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Sacre Investimentos
Economia
20/07/2026
3 min

Ataque ao Pix é 'guerra ao futuro' e deve fortalecer Lula, diz ganhador do Nobel

Ataque ao Pix é 'guerra ao futuro' e deve fortalecer Lula, diz ganhador do Nobel

O economista norte-americano e vencedor do Nobel de Economia, Paul Krugman, afirmou em texto divulgado nesta segunda-feira, 20, que o governo de Donald Trump cria uma "guerra contra o futuro" ao ter o Pix como alvo.

O autor se manifestou após o governo dos EUA confirmar a tarifa de 25% a exportações brasileiras, que começam a valer nesta quarta-feira, 22.

Na avaliação de Krugman, a iniciativa da Casa Branca não deverá alcançar os objetivos pretendidos. Segundo ele, a medida tende afortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e terá impacto econômico limitado.

"Usar tarifas para punir o Brasil por seus avanços monetários não dará certo. Politicamente, a medida apenas fortalecerá o presidente Lula", escreveu.

Krugman argumenta que oPix se consolidou como um dos sistemas de pagamento digital mais bem-sucedidos do mundo. Segundo ele, a ferramenta, gratuita para pessoas físicas e de baixo custo para empresas, é utilizada regularmente pela grande maioria dos brasileiros.

Críticas à justificativa dos Estados Unidos

No artigo, o economista afirma que o governo Trump pretendeenquadrar o Pix como uma prática comercial desleal com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para aplicar sanções comerciais.

Para Krugman, a justificativa não se sustenta. Ele argumenta que o Pix funciona como uma versão digital do real e compara a obrigação dos bancos brasileiros de oferecerem o sistema à exigência de que instituições financeiras americanas aceitem depósitos e saques em dólar.

O ganhador do Nobel também afirma que o principal impacto econômico do Pix foi aumentar a concorrência no setor de pagamentos, reduzindo espaço para empresas como Visa e Mastercard. Segundo ele, perder mercado para uma tecnologia mais eficiente não configura prática desleal.

Interesses econômicos e dólar digital

Krugman sustenta que a oposição ao Pix reflete interesses de grupos econômicos ligados ao sistema financeiro e ao mercado de criptomoedas. Segundo ele, um sistema público de moeda digital reduziria a atratividade de produtos privados, como stablecoins e outros ativos digitais.

O economista lembra que parlamentares republicanos aprovaram, no ano passado, um projeto para impedir não apenas a criação de um dólar digital, mas também estudos do Federal Reserve sobre o tema.

Para ele, o problema não está na tecnologia, mas na resistência de setores que poderiam perder espaço caso os Estados Unidos adotassem um sistema semelhante ao brasileiro.

Krugman afirma que oBrasil, sozinho, não representa uma ameaça relevante à posição internacional do dólar. Na avaliação dele, um desafio maior poderá surgir caso o Banco Central Europeu consiga implementar um euro digital, previsto para os próximos anos.

Segundo o economista, eventuais mudanças no sistema internacional de pagamentos ocorreriam porque outros países ofereceriam meios mais eficientes de realizar transações, e não por qualquer ação do Brasil.

Ao encerrar o texto, Krugman compara a postura do governo Trump em relação ao Pix à oposição da administração americana às energias renováveis. Para ele, ambos os casos refletem resistência a tecnologias consideradas superiores quando elas contrariam interesses econômicos ou ideológicos de grupos influentes.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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