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Sacre Investimentos
Economia
06/11/2026
4 min

Balança comercial tem maior superávit para outubro desde 1989, com alta das exportações

Venda para os Estados Unidos teve alta de 11,4%, mesmo com a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros

Balança comercial tem maior superávit para outubro desde 1989, com alta das exportações

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,32 bilhões em outubro, o maior saldo para o mês desde o início da série histórica, em 1989. O resultado, divulgado nesta sexta-feira, 6, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostra um avanço de 39,4% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado foi impulsionado pelocrescimento das exportações, que somaram US$ 31,51 bilhões, alta de 20% na comparação anual. As importações também avançaram, mas em ritmo menor: chegaram a US$ 24,82 bilhões, aumento de 14,8%. Com isso, a corrente de comércio, que reúne exportações e importações, atingiu US$ 56,33 bilhões, recorde para meses de outubro.

Petróleo lidera avanço das exportações

A indústria extrativa foi o principal destaque das vendas brasileiras ao exterior. O setor exportou US$ 11,52 bilhões, crescimento de 53,5% em relação a outubro do ano passado. Na indústria de transformação, as vendas somaram US$ 18,38 bilhões, alta de 7,7%. Já a agropecuária registrou US$ 7,63 bilhões em exportações, avanço de 12,8%.

Entre os produtos, o petróleo bruto teve aumento de 122,6% nas vendas externas. O resultado refletiu tanto o crescimento da produção quanto a valorização de 36,7% nos preços médios, após o agravamento da guerra no Oriente Médio.

Também se destacaram os minérios de metais e concentrados, com alta de 900,6%, e os combustíveis, cujas exportações cresceram 164,5%. Na agropecuária, as vendas de animais vivos, exceto pescados, avançaram 212,1%, enquanto as de soja subiram 8,9%.

Vendas aos EUA crescem apesar de tarifas

As exportações brasileiras avançaram para a maior parte dos principais mercados em outubro. Para osEstados Unidos, o crescimento foi de 11,4%, mesmo com a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

O avanço ocorreu após negociações que resultaram na exclusão de produtos de aviação e itens como carne e suco de laranja do tarifaço. Com o desempenho de outubro, as vendas brasileiras aos americanos passaram a acumular alta de 0,2% em 2026.

Na direção contrária, as exportações para a China recuaram 5,3%, movimento atribuído ao fim da cota para as vendas de carnes.

A Europa foi outro destaque, com crescimento de 35,8% nas compras de produtos brasileiros, que somaram US$ 7,76 bilhões. Segundo os dados do Mdic, o acordo entre Mercosul e União Europeia tem contribuído para ampliar as vendas ao bloco, especialmente de alimentos.

Importações de combustíveis avançam

Do lado das importações,o principal impacto veio dos combustíveis. As compras dessa categoria somaram US$ 4,5 bilhões, alta de 86,8% na comparação anual, impulsionada pela elevação de 84,2% nos preços.

As importações de bens de consumo cresceram 25,9%, para US$ 5,1 bilhões. Já as compras de bens intermediários avançaram 2,7%, totalizando US$ 15,2 bilhões. No caso dos bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos, a alta foi de 4%, para US$ 3,7 bilhões.

Segundo os dados divulgados, os juros elevados e a desaceleração da economia têm reduzido o ritmo dos investimentos industriais, o que afeta a demanda por máquinas.

Saldo comercial acumula US$ 71 bilhões em 2026

Entre janeiro e outubro,a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 71,04 bilhões. No período, as exportações totalizaram US$ 321,88 bilhões, crescimento de 11,2%, enquanto as importações chegaram a US$ 250,84 bilhões, alta de 6,1%.

Em outubro, o Mdic reduziu sua estimativa para o superávit comercial de 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. A projeção para as exportações caiu de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. Para as importações, a expectativa passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.

Se confirmada, a estimativa de saldo representará o segundo maior resultado anual desde 1989, atrás apenas do registrado em 2023, de US$ 98,8 bilhões.

A projeção do governo é mais otimista que a do mercado financeiro. No boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas estimam superávit comercial de US$ 79,9 bilhões para este ano.

(Com Agência Brasil)

AutorNaty Falla
FonteExame
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