Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
BrasilACS
22/09/2026
4 min

Ausência de 2º turno para governador deve ter efeito limitado na eleição presidencial, diz estudo

Estudo do BTG Pactual com dados de seis eleições mostra que ausência de disputa estadual aumenta abstenção principalmente em municípios pequenos; impacto projetado para o eleitorado nacional fica próximo de zero

Ausência de 2º turno para governador deve ter efeito limitado na eleição presidencial, diz estudo

A ausência de segundo turno para governador em parte dos estados brasileiros deve ter impacto limitado sobre a participação na eleição presidencial de 2026, segundo um estudo do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A análise indica que, embora exista uma relação histórica entre a falta de disputa estadual e um aumento da abstenção presidencial, o efeito é concentrado em municípios pequenos e tem pouca influência quando considerado o peso real do eleitorado de cada estado.

O estudo analisou seis eleições presidenciais com segundo turno desde 2002 para medir se a ausência de uma disputa para governador altera o comparecimento no segundo turno presidencial. A hipótese avaliada é que uma eleição estadual adicional poderia funcionar como mecanismo de mobilização de eleitores.

Entre 2002 e 2022, estados sem segundo turno para governador tiveram, em média, um aumento de 1,1 ponto percentual maior na abstenção presidencial entre o primeiro e osegundo turno, quando comparados com estados que tiveram disputa estadual. Esse resultado considera o estado médio, atribuindo o mesmo peso a todas as unidades da federação.

Quando o cálculo é ponderado pelo tamanho do eleitorado de cada estado, o efeito diminui para 0,3 ponto percentual. Segundo o relatório, a diferença ocorre porque o impacto está concentrado em municípios menores, onde estruturas locais de mobilização têm maior influência sobre a presença dos eleitores nas urnas.

O efeito aparece principalmente em cidades pequenas

A análise por tamanho dos municípios mostra que a relação entre ausência de disputa para governador e maior abstenção presidencial está concentrada nas cidades com menor número de eleitores.

Nos municípios com até 10 mil eleitores, a ausência de segundo turno para governador esteve associada a um aumento de 1,31 ponto percentual na abstenção presidencial entre 2002 e 2022. Nas cidades entre 10 mil e 50 mil eleitores, o efeito estimado foi de 0,64 ponto percentual.

Já nos municípios entre 50 mil e 200 mil eleitores, o impacto caiu para 0,10 ponto percentual. Nas cidades com mais de 200 mil eleitores, o efeito foi de 0,04 ponto percentual, considerado próximo de zero pelo estudo.

Segundo o BTG, o padrão é compatível com uma mobilização eleitoral mais dependente de estruturas locais, como campanhas presenciais e redes de contato direto, que têm maior peso em municípios pequenos.

Impacto perdeu força nas eleições mais recentes

O estudo também mostra que a relação entre disputa estadual e comparecimento presidencial mudou ao longo do tempo. O efeito foi mais forte nas eleições de 2002, 2006 e 2010 e praticamente desapareceu nas três eleições mais recentes analisadas.

Entre 2002 e 2010, a ausência de segundo turno para governador esteve associada a um aumento de 2,08 pontos percentuais na abstenção presidencial no painel de estados. Quando o cálculo considera o peso do eleitorado, o efeito foi de 1,32 ponto percentual.

No período entre 2014 e 2022, a associação caiu para 0,42 ponto percentual no painel de estados e ficou em -0,19 ponto percentual quando ponderada pelo eleitorado.

O relatório ressalta que a divisão da amostra reduz a quantidade de eleições analisadas em cada período, mas aponta que a diferença entre as duas fases é significativa.

Simulação para 2026 aponta efeito nacional reduzido

Para 2026, o estudo considera um cenário em que 13 estados tendem a decidir a eleição para governador no primeiro turno. Entre eles estão São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Santa Catarina, Maranhão, Piauí, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Amapá e Roraima.

Outros sete estados aparecem como incertos e sete tendem a ter segundo turno para governador, como Minas Gerais, segundo a hipótese usada pelo estudo. O relatório afirma que esse cenário é baseado em pesquisas estaduais e pode mudar.

No cenário central da simulação, a ausência de segundo turno para governador aumentaria a abstenção presidencial nacional em 0,19 ponto percentual. No limite em que nenhum estado tivesse segundo turno para governador, o aumento estimado seria de 0,35 ponto percentual.

Os analistas concluem que o canal de mobilização estadual existe, mas seus efeitos atuais são pequenos.

AutorAndré Martins
FonteExame
Distribuído por