Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
22/06/2026
6 min

Azzas dispara 11% e lidera Ibovespa após grupo avaliar venda da Farm Rio

Azzas dispara 11% e lidera Ibovespa após grupo avaliar venda da Farm Rio

As ações da Azzas 2154 (AZZA3) disparam nesta segunda-feira, 22, e lideram os ganhos do Ibovespa após a companhia confirmar que avalia alternativas estratégicas para a Farm Rio, a marca internacional da Farm que responde por cerca de um quarto da receita do grupo.

Por volta das 11h50, os papéis da companhia registravam alta de 8,37%, cotados a R$ 19,03, a maior alta do principal índice acionário da B3 que também avançava 0,98%, aos 169.975 pontos. No ponto mais alto do dia chegou a subir mais de 11%.

Na última sexta-feira, 19, a companhia informou ao mercado que contratou o Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à Farm Rio. Segundo apuração do NeoFeed, uma eventual transação poderia avaliar o ativo em cerca de US$ 1 bilhão.

No fato relevante, a empresa afirmou que o objetivo da iniciativa é "destravar valor" da marca, mas ressaltou que não existe, neste momento, qualquer decisão tomada, operação aprovada, estrutura definida ou proposta formal para uma eventual transação.

A notícia chamou atenção dos investidores porque a Farm Rio é considerada um dos ativos mais valiosos da Azzas. A marca responde por cerca de um quarto das receitas do grupo e se tornou uma das principais histórias de internacionalização da moda brasileira, com presença consolidada nos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e América Latina.

Em 2025, a Farm registrou receita próxima de R$ 3,4 bilhões. As operações internacionais já representam cerca de um terço das vendas da marca, sustentadas por uma rede de lojas próprias e parcerias com grandes varejistas internacionais.

A avaliação ocorre em meio ao processo de reorganização da Azzas, formado pela fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, e também em um momento de divergências públicas entre os controladores Alexandre Birman e Roberto Jatahy sobre os rumos da companhia.

Mercado vê potencial de destravamento de valor

Para os analistas da XP Investimentos, em relatório divulgado neste domingo, 21, a simples confirmação de que a companhia está avaliando alternativas para a Farm já tem potencial para direcionar a atenção dos investidores para o valor dos ativos da empresa. "A FarmRio combina fortes perspectivas de crescimento, brand equity distintivo e rentabilidade sólida, o que deve atrair interesse de players estratégicos e financeiros", escreveram os analistas.

A corretora destacou que a principal discussão passa pelo valuation da marca. A XP estima que a Farm poderia valer entre US$ 360 milhões e US$ 900 milhões, dependendo das premissas adotadas de crescimento, rentabilidade e múltiplos de mercado.

Na avaliação da casa, a Farm reúne características capazes de despertar interesse tanto de grupos globais de moda e lifestyle quanto de fundos de private equity. A corretora cita como potenciais interessados empresas com histórico de aquisições no setor e investidores especializados em consumo e varejo.

Os analistas também enxergam paralelos com o que ocorreu com a Natura durante o processo de venda de ativos como Aesop e The Body Shop. "Já vimos essa história antes com a Natura e esperamos que o desempenho da ação da AZZA seja cada vez mais direcionado por notícias incrementais sobre potenciais compradores e termos de valuation", afirmou a XP.

Os analistas disseram na acreditar, porém, que o mercado vá precificar integralmente uma transação antes de avanços concretos, mas avaliam que o fluxo de notícias pode evidenciar o desconto atual das ações da companhia.

BTG destaca assimetria entre valor da Farm e valor de mercado da Azzas

Na visão do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a revisão estratégica da Farm representa um importante catalisador para a tese de investimento. Os analistas observam que uma eventual avaliação próxima de US$ 1 bilhão equivaleria a cerca de R$ 5,1 bilhões, valor superior à capitalização de mercado atual da Azzas, estimada em aproximadamente R$ 3,6 bilhões, o que considera uma "assimetria".

"O próprio processo representa um reconhecimento significativo de que o valor da Farm pode não estar totalmente refletido na estrutura atual", escreveram os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.

O BTG também observa que a Farm é o principal motor de crescimento do grupo. Embora represente cerca de um quarto da receita consolidada, a marca tem apresentado expansão superior à média das demais unidades de negócio, preservando posicionamento premium e rentabilidade considerada saudável.

Para os analistas,a trajetória internacional da empresa é um dos diferenciais mais relevantes. A marca já ultrapassou R$ 1 bilhão em receitas internacionais e construiu uma presença relevante em mercados como Estados Unidos, França, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos.

Segundo o banco, caso uma transação seja concluída próxima da avaliação divulgada pela imprensa, o comprador estaria adquirindo uma plataforma global de moda em expansão por múltiplos semelhantes aos de empresas maduras do setor, e não de marcas internacionais de alto crescimento.

Citi vê caminho mais concreto para geração de valor

Já o Citibank classificou a confirmação da revisão estratégica como "uma luz mais clara no fim do túnel" para a companhia.

Segundo o banco, a reação positiva do mercado reflete o fato de que os investidores passaram a enxergar um caminho mais tangível para a realização de valor, em contraste com cenários anteriores de eventual cisão ou reorganização societária, que eram considerados mais teóricos.

"A empresa confirmou formalmente que contratou o Morgan Stanley para avaliar alternativas estratégicas para a Farm, com o objetivo explícito de liberar valor da marca", destacam os analistas.

O Citi ressalta, porém, que uma venda total é apenas uma das possibilidades em análise e que a companhia deixou claro que ainda não existe qualquer transação aprovada ou proposta vinculante.

Para o banco, a Farm é o ativo de maior qualidade e crescimento mais acelerado doportfólio da Azzas. A instituição destaca que a marca alcançou cerca de R$ 3,4 bilhões em receita em 2025 e registrou crescimento superior a 30% ao ano nos últimos cinco anos.

"Dado seu posicionamento premium e perfil de alto crescimento, acreditamos que a Farm representa um ativo estratégico atraente e um alvo de aquisição confiável para empresas globais", afirma o relatório.

Na avaliação do Citi, uma eventual venda para um comprador estratégico internacional poderia justificar múltiplos superiores aos utilizados em cenários de cisão, devido às potenciais sinergias, à escalabilidade da marca e às perspectivas de expansão global.

AutorClara Assunção
FonteExame
Distribuído por