B3 acionou circuit breaker na pré-abertura com Ibovespa indicando queda acima de 20%
Controladora da Bolsa de Valores do Brasil afirma que decisão foi tomada antes da abertura do mercado à vista para proteger investidores

RESUMO +
A B3, controladora da Bolsa de Valores do Brasil, anunciou o circuit breaker antes da abertura do mercado nesta segunda-feira, 26, porque o preço teórico do Ibovespa indicava queda superior a 20%. Segundo a B3, um novo circuit breaker ocorrerá se o índice registrar outra baixa de 20% ante o fechamento anterior.
A B3 afirmou na tarde desta segunda-feira, 26, que decidiu anunciar o acionamento do circuit breaker antes da abertura do mercado à vista porque o cenário de formação do preço teórico do Ibovespa indicava uma queda superior a 20%. Segundo a controladora da Bolsa de Valores do Brasil, a medida teve como objetivo proteger os participantes e investidores e preservar a integridade dos mercados.
Em nota enviada à EXAME às 14h32, a B3 também afirmou que um novo circuit breaker será acionado caso o Ibovespa registre outra oscilação negativa de 20% em relação ao fechamento do pregão anterior.
A manifestação ocorreu após questionamento da reportagem sobre a ausência de uma nova interrupção das negociações durante a sessão. Às 10h55, o Ibovespa recuava 16,35%, mas os negócios continuavam normalmente, apesar de as regras do mecanismo preverem uma nova suspensão caso a queda atingisse 15% após a retomada das negociações.
Às 14h43, o principal índice da bolsa brasileira caía 14,93%, aos 174.466,79 pontos."A decisão de divulgar o acionamento do circuit breaker antes da abertura do mercado à vista baseou-se na análise do cenário de formação do preço teórico do Ibovespa B3, que indicava a queda superior a 20%, com o objetivo de proteger os participantes e investidores e preservar a rigidez e a integridade dos mercados", afirmou a B3.
"Um novo circuit breaker será acionado caso ocorra uma nova oscilação de baixa de 20% em relação ao preço de fechamento do dia anterior", acrescentou.
Como funciona o circuit breaker
A B3 acionou ocircuit breaker logo no início do pregão desta segunda-feira, pela primeira vez desde março de 2020. A interrupção ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, 25, contrariar as expectativas de parte dos investidores e provocar uma forte reação negativa nos mercados.
O mecanismo funciona como um freio de emergência para conter movimentos extremos de preços. Na bolsa brasileira, os níveis de acionamento são definidos pela variação negativa do Ibovespa em relação ao fechamento do pregão anterior.
No primeiro estágio, uma queda de 10% interrompe as negociações por 30 minutos. Se, após a reabertura, o índice atingir uma perda de 15%, o pregão é suspenso novamente, desta vez por uma hora. No terceiro estágio, caso a queda alcance 20%, a B3 pode interromper os negócios pelo período que determinar.
Até esta segunda-feira, o terceiro estágio nunca havia sido acionado. O episódio mais próximo ocorreu em 12 de março de 2020, quando o Ibovespa passou pelos dois primeiros níveis de interrupção e encerrou o dia em queda de 14,78%.
A bolsa brasileira já havia acionado o mecanismo 23 vezes até esta segunda-feira, em episódios associados a crises internacionais, turbulências políticas e choques econômicos. O período mais recente de interrupções ocorreu em março de 2020, no início da pandemia de covid-19, quando a B3 acionou o *circuit breaker* seis vezes em dez dias.
