restaurantes e moda.
A empresa também enxerga o digital como uma venda adicional, e não apenas como uma substituição do canal físico. Na visão de Sachete, o comportamento do consumidor mudou e parte dos clientes que antes frequentavam as lojas passou a utilizar canais digitais, fazendo com que o Assaí busque manter o relacionamento por meio dessas novas ferramentas.
"A gente está numa curva de aprendizado, tem eficiência para buscar. Como começamos há pouco tempo, ainda não estamos no nosso máximo de eficiência", admite.
