Ata do Copom reforça cautela e limita espaço para cortes da Selic, diz economista da Lifetime

Na avaliação de Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23), reforça o desafio do Banco Central (BC) de combater uma inflação ainda resistente sem ignorar os efeitos defasados da política monetária.
Durante o Giro do Mercado (assista na íntegra abaixo), apresentado pela jornalista Giovana Leal, Kawauti afirmou que o documento trouxe um diagnóstico mais duro para a inflação, com piora dos dados correntes e das expectativas. A alta dos índices cheios e dos núcleos inflacionários aponta para um cenário ainda pouco favorável a cortes de juros.
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Kawauti afirmou que o Copom não vê um ambiente confortável para reduzir a Selic, mas mantém essa possibilidade ao reconhecer que os efeitos da política monetária ainda estão em curso.
Mercado segue sem clareza sobre ritmo de cortes
Para Kawauti, a principal mensagem da ata foi a manutenção de uma comunicação cautelosa. O Copom deixou aberta a possibilidade de cortes, mas não indicou uma trajetória definida para a Selic.
Segundo a economista, o mercado segue dividido entre três fatores: a inflação persistente e as expectativas acima da meta; os efeitos defasados da política monetária restritiva; e a tentativa do BC de evitar uma desancoragem adicional das expectativas.
A indicação de que o Banco Central seguirá acompanhando de perto as expectativas do mercado também aumenta a incerteza sobre os próximos passos da autoridade monetária.
Convergência da inflação fica mais distante
Kawauti avalia que a previsão de convergência da inflação para a meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028 indica um processo de desinflação mais lento.
Para ela, o adiamento do horizonte não é necessariamente negativo, desde que a convergência seja mantida. “Uma convergência mais tardia ainda é melhor do que um cenário de não convergência, que continua presente nas projeções de mercado”, afirmou.
As expectativas de inflação seguem acima da meta, próximas de 3,5% no longo prazo, indicando que a ancoragem ainda não está totalmente consolidada.
Cortes de juros devem ser graduais
Na avaliação da economista, o cenário atual limita o ritmo de redução da Selic. Entre os fatores de cautela estão o mercado de trabalho aquecido, o avanço real dos rendimentos, a política fiscal expansionista e as pressões externas sobre preços, especialmente de energia e alimentos.
Kawauti considera que o espaço para cortes adicionais é restrito, com possibilidade de reduções pequenas, de 0,25 ponto percentual, e até uma pausa caso os indicadores não apresentem melhora.
Próximos dados serão decisivos
A economista destaca três pontos que devem influenciar a trajetória dos juros:
- Cenário externo: tensões geopolíticas e comportamento das commodities podem afetar a inflação.
- Câmbio e fiscal: desempenho do real e evolução das discussões fiscais seguem no radar do mercado.
- Inflação doméstica: a dinâmica dos preços de serviços continua como um dos principais focos de atenção.
No cenário-base, Kawauti projeta a Selic em torno de 13,75% ao fim de 2026, com cortes limitados e condicionados à melhora do ambiente inflacionário.
Para a economista, a ata reforça que o espaço para flexibilização é limitado e que os próximos movimentos dependerão da evolução dos dados econômicos.
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*Sob supervisão de Kaype Abreu
