Axia (AXIA3): geração resiliente e tese de retorno ao acionista agradam (e analistas veem espaço para mais)
As ações da Axia Energia (AXIA3) figuram entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (6), após a companhia divulgar um balanço considerado consistente pelo mercado e reforçar sua estratégia de retorno ao acionista com o anúncio de mais R$ 3,7 bilhões em resgates da AXIA7. Por volta das 11h40, os papéis subiam 1,12%, cotados […]
As ações da Axia Energia (AXIA3) figuram entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (6), após a companhia divulgar um balanço considerado consistente pelo mercado e reforçar sua estratégia de retorno ao acionista com o anúncio de mais R$ 3,7 bilhões em resgates da AXIA7.
Por volta das 11h40, os papéis subiam 1,12%, cotados a R$ 54,31.
Na avaliação dos analistas, o trimestre mostrou que a companhia conseguiu preservar a rentabilidade mesmo em um período sazonalmente mais fraco para a geração hidrelétrica. O desempenho foi sustentado por melhores preços de energia, ganhos com modulação, melhora do GSF (Fator de Ajuste de Garantia Física) e pela estabilidade da operação de transmissão.
No período, a Axia registrou Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) recorrente ajustado de R$ 6,4 bilhões, alta de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a margem avançou de 58,8% para 64,2%, reforçando a resiliência operacional da companhia.
O time do Itaú BBA, liderado por Fillipe Andrade, afirma que a empresa entregou um trimestre “limpo”, com resultados que “não mudam a tese de investimento”.
Para o banco, a área de geração voltou a apresentar “forte contribuição de margem”, beneficiada pelos ganhos de modulação, enquanto a transmissão ficou “amplamente em linha com as expectativas”, sem surpresas relevantes. Na comparação com as projeções da casa, a receita líquida superou as estimativas em 0,5% e o Ebitda recorrente ajustado ficou 0,3% acima do esperado.
Os analistas também chamam atenção para o controle de custos. Segundo o Itaú, a companhia manteve o crescimento das despesas operacionais abaixo da inflação e continuou ajustando sua posição comercial.
Já a redução da posição comprada em energia para 2026, combinada ao aumento da exposição para 2027 e 2028, “reflete a visão da companhia de preços elevados de energia nos próximos anos”. Ainda assim, o banco ressalta que continuará acompanhando a dinâmica dos preços de energia, sobretudo diante dos possíveis efeitos do El Niño sobre o setor.
Outro destaque, na visão da instituição, foi o anúncio de até R$ 3,7 bilhões em distribuição de capital. O Itaú afirma que a remuneração ao acionista segue como “um importante pilar da tese” e acredita que o pagamento “deve ser muito bem recebido pelos investidores”.
A equipe do BTG Pactual, encabeçada por Antonio Junqueira, também avaliou que os números vieram melhores do que parte do mercado esperava.
O banco lembra que havia dúvidas sobre o tamanho da distribuição neste trimestre e preocupação com os impactos do El Niño sobre os preços da energia.
No fim, porém, o Ebitda ficou muito próximo da faixa esperada pelo mercado, entre R$ 6,4 bilhões e R$ 6,5 bilhões, enquanto o lucro líquido ajustado de R$ 1,68 bilhão ficou abaixo da projeção da casa, de R$ 1,84 bilhão, em razão de fatores acima da linha operacional. Para os analistas, o balanço foi “melhor do que o mercado temia”.
Mais do que os números, o BTG afirma que a remuneração ao acionista roubou a cena. A instituição destaca que a companhia já anunciou R$ 7,7 bilhões em resgates apenas no primeiro semestre e afirma que a Axia caminha para “um ano recorde de distribuição”.
Na visão do banco, a “forte geração de caixa continua” e não há razões para esperar que a companhia deixe de anunciar novas distribuições ao longo do restante de 2026.
O UBS, em relatório liderado por Giuliano Ajeje, também enxergou um trimestre em linha com as projeções, mas chamou atenção para a qualidade do operacional.
Segundo o banco, a margem de contribuição da geração avançou 17% na comparação anual, para R$ 3,7 bilhões, sustentada pela melhora do GSF, pelos preços mais elevados da energia no mercado livre e de curto prazo e pelos ganhos com modulação. Ao mesmo tempo, a contribuição da transmissão permaneceu praticamente estável, em cerca de R$ 4 bilhões, reforçando a consistência do segmento.
Os preços médios no ACL (Ambiente de Contratação Livre) avançaram 24% em um ano, enquanto a margem da comercialização de energia aumentou 52%, compensando a menor contribuição das térmicas. “A estratégia da companhia de manter uma parcela maior da energia descontratada voltou a se mostrar acertada”, afirmam os analistas.
Apesar de classificarem o trimestre como amplamente em linha com as expectativas, as casas seguem otimistas com a companhia. O BTG Pactual reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 74, afirmando que a combinação entre baixa alavancagem, forte geração de caixa e elevada distribuição de capital mantém uma “assimetria interessante” para a ação.
O UBS também manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 76, enquanto o Itaú BBA reiterou classificação outperform, embora com preço-alvo de R$ 50,30.
