Balança comercial do Brasil e EUA e leilão de títulos públicos: o que move os mercados
A política brasileira deve continuar sendo o principal fator de movimentação dos ativos locais

A agenda desta terça-feira, 6, é mais leve em indicadores econômicos, mas o mercado brasileiro ainda deve operar sob o impacto da forte reação dos investidores ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial.
Depois de o Ibovespa subir 7,70%, aos 206.911,89 pontos, e o dólar cair 4,12%, para R$ 5,001, o foco agora passa a ser saber se o movimento de forte apetite por risco terá continuidade e quais ativos ainda têm espaço para avançar.
O que acompanhar
No exterior, os investidores acompanham principalmente os dados de atividade da Europa e dos Estados Unidos, além dos leilões de títulos do Tesouro americano. No Brasil, a agenda inclui dados da balança comercial e um leilão de títulos públicos.
Às 6h, o Eurostat divulga os dados de vendas no varejo da zona do euro referentes a agosto. Em julho, as vendas recuaram 0,6% na comparação mensal, mas acumulavam alta de 0,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O dado ajuda a medir a força do consumo na região e será acompanhado pelos investidores em um momento em que os mercados globais seguem atentos ao ritmo da atividade econômica.
Nos Estados Unidos, às 9h30, sai a balança comercial de agosto, divulgada pelo Bureau of Economic Analysis (BEA). Em julho, o déficit comercial americano foi de US$ 88,6 bilhões. O número entra no radar dos investidores em meio ao acompanhamento dos efeitos da política comercial americana sobre o fluxo de importações e exportações.
No Brasil, às 11h30, o Tesouro realiza leilão de LFTs e NTN-Bs. A operação será acompanhada pelo mercado de juros, especialmente depois da forte mudança de preços dos ativos brasileiros na sessão anterior.
Às 15h, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulga a balança comercial semanal de setembro. Em agosto, o saldo comercial foi positivo em US$ 7,4 bilhões.
Os dados terão como pano de fundo a reação dos mercados ao resultado eleitoral. Na véspera, o Ibovespa bateu recordes de máxima intradia e de fechamento, enquantoo dólar teve a maior queda diária em oito anos.
A leitura dos investidores foi de que a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno aumentou as apostas em uma eventual alternância de poder em 2027, com possíveis efeitos sobre a percepção de risco fiscal e a agenda de reformas.
Às 14h, o Tesouro americano realiza um leilão de T-notes de três anos. A demanda pelos títulos será observada pelo mercado em um momento de atenção aos juros americanos e ao comportamento da renda fixa global.
Mais tarde, às 20h, a presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan, discursa em um evento. Qualquer sinalização sobre a condução da política monetária americana pode mexer com as expectativas para os juros dos Estados Unidos e, por consequência, com o dólar e os ativos de risco.
Eleição continua no radar
Apesar da agenda econômica relativamente tranquila, a política brasileira deve continuar sendo o principal fator de movimentação dos ativos locais.
Flávio Bolsonaroterminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A vantagem de cerca de dois pontos percentuais surpreendeu parte dos cenários traçados antes da votação e foi interpretada pelo mercado como um sinal favorável à possibilidade de mudança de governo.
A direção nacional do PP se reúne nesta terça-feira para discutir o posicionamento da legenda no segundo turno. O movimento será acompanhado pelos investidores, que devem continuar monitorando as alianças e declarações dos partidos e candidatos em busca de sinais sobre a disputa.
No Banco Central, Gabriel Galípolo tem despachos internos pela manhã e participa, à noite, de uma solenidade promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). À tarde, ele se reúne com representantes da Secretaria Nacional do Consumidor para tratar de assuntos institucionais.