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Sacre Investimentos
Economia
07/10/2026
6 min

Ata: Fed sinaliza nova alta de juros até dezembro e vê pouco avanço contra a inflação

A maioria dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) considera que uma nova alta dos juros nos Estados Unidos provavelmente será adequada até o fim do ano, segundo a ata da reunião de setembro divulgada nesta quarta-feira (7). O documento mostra preocupação com a persistência da inflação, enquanto a economia segue crescendo em ritmo sólido e […]

Ata: Fed sinaliza nova alta de juros até dezembro e vê pouco avanço contra a inflação

A maioria dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) considera que uma nova alta dos juros nos Estados Unidosprovavelmente será adequada até o fim do ano, segundo a ata da reunião de setembro divulgada nesta quarta-feira (7).

O documento mostra preocupação com a persistência da inflação, enquanto a economia segue crescendo em ritmo sólido e os riscos para o emprego diminuíram.

“A maioria dos participantes avaliou que outro aumento da faixa-alvo da taxa dos fed funds provavelmente seria adequado até o fim do ano”, afirma a equipe na ata.

Na reunião de 15 e 16 de setembro, o banco central americano elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%, por unanimidade. Todos os participantes apoiaram o aumento, diante de uma inflação ainda elevada e de um mercado de trabalho considerado próximo do pleno emprego.

Sem compromisso e mente aberta

A sinalização de mais aperto, porém, não representa um compromisso com uma nova alta. Os dirigentes ressaltaram que as próximas decisões dependerão dos dados e de seus efeitos sobre as perspectivas econômicas e o balanço de riscos.

“Os participantes enfatizaram, entretanto, que abordavam cada reunião com a mente aberta”, registra o documento.

Juros ainda restringem pouco a economia?

Um dos pontos que ajudam a explicar a disposição para elevar novamente os juros é a avaliação de parte dos dirigentes de que a política monetária exerce pouca restrição sobre a atividade.

“Vários participantes afirmaram considerar que a taxa de juros vigente não era restritiva ou era apenas levemente restritiva”, diz a ata.

Dois participantes também informaram ter elevado suas estimativas para a taxa neutra – o nível de juros que não estimula nem freia a economia –, alterando sua avaliação sobre o patamar adequado para os juros americanos.

Mesmo com a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, muitos dirigentes consideraram que as condições financeiras continuavam favorecendo o crescimento. Entre os fatores citados estavam a valorização das ações, os spreads estreitos dos títulos corporativos e a disponibilidade de crédito.

Nesse cenário, muitos participantes defenderam uma trajetória mais elevada dos juros como proteção contra uma inflação mais persistente, seja por uma demanda acima do esperado, seja por novos choques de oferta. Outros consideraram mais aperto necessário com base em seus cenários mais prováveis para a economia.

Inflação persistente: energia e IA entram na conta

A ata também mostra insatisfação com o ritmo de redução da inflação.

“Os participantes observaram que a inflação permanecia elevada e que não haviam identificado progresso suficiente em sua redução nos últimos meses”, afirma o documento.

As preocupações abrangem tanto os serviços, excluída a habitação, quanto os bens que compõem o núcleo da inflação. Alguns dirigentes avaliaram que a inflação subjacente vinha se mantendo sem uma tendência clara de queda, acima da meta de 2%.

Além dos efeitos das tarifas de importação, o Fed destacou duas fontes de pressão: os preços da energia e a expansão dos investimentos em inteligência artificial.

Os acontecimentos geopolíticos elevaram os preços do petróleo e dos combustíveis, pressionando custos de transporte e insumos. Muitos participantes alertaram que a duração desse movimento pode determinar sua disseminação para outros preços.

“Quanto mais tempo os preços da energia permanecessem elevados, maior seria o risco de que aumentos de custos em determinados setores provocassem pressões mais amplas sobre os preços”, registra a ata.

Já a expansão da infraestrutura de IA tem impulsionado os investimentos empresariais e a demanda por equipamentos tecnológicos. Embora os dirigentes esperem ganhos de produtividade nos próximos anos, alguns veem riscos inflacionários no médio prazo.

“Alguns participantes comentaram que a expansão da infraestrutura de IA poderia fazer a demanda agregada superar a oferta agregada no médio prazo, pressionando a inflação para cima.”

Os relatos de empresas também reforçaram a preocupação. Muitos dirigentes citaram contatos e pesquisas empresariais que apontavam aumento das pressões de custos, enquanto alguns observaram maior capacidade de repassar esses aumentos aos consumidores.

Mercado de trabalho dá espaço para mais aperto

Do outro lado do mandato do Fed, o emprego passou a representar uma preocupação menor para os dirigentes.

A maioria dos participantes avaliou que o mercado de trabalho havia se fortalecido um pouco recentemente, com a criação de vagas superando modestamente o crescimento da força de trabalho. De modo geral, o mercado foi considerado próximo do máximo emprego.

“Quase todos os participantes avaliaram que, embora os riscos para a inflação estivessem inclinados para cima, os riscos para o mercado de trabalho haviam diminuído e estavam agora amplamente equilibrados”, afirma a ata.

Isso não significa que os dirigentes enxerguem uma pressão generalizada dos salários sobre os preços.

Alguns observaram que o crescimento agregado dos salários era moderado e compatível com a convergência da inflação para 2%, ou que o mercado de trabalho não era uma fonte de pressão inflacionária naquele momento.

Ainda assim, a combinação de atividade sólida e emprego estável sustentou o apoio unânime à alta de setembro.

Equipe técnica vê inflação na meta apenas em 2029

As projeções da equipe técnica do Fed também ficaram menos favoráveis para a inflação. As estimativas para 2026 a 2028 foram elevadas em relação às preparadas para a reunião de julho, enquanto as perspectivas para a atividade e o mercado de trabalho ficaram mais fortes.

A equipe prevê que a inflação recue à medida que os efeitos das tarifas, dos acontecimentos geopolíticos e da expansão da infraestrutura de IA percam força, mas alcance 2% apenas em 2029. Essa previsão é da equipe técnica e não representa, necessariamente, uma avaliação consensual dos dirigentes.

“Os riscos para a previsão de inflação eram considerados inclinados para cima, dada a possibilidade de que a inflação se mostrasse mais persistente do que a equipe antecipava”, diz o documento.

Alguns participantes também manifestaram preocupação com os efeitos de um período prolongado de inflação acima da meta sobre as expectativas e as decisões de salários e preços. As expectativas de médio e longo prazo, contudo, ainda eram consideradas compatíveis com o objetivo de 2%.

A próxima reunião do Fed está marcada para 27 e 28 de outubro.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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