Assaí inaugura 1ª farmácia neste mês: 'Vamos gerar mais de 3 mil empregos neste ano', diz CEO

Não basta competir só no varejo. O Assaí irá investir em diferentes setores neste ano, para se manter rentável no mercado e driblar a dívida bilionária da compra do Extra (realizada em 2021 por R$ 7 bilhões), e os juros deste ano que chegou a 15%. Outro desafio que aparece no mercado de consumo são as canetas emagrecedoras.
‘Estamos em transformação’, diz o CEO em entrevista exclusiva ao De frente com CEO, da EXAME.
Depois de lançar no começo do ano produtos com a marca própria (como arroz, amendoim e carnes), o atacarejo irá inaugurar neste mês a primeira farmácia dentro de uma loja.
A inauguração está prevista para acontecer no dia 16 de julho na unidade da Marginal Tietê, em São Paulo. O projeto faz parte da estratégia de diversificar as fontes de receita e transformar as lojas em centros de serviços.
"Se conseguimos vender alimento barato, também podemos vender medicamento barato", afirma Gomes.
A entrada no setor farmacêutico representa uma evolução natural do modelo de negócios da companhia, segundo o executivo.
“Hoje, milhões de consumidores já utilizam as lojas para abastecer a despensa de casa e pequenos comerciantes compram produtos para seus estabelecimentos. A ideia é ampliar essa jornada oferecendo novos serviços no mesmo local”, diz Gomes.
A primeira farmácia de centenas: já tem data e local
A unidade da Marginal Tietê servirá como projeto-piloto para validar o modelo. Se os resultados forem positivos, a expansão será acelerada.
"O plano é chegar a mais de 200 farmácias nos próximos anos", afirma Belmiro, que prevê abrir 25 farmácias neste ano.
Na avaliação do executivo, o Assaí possui uma vantagem competitiva importante: localização, fluxo intenso de consumidores e capacidade de negociar preços em grande escala.
Hoje, a companhia recebe cerca de 40 milhões de clientes por mês em suas mais de 300 lojas espalhadas pelo país.
A injeção de inovação no atacarejo: o mercado que venderá canetas emagrecedoras
A popularização das canetas emagrecedoras à base de GLP-1, segundo o CEO do Assaí, deve mudar a forma como os brasileiros se alimentam e, consequentemente, o mix de produtos vendido pelos supermercados. "Acho que vai impactar o mercado alimentar como um todo. É uma revolução da medicina", afirma Gomes.
Segundo o executivo, a companhia já começou a se preparar para os impactos das canetas emagrecedoras.
"Sabemos que haverá uma redução no consumo de carboidratos e alcoólicos e um aumento no consumo de proteína, suplementação e creatina", afirma.
Conhecendo esse cenário, um dos movimentos do atacarejo foi ampliar a oferta de proteínas nas lojas. A entrada do Assaí em açougues e serviços de fatiamento, implementada nos últimos anos, fazia parte dessa estratégia.
"Quando nós entramos no açougue e no fatiamento, já era uma busca para aumentar a venda de proteína", diz.
É justamente por enxergar essa mudança de comportamento que o Assaí decidiu expandir sua atuação para além da alimentação. A inauguração da primeira farmácia dentro de uma loja, prevista para julho, faz parte também da estratégia.
"Com o projeto da farmácia vamos posicionar o Assaí no que estamos chamando de mundo da saúde", afirma.
As canetas emagrecedoras, inclusive, serão vendidas nas farmácias dentro do Assaí.
“Depois que uma farmácia é inaugurada, teremos que esperar alguns dias para começar a vender as canetas emagrecedoras”, diz o CEO.
Para o executivo, o impacto das canetas GLP-1 ainda será gradual. Hoje, os medicamentos continuam restritos a uma parcela menor da população devido ao preço elevado. Mas ele acredita que esse cenário deve mudar nos próximos anos, à medida que novas opções cheguem ao mercado e as patentes expirem.
"É difícil estimar quando isso vai chegar à maior parte da população. Pode ser em 2028, 2030 ou 2040. O importante é que o Assaí esteja preparado para acompanhar essa transformação", afirma.
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Um novo Assaí: farmácia, serviços financeiros e postos de gasolina
A farmácia faz parte de uma transformação mais ampla da empresa.
Além da nova operação, o Assaí prepara a entrada em serviços financeiros, com produtos voltados principalmente para 1 milhão de clientes B2B, como restaurantes, padarias e pequenos comerciantes. Após encerrar a parceria exclusiva com o Itaú herdada do GPA, o executivo afirma que a companhia aguarda aprovação do Banco Central para lançar novos produtos financeiros.
"A companhia estuda expandir seu ecossistema de serviços com soluções como maquininhas de pagamento, programas de cashback, crédito e outros produtos financeiros voltados tanto para consumidores quanto para pequenos comerciantes", afirma Gomes.
A companhia também estuda investir em postos de combustíveis e ampliar sua presença em marketplaces.
"Com o avanço da eletrificação, talvez consigamos entregar energia mais barata do que a própria casa do consumidor", afirma.
O futuro do varejo, segundo Belmiro, passa por ampliar a oferta de conveniência sem perder a essência do atacarejo.
"Queremos aumentar a participação sobre o cliente que já compra conosco. Não é apenas vender mais alimentos, mas resolver mais necessidades no mesmo lugar", diz.
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Menos lojas, mais inovação
A aposta em novos negócios acontece em um momento em que a companhia reduziu o ritmo de expansão física para acelerar a redução da dívida após a compra e reforma de 66 pontos do Extra.
"O plano era abrir cerca de 15 lojas por ano. Neste ano, vamos abrir cinco", afirma o executivo.
Mesmo com um ritmo menor de inaugurações, Belmiro diz que a agenda de inovação permanece intensa.
"Estamos investindo menos do que gostaríamos para reduzir a dívida, mas preparando o Assaí para um novo ciclo de crescimento."
Para o CEO, a abertura da primeira farmácia simboliza justamente essa mudança de fase.
"O consumidor está mudando, e o varejo precisa mudar junto. O Assaí de hoje é muito diferente do de dez anos atrás, e continuará se transformando nos próximos dez", afirma.
