Assaí quer crescer dentro de casa — com farmácias e um olhar para a Costco
Rede aposta em medicamentos, marcas próprias e crédito para ampliar receitas nas lojas existentes enquanto prioriza a redução da dívida

RESUMO +
A rede de atacarejo Assaí planeja abrir mais 100 farmácias em 2027, após alcançar nove unidades e projetar 25 até dezembro. A estratégia busca novas receitas nas lojas existentes, com compartilhamento de despesas e aproveitamento do fluxo de clientes, enquanto a retomada das aberturas de atacarejos depende da redução da dívida e dos juros.
O Assaí planeja abrir mais 100 farmácias em 2027, numa estratégia para aumentar as receitas dentro da estrutura de lojas que já existem. Com nove unidades em operação e expectativa de chegar a 25 até dezembro, a companhia quer aproveitar o fluxo de clientes do atacarejo para ampliar a venda de medicamentos.
Na agenda de Belmiro Gomes, CEO da companhia, a busca por novas receitas passa por elevar o retorno das lojas existentes antes de acelerar novamente a expansão física. Com o consumo pressionado, a rede aposta em atividades que aproveitam sua infraestrutura e a base de consumidores.
A aposta na expansão de farmácias reside no compartilhamento de despesas. A operação pode aproveitar serviços de segurança, limpeza, energia elétrica e o movimento de clientes que já vão às unidades para abastecer a casa ou o negócio.
Abertura de farmácias é a principal estratégia de crescimento do Assaí, mas não é a única. A mesma busca por receitas adicionais coloca no radar postos de combustíveis e pontos de recarga para veículos elétricos. Os primeiros enfrentam uma expansão mais complexa por causa do licenciamento ambiental. Já os carregadores poderiam se beneficiar do acesso da companhia a energia de custo relativamente baixo via mercado livre.
A referência da Costco
Outra frente é a venda de lotes limitados de produtos não alimentícios a preços agressivos. A Costco, rede americana de clubes de compras, está entre as referências consideradas pela direção. A proposta é trabalhar com mercadorias que entram e saem do sortimento conforme as oportunidades comerciais. A oferta limitada incentiva o cliente a aproveitar o produto naquele momento e permite à companhia gerar vendas de impulso adicionais.
Nessa frente, as marcas próprias também ganham importância. O foco inicial será oferecer alternativas mais baratas às marcas líderes, acompanhando a busca dos consumidores por produtos que caibam no orçamento.
A administração estima que o Assaí alcance aproximadamente 60% dos domicílios brasileiros. A avaliação é que essa escala, somada à presença concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro, pode ajudar a superar obstáculos à expansão das marcas próprias no país. Além de contribuir para as margens, esses produtos podem ampliar o poder de negociação com fornecedores.
A volta das aberturas depende da dívida
A expansão das novas atividades ocorre depois de um período de investimentos elevados em lojas e na conversão das unidades do Extra. Agora, o fortalecimento do balanço condiciona os próximos movimentos.
Os resultados do segundo trimestre, divulgados em agosto, mostram o avanço dessa reorganização. O Assaí reduziu a dívida líquida em R$ 1,4 bilhão em 12 meses e encerrou junho com alavancagem de 2,37 vezes, ante 3,17 vezes um ano antes — o menor nível desde o terceiro trimestre de 2021.
A companhia considera retomar, ao longo do tempo, um ritmo de dez a 20 aberturas por ano, combinando expansão orgânica com aquisições seletivas. Esse avanço depende de uma alavancagem mais confortável e de juros menores, que tornem os projetos mais atrativos.
O desempenho das vendas ajuda a explicar a aposta em novas receitas dentro das lojas. No segundo trimestre, a receita líquida cresceu 0,9%, para R$ 19,2 bilhões. As vendas nas mesmas lojas também avançaram 0,9%. O lucro líquido recorrente chegou a R$ 344 milhões, alta de 93,6%. Já o EBITDA ajustado recuou 0,7%, para R$ 1,1 bilhão, com margem de 5,6%.
No curto prazo, o consumo continua sendo um obstáculo. A expectativa da direção é de um terceiro trimestre pressionado pelo poder de compra limitado, pela baixa inflação dos alimentos e pela dificuldade de aumentar os volumes vendidos.
Para o quarto trimestre, a companhia percebe sinais iniciais de melhora em cidades do interior e bairros de menor renda. A administração considera que restrições mais rígidas às apostas online podem estar contribuindo para esse movimento.
