B3 lança Ibovespa da renda fixa para acompanhar retornos de títulos do Tesouro

Depois de consolidar índices como o Ibovespa na renda variável, a B3 amplia sua atuação na renda fixa com indicadores que permitem acompanhar separadamente títulos do Tesouro IPCA de curto, médio e longo prazo.
A bolsa anunciou nesta quinta-feira, 16, o lançamento de três novos índices de renda fixa — o Índice B3 Tesouro IPCA Prazo Médio 2 anos (IB3 TPCA-PM2), o Índice B3 Tesouro IPCA Prazo 5 anos (IB3 TPCA-P5) e o Índice B3 Tesouro IPCA Prazo 10 anos (IB3 TPCA-P10). Os indicadores servirão como referência para acompanhar o desempenho de carteiras de títulos públicos atrelados à inflação (NTN-Bs ou Tesouro IPCA+) com diferentes horizontes de investimento.
O lançamento faz parte de uma estratégia maior da B3 para expandir sua presença no mercado de índices. Hoje, a bolsa possui 58 índices, sendo 42 de renda variável e 16 de renda fixa, número que deve continuar crescendo.
"Nossa intenção é acelerar esse movimento. O pipeline está cheio de novas iniciativas. Queremos oferecer ao investidor índices que permitam primeiro entender o mercado, depois acompanhá-lo com mais detalhes e, por fim, investir por meio dos ETFs", afirmou Hênio Schmidt, gerente de Produtos da B3, durante apresentação à imprensa.
A iniciativa também marca um novo passo na parceria com a Nu Asset. Além de participar da construção da metodologia, a gestora lançará, nesta sexta-feira, 17, três ETFs que replicam os novos indicadores: NB0211, NB0511 e NB1011.
Um 'mapa' da curva de juros reais
Embora existam outros índices que acompanham títulos públicos indexados à inflação, como o IMA-B, da Anbima, a proposta da B3 é diferente.
Em vez de reunir NTN-Bs de vários vencimentos em um único indicador, cada novo índice acompanha um trecho específico da curva de juros reais.
Na prática, isso significa que o investidor poderá acompanhar separadamente o comportamento dos títulos com prazo próximo de dois, cinco ou 10 anos. "O grande diferencial é o prazo-alvo. O investidor sabe exatamente qual janela está comprando", disse Schmidt.
Para manter essa característica, cada índice é composto por cinco NTN-Bs. Um dos títulos funciona como "âncora" e responde por metade da carteira, enquanto outros quatro papéis com vencimentos próximos completam a composição. A carteira é rebalanceada trimestralmente para preservar a duração definida na metodologia.Duration constante: por que isso importa?
O principal conceito por trás dos novos índices é a chamada duration constante, ou prazo-alvo.
Quando um investidor compra um Tesouro IPCA diretamente, o título "envelhece". Um papel que hoje vence em cinco anos passará a ter quatro anos restantes daqui a um ano e, depois, três anos, alterando seu comportamento diante das oscilações dos juros.
Nos novos índices — e, consequentemente, nos ETFs — esse efeito é corrigido automaticamente. Conforme os títulos perdem prazo, a carteira é rebalanceada para manter a exposição próxima de dois, cinco ou 10 anos."Quando você compra uma NTN-B, o prazo vai diminuindo com o tempo. Ter uma duration fixa, uma duration-alvo, faz com que você tenha previsibilidade em relação ao comportamento desse título", afirmou Andrés Kikuchi, CEO e CIO da Nu Asset Management.
Segundo ele, essa estrutura também permite que o investidor saiba, desde o início, como aquele investimento tende a reagir às mudanças na curva de juros.
Comparação com o IMA-B
Durante a apresentação, os executivos fizeram questão de diferenciar os novos índices do IMA-B, referência tradicional para títulos públicos indexados ao IPCA.
Segundo Schmidt, enquanto o índice da Anbima reúne NTN-Bs de diferentes vencimentos, fazendo com que sua duration varie ao longo do tempo, os novos indicadores da B3 mantêm um prazo definido.
"[O IMA-B~] é um índice amplo. Não sabemos qual é a duration dele. A diferença entre esse sistema que a gente traz de três vértices é exatamente ter clareza sobre esse prazo", explicou.
Essa diferença também permite estimar com maior precisão como cada carteira tende a reagir às variações dos juros.
Duration significa mais risco — e também mais potencial de retorno
Outro conceito reforçado pelos executivos é que prazo e risco caminham juntos. Quanto maior a duration, maior tende a ser a oscilação dos preços quando os juros mudam.
Se as taxas dos Tesouros IPCA caem, os títulos mais longos costumam registrar os maiores ganhos. O contrário também ocorre quando os juros sobem. "Duration é risco, mas também é potencial de retorno", afirmou Kikuchi.
A Nu Asset também argumenta que o lançamento ocorre em um momento considerado atrativo para esse tipo de investimento. Segundo Kikuchi, os títulos públicos atrelados ao IPCA oferecem atualmente alguns dos maiores prêmios reais observados nos últimos anos. "Estamos em um dos maiores níveis de juros reais desde 2018", afirma Kikuchi.
Além da proteção contra a inflação, esses papéis pagam uma taxa fixa acima da variação do IPCA, característica que faz com que muitos especialistas os considerem um dos principais instrumentos de preservação do poder de compra no longo prazo. "Inflação é tributação silenciosa", comenta Kikuchi.
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ETFs x Tesouro Direto
E os novos índices já chegam ao mercado acompanhados de ETFs. A ideia da Nu Asset é que os três produtos funcionem como um sistema de alocação, permitindo que o investidor combine diferentes exposições sem precisar comprar diversos títulos públicos individualmente.
Segundo Kikuchi, um investidor que deseje uma exposição intermediária — equivalente, por exemplo, a oito anos — poderá combinar os ETFs de cinco e 10 anos para construir essa carteira. Na avaliação do executivo, isso elimina parte da complexidade enfrentada por quem investe diretamente em NTN-Bs.
"Muitas vezes o investidor se depara com uma sopa de letrinhas, com diversos títulos diferentes, sem saber como cada um deles vai se comportar. A ideia é trazer mais clareza para essa escolha."
Outro argumento apresentado pela gestora é que os ETFs podem oferecer ganhos de eficiência em relação à compra direta dos títulos.
Além do rebalanceamento automático da carteira, Kikuchi afirma que fatores como tributação, custos operacionais e necessidade de rolagem dos papéis favorecem os fundos de índice em estratégias de longo prazo.
"Os ETFs mostram um potencial dessas pequenas diferenças, quando falamos de custos e de eficiência na tributação, que aparece de forma bastante relevante ao longo do tempo do prazo de investimento", comenta.
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