Aviões deixam Europa com metade da capacidade após novo controle de fronteiras

Uma nova medida de segurança em aeroportos da Europa resultou em filas de até cinco horas, passageiros aguardando do lado de fora e, inclusive, em alguns voos as aeronaves decolaram com metade da capacidade, segundo reportaram linhas aéreas e aeroportos à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Implementado gradualmente desde outubro do ano passado, o novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia passou a exigir que cidadãos de fora do bloco registrem impressões digitais e uma fotografia ao desembarcarem nos aeroportos de destino.
Todavia, a medida, concebida para reforçar a segurança e o monitoramento migratório, tem enfrentado dificuldades operacionais desde sua entrada em vigor.
A implantação foi marcada por falhas nos postos automatizados de controle, e o processo ineficiente levou à formação de longas filas nos aeroportos europeus, que têm enfrentado dificuldades para absorver o aumento do tempo de processamento dos passageiros.
Apelo da indústria
Avião Boeing 777, da Air France, em Guadalupe (Carla Bernhardt/AFP)
Em carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, as principais entidades que representam aeroportos e companhias aéreas pediram a "suspensão completa" das verificações do novo sistema "sempre que o volume de passageiros exceder a capacidade operacional das plataformas do controle de fronteiras".
O apelo reflete a preocupação do setor com a capacidade dos aeroportos de lidar com o aumento do fluxo de passageiros durante as férias de verão no continente, período em que milhões de viajantes adicionais passam pelos terminais europeus.
As associações, que incluem os grupos ACI Europe, Airlines 4 Europe e Iata, argumentam que, sem maior flexibilidade na aplicação dos controles, o sistema pode provocar gargalos operacionais, atrasos e um aumento significativo do tempo de espera nos aeroportos.
Isso agravaria as dificuldades já enfrentadas desde a implementação das novas regras de fronteira, e os problemas seriam exacerbados pela temporada de férias de verão no hemisfério norte, que resulta em um fluxo muito maior de passageiros.
“Alguns viajantes internacionais estão reconsiderando viagens à Europa devido à perspectiva de atrasos excessivos nas fronteiras”, afirmaram as associações do setor. “Isso está prejudicando a reputação da Europa, bem como o turismo e a conectividade europeus, em particular.”
Por sua vez, a Comissão Europeia afirmou que o impacto do novo sistema de entrada e saída, considerado por Bruxelas uma medida necessária para reforçar a segurança dos cidadãos, tem sido "limitado" na maioria dos aeroportos do bloco, embora tenha reconhecido a necessidade de apoiar alguns Estados-membros na implementação das novas regras.
As entidades que representam aeroportos e companhias aéreas, no entanto, defendem mudanças temporárias até que os terminais disponham de pessoal suficiente, os quiosques automatizados se tornem mais confiáveis e um aplicativo de pré-registro, cuja implementação sofreu atrasos, esteja plenamente operacional.Na carta, as associações alertaram que passageiros já foram obrigados a enfrentar longas filas fora dos terminais e em áreas expostas dos aeroportos porque os controles de fronteira não conseguem processar as chegadas com rapidez suficiente. Segundo o setor, o problema também afeta as companhias aéreas, que têm registrado aeronaves partindo com assentos vazios porque parte dos passageiros permanece retida nas filas de imigração.
Apesar das críticas, a Comissão Europeia reiterou na semana passada que o sistema está plenamente operacional em todos os países do Espaço Schengen — a zona de livre circulação para cidadãos europeus — e dispõe de mecanismos de flexibilidade para garantir a fluidez nas fronteiras.
Segundo um porta-voz do Executivo europeu, os longos tempos de espera, na maioria dos casos, decorrem de problemas preexistentes, como a escassez de funcionários, limitações de infraestrutura e a concentração de voos em determinados horários, e não do funcionamento do novo sistema de controle migratório.
