Atenção, investidor: R$ 260 bi voltam ao mercado nos próximos dias; onde realocar o prêmio do Tesouro IPCA+?
Investidores que têm dinheiro aplicado em duas séries de Tesouro IPCA+ vão receber de volta cerca de R$ 260 bilhões nos próximos dias, sendo R$ 11,57 bilhões para o investidor pessoa física. Os títulos, emitidos pelo Tesouro Nacional e corrigidos pela inflação, vencem no sábado (15), encerrando um ciclo de investimento que começou há cerca […]

Investidores que têm dinheiro aplicado em duas séries de Tesouro IPCA+ vão receber de volta cerca de R$ 260 bilhões nos próximos dias, sendo R$ 11,57 bilhões para o investidor pessoa física. Os títulos, emitidos pelo Tesouro Nacional e corrigidos pela inflação, vencem no sábado (15), encerrando um ciclo de investimento que começou há cerca de uma década.
Com o vencimento, o investidor recebe na segunda-feira (17) o valor principal aplicado acrescido da remuneração contratada, que inclui a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e uma taxa de juro real.
O movimento acontece em um momento em que arenda fixa ainda oferece retornos elevados. A taxa Selicestá em 14% ao ano, enquanto os títulos Tesouro IPCA+ negociados atualmente oferecem, dependendo do prazo, juros reais que chegam a mais de 8% ao ano, e negociando próximos da máxima histórica.
Vencimento pode mexer com as taxas
Vale lembra também que o grande volume de dinheiro que será liberado já deve voltar para os próprios títulos IPCA+, especialmente no caso de fundos que possuem regras de alocação e precisam manter exposição a ativos indexados à inflação.
Uma volta da demanda pode ajudar a pressionar as taxas dos títulos para baixo. Nos últimos meses, a falta de compradores levou os juros reais a níveis historicamente elevados e chamou a atenção do governo pelo impacto sobre o custo da dívida pública.
Ao mesmo tempo, a pessoa física ganhou espaço nesse mercado. Em junho, o Tesouro Direto registrou a maior venda líquida de sua história, em um movimento que mostra como os investidores individuais aproveitaram as taxas altas, enquanto outros participantes reduziram sua exposição aos papéis de inflação.
Agora, com o vencimento das NTN-B, parte desses recursos pode voltar para o mercado em busca de uma nova aplicação.
Tesouro IPCA+ valeu a pena?
Para quem carregou até o fim os títulos que vencem agora, o resultado foi expressivo.
Segundo levantamento do Inter Asset, os dois papéis acumularam retornos de 255,9% e 234,3%, respectivamente, desde 2016 até a primeira semana de agosto de 2026. No mesmo período, o CDI acumulou 164,2%.
A diferença ajuda a ilustrar uma das principais características do Tesouro IPCA+: a combinação entre proteção contra a inflação e uma taxa de juro real contratada no momento da compra.
Mas o investidor não passou dez anos sem sustos. Como os títulos são negociados diariamente, seus preços oscilam de acordo com as expectativas para os juros e com a percepção de risco do mercado. É a chamada marcação a mercado.
Assim, quem vende um Tesouro IPCA+ antes do vencimento pode ganhar ou perder dinheiro em relação ao valor inicialmente investido. Para quem mantém o papel até a data de vencimento, vale a remuneração estabelecida na compra, independentemente das oscilações ocorridas no meio do caminho.
Juros reais estão em nível raro
É justamente a possibilidade de contratar novamente uma taxa real elevada que chama a atenção para o momento atual.
Para Rafael Winalda, analista de renda fixa do Inter Asset, os juros reais oferecidos pelos títulos estão em um patamar pouco comum na história recente. “Esse patamar é raro: taxas reais acima de 7,5% ao ano foram observadas em 2015/16 e 2008”, afirma.
Segundo o analista, os títulos Tesouro IPCA+ vêm pagando atualmente entre 7% e mais de 8% ao ano acima da inflação, dependendo do vencimento.
Na avaliação de Winalda, o nível atual pode ser particularmente interessante para quem está recebendo os recursos de um título que venceu e precisa decidir onde colocar o dinheiro novamente. “É a combinação de proteção inflacionária com prêmio de juro real que faz esse tipo de título se destacar em horizontes longos”, diz.
A lógica é diferente daquela de buscar o investimento com a maior taxa nominal. Ao contratar um Tesouro IPCA+, o investidor garante uma rentabilidade real, que será preservada mesmo que a inflação continue elevada ao longo dos anos.
Onde reinvestir o dinheiro?
A resposta depende principalmente do prazo que o investidor pessoa física pode deixar o dinheiro aplicado.
Para quem tem objetivos de longo prazo, o Inter Asset vê espaço para voltar ao Tesouro IPCA+. Winalda cita como alternativas os vencimentos de 2032, 2040 e 2050, que permitem travar uma taxa real elevada por vários anos.
“Os vencimentos intermediários e longos do Tesouro IPCA+ oferecem a oportunidade de travar um prêmio de juro real acima da média histórica por muitos anos”, afirma.
É uma estratégia que pode fazer sentido para objetivos como aposentadoria ou formação de patrimônio, especialmente para quem não pretende precisar do dinheiro antes do vencimento.
Já para quem precisa de liquidez ou tem um horizonte mais curto, o Tesouro Selic aparece como uma alternativa. O título acompanha a taxa básica de juros e, por isso, pode ser mais adequado para a parcela da carteira que precisa estar disponível para resgates.
Há ainda a possibilidade de buscar crédito privado, que pode oferecer remuneração superior à dos títulos públicos e, em alguns casos, isenção de Imposto de Renda (IR). O retorno adicional, contudo, vem acompanhado de maior risco de crédito.
Para Winalda, portanto, a realocação dos recursos não precisa ser uma escolha de tudo ou nada. A decisão deve considerar o prazo, a necessidade de liquidez e o risco que cada investidor está disposto a assumir.
