Ataque na Polônia: o que se sabe sobre tiroteio que deixou 6 mortos
Atirador de 24 anos abriu fogo contra pedestres em praça turística de Cracóvia; polícia também investiga a morte dos pais e da irmã do suspeito

O ataque a tiros que deixou seis mortos e pelo menos 15 feridos em Cracóvia, na Polônia, no sábado, 7, passou a ser investigado como um crime de caráter terrorista. A Procuradoria Nacional polonesa anunciou a abertura da investigação neste domingo, 8, enquanto a polícia apura a possível ligação do suspeito com a morte de três familiares encontrados em sua residência.
O atirador, um polonês de 24 anos, invadiu a Praça do Mercado, um dos principais pontos turísticos de Cracóvia, com um carro e disparou indiscriminadamente contra pedestres. Ele fugiu do local, mas foi baleado por policiais e permanece internado em estado crítico.
Entre os mortos estão quatro mulheres e dois homens, com idades entre 32 e 61 anos. Quatro vítimas eram polonesas, uma era britânica e a sexta era uma mulher estrangeira cuja nacionalidade ainda não havia sido divulgada.
As autoridades também encontraram os corpos dos pais e da irmã do suspeito em uma residência em Ostrowiec Świętokrzyski. A Procuradoria investiga se os assassinatos foram cometidos pelo mesmo autor do ataque em Cracóvia.
Como aconteceu o ataque em Cracóvia?
O tiroteio começou por volta das 15h de sábado, 7, no horário local (11h em Brasília), quando um homem entrou de carro na Praça do Mercado e começou a atirar contra pessoas que estavam no local.
Segundo a polícia, o suspeito vestia roupas militares e portava uma arma longa. Ele teria agido sozinho e disparado contra os pedestres de maneira indiscriminada.
A primeira patrulha policial chegou à região em menos de dois minutos após os chamados de emergência. Cerca de três minutos depois do início da ocorrência, os agentes já intervinham, segundo o governador da província da Pequena Polônia, Krzysztof Jan Klęczar.
O suspeito tentou fugir de carro e foi baleado pelos policiais. Dois agentes ficaram gravemente feridos durante a operação.
O homem passou por várias cirurgias durante a noite e continuava em estado crítico neste domingo.
Quem são as vítimas do ataque na Polônia?
As seis pessoas mortas no tiroteio tinham entre 32 e 61 anos. Segundo as autoridades polonesas, quatro eram cidadãos da Polônia, uma era britânica e outra era estrangeira, ainda sem nacionalidade divulgada.
Entre as vítimas fatais está um britânico de 32 anos. A outra vítima estrangeira é uma mulher de 51 anos.
Os balanços divulgados pelas autoridades mencionam 15 pessoas feridas, além do suspeito. Em outra atualização, o governador contabilizou 16 feridos, incluindo o atirador.
Entre os atingidos há cidadãos de cinco países estrangeiros: Reino Unido, Portugal, Rússia, Alemanha e Áustria.
O governador informou que 14 feridos estavam em condição estável, um em estado grave e outro em estado crítico, este último o suspeito.
Dois policiais também ficaram gravemente feridos. Segundo as autoridades, um deles recuperou a consciência, enquanto o outro permanecia em coma induzido sob cuidados intensivos.
Quem é o suspeito do tiroteio?
O suspeito é um cidadão polonês de 24 anos, identificado pela imprensa local como Michal O. As autoridades ainda não divulgaram oficialmente sua identidade completa nem a motivação do ataque.
Segundo o ministro do Interior, Marcin Kierwiński, o jovem possuía autorização para portar armas e era "fascinado por ideologias de extrema direita".
De acordo com informações de investigadores citadas pela imprensa polonesa, ele não tinha antecedentes criminais e integrava um clube de tiro, do qual seu pai também participava.
A polícia encontrou outras armas de fogo no veículo utilizado no ataque. O carro foi inspecionado por equipes especializadas, que descartaram a presença de explosivos.
Apesar das informações sobre o interesse do suspeito por ideologias extremistas, as autoridades ainda não estabeleceram publicamente a motivação do crime.
O que se sabe sobre os três familiares encontrados mortos?
Após o tiroteio, investigadores localizaram três corpos na residência da família do suspeito, em Ostrowiec Świętokrzyski, a cerca de 110 quilômetros de Cracóvia, segundo uma das informações divulgadas pela Procuradoria.
A polícia confirmou que as vítimas eram o pai, de 53 anos, a mãe, de 52, e a irmã, de 21 anos.
Os corpos apresentavam ferimentos possivelmente provocados por disparos de arma de fogo. Durante as buscas na residência, os agentes apreenderam sete armas.
A Procuradoria Nacional abriu uma investigação paralela sobre as três mortes. Segundo o órgão, as provas reunidas até o momento indicam que os assassinatos dos familiares e o ataque em Cracóvia foram cometidos pela mesma pessoa.
As autoridades, porém, ainda não divulgaram uma conclusão definitiva sobre a autoria ou as circunstâncias das mortes.
Por que o ataque é investigado como terrorismo?
A Procuradoria Nacional da Polônia anunciou neste domingo a abertura de uma investigação por crime de caráter terrorista.
O procedimento abrange o assassinato das seis pessoas na Praça do Mercado e as tentativas de homicídio contra outras vítimas, incluindo policiais.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, também classificou o episódio como terrorismo.
A investigação considera as circunstâncias do ataque, incluindo os disparos indiscriminados contra civis. A polícia, no entanto, ainda não confirmou se o suspeito agiu motivado por uma ideologia específica ou se tinha ligação com alguma organização extremista.
Como está a situação em Cracóvia após o ataque?
A Praça do Mercado permanecia isolada neste domingo, enquanto policiais e peritos trabalhavam na coleta de provas.
Moradores e turistas se aproximaram da região para prestar homenagens às vítimas, deixando velas nas proximidades do local do tiroteio, segundo a AFP.
A operação mobilizou 1.146 policiais, além de 24 equipes do Corpo de Bombeiros, com 62 profissionais e socorristas.
Sete promotores participam da investigação, e a praça só deverá ser reaberta após a conclusão dos trabalhos periciais.
Cracóvia é a segunda cidade mais populosa da Polônia e um dos principais destinos turísticos do país. A cidade recebeu 16,5 milhões de visitantes no ano passado, segundo os dados citados pela AFP.
O ataque foi descrito pela agência como o mais grave tiroteio em massa registrado na Polônia desde a queda do comunismo.
*Com EFE e AFP
