Baixa vacinação após terremotos eleva risco de epidemias na Venezuela, diz OMS

Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o aumento do risco de surtos de doenças na Venezuela após osterremotos que atingiram o país no fim de junho.
A principal preocupação é a baixa cobertura vacinal, que pode favorecer a disseminação de enfermidades evitáveis, como o sarampo, especialmente nos abrigos que recebem desabrigados.
Segundo o diretor de Emergências da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Ciro Ugarte, a situação exige vigilância imediata porque a cobertura de imunização já era considerada insuficiente antes da tragédia.
"A cobertura de vacinação na Venezuela, especialmente contra o sarampo e outras doenças, já era baixa, por isso o risco de ocorrência de casos é elevado neste momento", afirmou durante entrevista virtual.
Além da baixa imunização, a OMS avalia que as dificuldades no abastecimento de água aumentam o risco de surtos nas áreas mais afetadas pelos terremotos. Segundo Ugarte, ainda há dificuldade para monitorar as condições sanitárias em todos os abrigos, tornando prioritária a análise da qualidade da água distribuída à população.
O especialista afirmou que uma das medidas consideradas é a realização de campanhas de vacinação direcionadas, principalmente em abrigos superlotados e nas regiões mais atingidas, além de ações para prevenir doenças transmitidas por mosquitos e outros vetores.
Hospitais operam com estrutura comprometida
A OPAS informou que conseguiu avaliar oito unidades de saúde após a tragédia. Todas necessitam de apoio, e três delas sofreram danos estruturais.
Entre os casos mais críticos está o Hospital José María Vargas, em Caracas. De acordo com o organismo, a unidade opera com 96 pacientes em uma ala projetada para apenas oito leitos e enfrenta níveis extremamente baixos em seu banco de sangue.
Em La Guaira, o Hospital Rafael Medina Jiménez reduziu sua capacidade de atendimento de 108 para 35 leitos. Outros 22 centros de saúde também relataram falta de recursos e dificuldades para manter os serviços.
*Com EFE
