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Sacre Investimentos
Future of MoneyFINCPTO
28/06/2026
3 min

Ativos digitais deixam de ser uma aposta tecnológica para se tornar uma classe de investimentos

Ativos digitais deixam de ser uma aposta tecnológica para se tornar uma classe de investimentos

Por Andrew Forson*

Muito se fala sobre o potencial dos ativos digitais, mas poucos percebem que a principal transformação do mercado já está acontecendo e não está relacionada ao próximo ciclo de alta do bitcoin nem ao surgimento de uma nova tecnologia. A mudança mais importante é que os ativos digitais deixaram de ocupar uma posição paralela no sistema financeiro e passaram a fazer parte da infraestrutura tradicional de investimentos.

Assim, no Brasil, os sinais dessa transformação são cada vez mais evidentes. Em junho, a B3 incluiu os criptoativos entre os produtos mais negociados da bolsa em sua campanha "Seleção dos Investidores 2026", ao lado de ações, fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) e fundos imobiliários. O movimento pode parecer simbólico, mas revela algo maior: ativos digitais já fazem parte da rotina de investimento de um número crescente de brasileiros.

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Tal mudança ocorre em um momento em que o mercado global também passa por uma forte institucionalização. Segundo levantamento da CoinDesk Research, os produtos listados em bolsa ligados a ativos digitais encerraram 2025 com aproximadamente US$ 184 bilhões sob gestão e chegaram a superar US$ 250 bilhões em patrimônio durante o pico recente do mercado. Cerca de 80% desse volume está concentrado nos Estados Unidos, reflexo da crescente participação de investidores institucionais na classe de ativos.

Os números ajudam a desmontar uma percepção que ainda persiste em parte do mercado. Durante muitos anos, ativos digitais foram associados exclusivamente à especulação e à atuação de investidores individuais. Hoje, a realidade é diferente. O crescimento da indústria está cada vez mais ligado ao avanço de produtos regulados, negociados em bolsa e acessados por meio das mesmas estruturas utilizadas para investir em ações, renda fixa ou fundos imobiliários.

O Brasil ocupa uma posição privilegiada nesse cenário. Enquanto parte do mundo ainda discute como incorporar ativos digitais ao mercado de capitais, investidores brasileiros já contam com um dos ambientes mais desenvolvidos para acessar essa classe de ativos por meio da bolsa. Isso ajuda a explicar por que o país se tornou uma das referências globais quando o assunto é inovação financeira ligada ao mercado cripto.

Naturalmente, volatilidade continuará fazendo parte dessa indústria. Mas o debate sobre ativos digitais em 2026 parece menos relacionado à sobrevivência da classe e mais ao seu papel dentro das carteiras de investimento.

A pergunta que dominou o mercado na última década era se os ativos digitais se tornariam relevantes para o sistema financeiro. Os dados mostram que essa resposta já foi dada. A questão agora é como investidores, gestores e instituições irão aproveitar essa integração cada vez maior entre o mercado tradicional e a economia digital.

*Andrew Forson é presidente da DeFi Technologies & Chief Growth Officer da Valour

AutorDa Redação
FonteExame
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