Aversão global ao risco derruba Ibovespa e leva dólar a ficar perto de R$ 5,15
Foi o 2° pregão consecutivo de baixa da bolsa, que recuou 0,91%, também diante da cautela dos investidores com crise no STF

O Ibovespa fechou em queda de 0,91% nesta segunda-feira, 14, aos 185.500,88 pontos, após oscilar entre 183.813,36 e 187.320,96 pontos. Foi o segundo pregão consecutivo de baixa, em uma sessão marcada pela pressão das bolsas de Nova York e pela cautela dos investidores diante dos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que podem ter reflexos na corrida ao Palácio do Planalto. O volume financeiro somou R$ 17,1 bilhões.
A queda ocorreu em uma semana decisiva para os mercados, com as atenções voltadas para as decisões de juros do Federal Reserve (Fed), banco central americano, e do Banco Central, na chamada super quarta.Entre as principais ações do índice, a Vale (VALE3) recuou 3,48%, mais que o dobro da queda do minério de ferro, que perdeu 1,60% no mercado internacional. A Petrobras também fechou em baixa, apesar da valorização do petróleo. Os papéis ordinários da Petrobras (PETR3) caíram 0,48%, enquanto os preferenciais (PETR4) recuaram 0,16%.
No setor financeiro, Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,65%, Bradesco (BBDC4) recuou 1,40%, Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 0,89%, Santander (SANB11) cedeu 0,82% e BTG Pactual (BPAC11) caiu 0,56%.Entre as maiores baixas do Ibovespa, CSN Mineração (CMIN3) recuou 6,85%, Usiminas (USIM5) perdeu 4,74% e CSN (CSNA3) caiu 4,65%. Também ficaram entre as maiores quedas Vamos (VAMO3) e Natura (NATU3).
Na ponta positiva, Totvs (TOTS3) avançou 4,34%, Hypera (HYPE3) subiu 3,38% e Copasa (CSMG3) ganhou 1,64%.
O dólar à vista fechou em alta de 0,43% ante o real, a R$ 5,147, após oscilar entre R$ 5,142 e R$ 5,182. A moeda americana acompanhou a valorização do dólar frente a outras divisas no exterior, em um ambiente de maior aversão ao risco provocado principalmente pela alta do petróleo e pela expectativa em torno da decisão de juros do Fed nesta semana.
Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a pressão sobre o câmbio esteve mais relacionada ao cenário externo, embora tenha sido acompanhada por um sentimento de cautela diante das decisões de política monetária desta semana.
“O ambiente externo mais avesso ao risco devido à alta nos preços do petróleo, que superou os 100 dólares do barril, traz uma preocupação adicional com o cenário inflacionário americano e global”, afirmou. Para a economista, esse quadro aumenta a percepção de que o Fed poderia voltar a subir os juros, o que fortalece o dólar globalmente.
Quartaroli também destacou a importância da super quarta, quando serão anunciadas as decisões do Fed e do Copom. Segundo a economista, a combinação das duas decisões ajuda a explicar a cautela dos investidores no mercado de câmbio.
Petróleo avança
No mercado de petróleo, os contratos futuros tiveram uma sessão volátil. No início dos negócios, os preços dispararam após o adiamento de uma reunião entre o Irã e países do Golfo Pérsico sobre rotas seguras de navegação comercial no Estreito de Ormuz. O encontro estava previsto para esta segunda-feira e ainda não havia nova data.
No meio da tarde, porém, uma fonte do Paquistão afirmou à agência ILNA que existe a possibilidade de os Estados Unidos avançarem para um acordo “gradual” com Teerã, o que reduziu a pressão sobre a commodity. O mercado, no entanto, continua preocupado com possíveis restrições à oferta após ataques ao oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, considerado estratégico.
No fechamento, o petróleo Brent para novembro subiu 1,02%, a US$ 105,68 por barril, na ICE, enquanto o WTI para outubro avançou 1,34%, a US$ 101,39 por barril, na Nymex.A alta do petróleo mantém no radar os riscos para a inflação global justamente antes das decisões de juros desta semana. Para os mercados, uma pressão maior sobre os preços pode dificultar o trabalho dos bancos centrais e alimentar a percepção de que o Fed terá menos espaço para cortar juros — ou poderá até considerar uma alta, dependendo da persistência do choque.
Bolsas em NY recuam
Em Nova York, os principais índices acionários também fecharam em baixa. O Dow Jones caiu 0,29%, aos 52.421,20 pontos, o S&P 500 recuou 0,48%, aos 7.619,98 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,56%, aos 26.186,41 pontos.A pressão sobre as bolsas americanas veio principalmente das empresas de tecnologia e das incertezas relacionadas ao ritmo de avanço da inteligência artificial. A cautela com o setor também contribuiu para o ambiente global de aversão ao risco, que acabou pressionando o Ibovespa ao longo do pregão.
