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27/06/2026
3 min

Assaí terá postos de combustível: 'Talvez consigamos entregar energia mais barata', diz CEO

Assaí terá postos de combustível: 'Talvez consigamos entregar energia mais barata', diz CEO

O Assaí quer ir além do carrinho de compras. Depois de anunciar a entrada no mercado de farmácias, que vai começar no dia 16 de julho, e de preparar uma nova frente de serviços financeiros, a companhia agora estuda um novo negócio: postos de combustíveis e eletropostos.

Em entrevista exclusiva ao De Frente com CEO, da EXAME, o CEO Belmiro Gomes afirma que a rede acompanha as mudanças no setor automotivo e vê na eletrificação uma oportunidade para ampliar a relação com os clientes.

"Talvez consigamos entregar energia mais barata do que a própria casa do consumidor", afirma.

A declaração faz parte de uma visão mais ampla do executivo sobre o futuro do varejo. Na avaliação dele, as grandes redes deixarão de ser apenas locais de compra para se tornarem plataformas de serviços.

Ter posto de combustível dentro de uma rede de supermercado não é algo inovador, uma vez que concorrentes como Carrefour já possui esse tipo de serviço. Mas é pensando nos carros elétricos que a rede busca avançar neste segmento.

Um ativo de 17 milhões de veículos

O projeto parte de uma vantagem competitiva já existente. Todos os meses, cerca de 17 milhões de veículos passam pelos estacionamentos das lojas do Assaí.

Para Belmiro, esse fluxo cria uma oportunidade natural para oferecer novos serviços aos consumidores.

"Hoje, já temos um volume muito grande de clientes que chegam de carro às nossas lojas. Precisamos entender como agregar valor a essa jornada", afirma.

Embora o projeto ainda esteja em fase de estudos, a companhia acompanha a evolução da mobilidade elétrica e acredita que o varejo poderá desempenhar um papel importante na infraestrutura de recarga.

“À medida que a geração distribuída avança e os custos da energia diminuem, grandes redes poderão oferecer preços competitivos para abastecimento elétrico”, diz Belmiro.

Muito além do combustível

A iniciativa faz parte da estratégia de diversificação do Assaí.

Neste ano, a companhia inaugura sua primeira farmácia, prepara o lançamento de serviços financeiros voltados principalmente aos cerca de 1 milhão de clientes B2B (como restaurantes, padarias e pequenos comerciantes) e amplia sua presença digital por meio de parcerias com plataformas como iFood e Mercado Livre.

"O modelo continua em transformação", afirma Belmiro.

Na prática, a ideia é aumentar o tempo de permanência dos consumidores nas lojas e criar novas fontes de receita sem depender exclusivamente da abertura de unidades.

Crescer mesmo abrindo menos lojas

A aposta em novos negócios acontece em um momento em que o Assaí reduziu o ritmo de expansão física.

Após a compra e reforma de 66 pontos do Extra, em um investimento de cerca de R$ 7 bilhões, a companhia passou a priorizar a redução da dívida em um cenário de juros elevados.

"O plano era abrir cerca de 15 lojas por ano. Neste ano, vamos abrir cinco", afirma o executivo.

Segundo Belmiro, a desaceleração na expansão não significa interromper investimentos, mas direcionar recursos para projetos considerados estratégicos para a próxima década.

"Algumas decisões precisam ser tomadas olhando o longo prazo", diz.

Essa lógica explica por que o Assaí continua investindo em novas frentes de negócio mesmo em um período de maior disciplina financeira. Na visão do CEO, o varejo do futuro será cada vez menos definido apenas pela venda de produtos e cada vez mais pela capacidade de oferecer conveniência, serviços e soluções para os consumidores.

"Daqui a alguns anos, o cliente não vai procurar apenas um lugar para comprar alimentos. Ele vai buscar um ecossistema de serviços. É para esse futuro que estamos nos preparando", afirma.

AutorLayane Serrano
FonteExame
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