Ata do Copom, mercado de trabalho nos EUA e PMIs na Europa: o que move os mercados

Um dia após o Ibovespa voltar a superar os 170 mil pontos, os mercados globais operam nesta terça-feira, 23, em compasso de espera por uma bateria de indicadores econômicos e sinais de política monetária que ajudam a calibrar as expectativas para a semana. Enquanto Wall Street fechou em baixa, pressionada por ações de tecnologia, investidores ajustaram posições antes da divulgação da ata do Copom no Brasil, de dados de emprego nos Estados Unidos e de uma sequência de PMIs globais, em meio a um cenário ainda marcado por incertezas geopolíticas.
As tensões entre Estados Unidos e Irã parecem diminuir, mas as negociações ainda seguem em curso. Notícias de maior atividade no Estreito de Ormuz derrubaram o preço do petróleo para abaixo dos US$ 70.
A guerra segue no radar, mas divide espaço com indicadores econômicos importantes. No Brasil, destaque absoluto é para a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que será divulgada às 8h desta terça.
Na quarta-feira da semana passada, 17, a autoridade monetária cortou a taxa básica de juros, a Selic, pela terceira vez no ano para 14,25% e não deixou pistas muito claras sobre o que vai fazer nos próximos encontros. No boletim Focus, dovulgado na véspera, as instituições financeiras preveem os juros em 14% no final do ano e, caso a estimativa se confirme, o Banco Central teria espaço para apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual.
Já no campo político e institucional brasileiro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) analisa uma proposta que pode permitir a extinção de ações judiciais de pequeno valor envolvendo dívidas com instituições financeiras quando não há localização do devedor ou bens penhoráveis.
A pauta adiciona um elemento regulatório ao ambiente doméstico, enquanto também está prevista a divulgação de uma pesquisa do Instituto Indexa sobre a corrida para a Presidência da República nas eleições em outubro.
O que acompanhar no exterior
No exterior, a agenda tem poucos indicadores com capacidade de fazer preço no mercado. Nos Estados Unidos, sai o relatório de emprego da ADP, com o saldo semanal de vagas de trabalho no setor privado americano.
O dado mais aguardado, porém, sairá apenas na quinta-feira: o índice de preços ao consumidor (PCE) no mês de maio. O investidor acompanha de perto números de emprego e preços, tentando antecipar quais serão os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em relação aos juros.
A agenda americana ainda inclui leilão de Treasuries de dois anos e dados de massa monetária (M2), que serão reportados às 14h, além dos estoques semanais de petróleo divulgados pelo API, que podem influenciar o comportamento das commodities energéticas.
Também entram no radar indicadores regionais, como o índice de manufatura do Fed de Richmond, que aponta para maior fraqueza na atividade fabril, e os PMIs Industrial e Composto S&P Global.
Na Europa, a agenda desta terça-feira é marcada por uma bateria de indicadores de atividade e discursos de autoridades monetárias. Na França, Alemanha, Reino Unido divulgam seu PMI do setor de serviços, industrial e composto entre às 4h15 e 5h30.
Além dos dados, discursos de dirigentes do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra entram no radar dos investidores, com potencial para reforçar a leitura sobre o ritmo de desaceleração da atividade e os próximos passos da política monetária na região.
Na Ásia, o destaque do dia é o índice de preços ao consumidor (IPC) do Japão, que segue sendo acompanhado de perto por indicar a trajetória da inflação em uma economia que ainda depende de estímulos prolongados.
Na América Latina, o destaque é a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina no primeiro trimestre, com crescimento de 1,7% na comparação anual.
