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InvestMercados
01/10/2026
3 min

Até entre os ricos, a desigualdade cresce: 0,1% dos EUA dobra patrimônio desde 2019

Grupo acumula US$ 28 trilhões, impulsionado principalmente pela valorização de ações e fundos desde o fim de 2019

Até entre os ricos, a desigualdade cresce: 0,1% dos EUA dobra patrimônio desde 2019

As cerca de 137 mil famílias que formam o 0,1% mais rico dos Estados Unidos mais que dobraram seu patrimônio desde o fim de 2019. Com isso, passaram a se distanciar da maioria dos americanos e também do restante da elite econômica do país.

O grupo concentra hoje cerca de US$ 28 trilhões, ou 15% de toda a riqueza das famílias americanas. Os números são de dados do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, que vão até junho e foram analisados pelo The Wall Street Journal.

Dos US$ 14,5 trilhões acrescentados ao patrimônio do grupo no período, cerca de US$ 10 trilhões vieram da valorização de ações e fundos. Só esse ganho supera toda a riqueza da metade mais pobre da população, estimada em US$ 4 trilhões.

Bolsa é o principal motor.

O peso das ações na carteira explica a diferença. No ano encerrado em junho, quando o S&P 500 subiu 21%, o mercado acionário acrescentou quase US$ 4 trilhões ao patrimônio do grupo.

"A bolsa está disparando. "Quem tem mais dinheiro em ações se saiu muito bem", afirmou o economista Eric Zwick ao WSJ.

Parte desses investidores usa as ações como garantia para tomar empréstimos e financiar gastos sem vender os papéis. Outros consomem mais quando a bolsa sobe, fenômeno que economistas chamam de efeito riqueza.

O descolamento começou em 2020, primeiro ano da pandemia. Desde então, o restante dos 10% mais ricos ganhou US$ 38,2 trilhões, mas o valor foi dividido entre um número de famílias quase cem vezes maior.

Quanto é preciso ter para estar no 0,1%?

Em 2022, último dado detalhado do Fed, o piso era de US$ 45,8 milhões. Como a riqueza do grupo cresceu cerca de 50% desde então, o valor hoje é mais alto. A média por família passa de US$ 200 milhões.

Poucos vivem de salário. Zwick e Owen Zidar, da Universidade de Princeton, analisaram dados do Fed para o livro 'The Everywhere Millionaire'. Segundo o levantamento, 37% do grupo tira a maior parte da renda de negócios próprios, como redes de concessionárias, e 26%, de ganhos de capital. Só 10% dependem principalmente de salários.

Metade mais pobre tem 2,3% da riqueza

Em termos percentuais, a metade mais pobre foi o grupo que mais avançou desde 2019. A alta dos imóveis ajudou, assim como o auxílio pago na pandemia, que engordou contas bancárias e ajudou a quitar dívidas.

Ainda assim, esse grupo detém só 2,3% da riqueza do país, com média de cerca de US$ 63 mil por família. A família média do 0,1% tem mais de 3.000 vezes esse valor.

Para o WSJ, a concentração no topo virou tema político e ajudou a impulsionar socialistas democráticos como Zohran Mamdani, prefeito de Nova York.

AutorEstela Marconi
FonteExame
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