Ataque russo a Kiev deixa 14 mortos antes da cúpula da Otan

A Rússia lançou nesta segunda-feira, 6, uma nova ofensiva com mísseis e drones contra áreas residenciais de Kiev, deixando ao menos 14 mortos e mais de 60 feridos, segundo o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky.
O ataque ocorreu um dia antes da abertura da cúpula da Otan, em Ancara, na Turquia, onde o conflito deve dominar as discussões entre os aliados.
Segundo Zelensky, as forças russas dispararam 68 mísseis e 351 drones durante a madrugada. A ofensiva aconteceu poucos dias após outro bombardeio contra Kiev deixar mais de 30 mortos, intensificando a pressão sobre os aliados ocidentais para ampliar o apoio militar à Ucrânia.
O ataque abriu uma grande cratera em um edifício residencial de vários andares na capital ucraniana, destruindo os pavimentos superiores. Durante a madrugada, jornalistas da AFP relataram mais de dez explosões enquanto a cidade estava sob alerta para mísseis balísticos.
O presidente ucraniano voltou a pedir o envio de sistemas de defesa aérea, especialmente mísseis interceptadores para as baterias Patriot, de fabricação americana.
"É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida", afirmou Zelensky nas redes sociais.
As autoridades de Vyshneve, subúrbio de Kiev, determinaram a retirada dos moradores devido ao risco provocado por munições não detonadas entre os escombros.
Rússia diz que atacou infraestrutura militar
Moradores do distrito de Podilski, no norte de Kiev, relataram momentos de desespero durante a ofensiva.
"Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes", contou Oleksandr Bakhlukov, de 68 anos. "Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento."
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que realizou um "ataque em larga escala" contra empresas do complexo militar-industrial ucraniano e instalações de energia em diversas regiões do país.
Autoridades ucranianas informaram que quase 30 edifícios residenciais foram atingidos em Kiev e que equipes de resgate continuavam trabalhando horas após o bombardeio.
Zelensky disse que a defesa aérea conseguiu interceptar drones e mísseis de cruzeiro, mas voltou a alertar para a escassez de mísseis capazes de neutralizar projéteis balísticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o novo ataque reforça a necessidade urgente de ampliar o apoio à defesa aérea da Ucrânia, tema que será discutido durante a reunião da Otan.
O Exército russo informou, por sua vez, que derrubou mais de 500 drones ucranianos durante a noite.
Crimeia fica sem energia após ataque
Na Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014, o governador nomeado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, informou que um ataque contra uma instalação de energia nas proximidades de Sebastopol provocou um apagão na região.
Também nesta terça-feira, Trump deverá se reunir com Zelensky durante a cúpula da Otan. Segundo um integrante do governo americano, os dois discutirão formas de encerrar a guerra iniciada pela invasão russa em fevereiro de 2022.
O presidente americano também tem prevista uma conversa com o presidente russo, Vladimir Putin, na tentativa de retomar as negociações por um acordo de paz.
Desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Rússia realiza ataques frequentes com mísseis e drones contra cidades ucranianas. O conflito é considerado o mais letal registrado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
*Com AFP
