Balanço da Nvidia afasta temor de desaceleração da IA, dizem bancos
Lucro e receita superaram as projeções, enquanto a Nvidia prevê crescimento de 70% da receita no ano fiscal de 2028, acima do consenso de 44%

A Nvidia (NVDA) ganhou força em Nasdaq nesta quinta-feira, 27, após apresentar resultados acima das expectativas e indicar que o ritmo de expansão dos negócios de inteligência artificial (IA) deve continuar elevado. As ações da fabricante de chips para IA subiam 7,65%, a US$ 225,57, às 12h40, depois de avançarem mais de 7% no pré-mercado.
O movimento reflete a leitura de analistas de que o balanço ajudou a afastar, ao menos por enquanto, os temores de que o ciclo de investimentos em IA esteja perto de perder força.
A Nvidia registrou lucro ajustado de US$ 2,22 por ação no segundo trimestre fiscal, acima dos US$ 2,10 esperados pelo mercado. A receita chegou a US$ 96,22 bilhões, também acima dos US$ 92,17 bilhões projetados pelos analistas.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo negócio de data centers. A receita da divisão alcançou US$ 89 bilhões, alta de 117% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o próximo trimestre, a Nvidia projetou receita de US$ 108 bilhões, com margem de variação de 2% para cima ou para baixo, acima dos US$ 104,2 bilhões esperados pelo mercado.
Para o Itaú BBA, o principal destaque do balanço foi justamente a visibilidade maior sobre a continuidade desse crescimento. “Mais um trimestre de aceleração da receita (+106% em relação ao ano anterior), mas os principais destaques foram: maior visibilidade do crescimento futuro da receita”, afirmou o banco em relatório.A Nvidia espera que a receita cresça cerca de 70% no ano fiscal de 2028, ritmo significativamente superior aos 44% previstos anteriormente pelo consenso. Para o Safra, a indicação reforça que a demanda por infraestrutura de IA continua forte e que, neste momento, o principal limite para a expansão é a capacidade de oferta.
“A demanda agregada dos clientes sustentaria um crescimento mais próximo de cerca de 100% se houvesse oferta disponível, o que torna a capacidade o principal fator limitante da receita”, afirmou o Safra.
A avaliação ajuda a explicar a reação positiva dos investidores. Em vez de apontar para uma desaceleração da procura por chips, as projeções da Nvidia indicam que a demanda continua superando a capacidade disponível. A própria companhia afirmou que sua projeção de crescimento para 2028 já considera restrições de oferta.
Meta de crescimento estabelece "piso elevado", dizem bancos
O Itaú também destacou esse ponto ao avaliar que a meta de crescimento de 70% para 2028 estabelece um “piso elevado” para a expansão da companhia. Segundo o banco, as preocupações com um eventual pico do ciclo e dos lucros são um dos principais riscos para as empresas de semicondutores, e a maior visibilidade oferecida pela Nvidia pode favorecer uma reavaliação das expectativas para o setor.
A expansão também começa a alcançar uma base maior de clientes. No trimestre, a receita da Nvidia com clientes que não são grandes provedores de nuvem cresceu 138% em relação ao ano anterior, segundo os dados destacados pelo Itaú e pelo Safra. Apenas um cliente respondeu por mais de 10% da receita da companhia no período, representando 16%.
Outro sinal de que as empresas continuam ampliando os investimentos em infraestrutura de IA veio da Amazon Web Services, que vai comprar 2 milhões de GPUs da Nvidia e utilizar também o novo processador Vera. Segundo a Nvidia, os investimentos de capital das cinco maiores empresas de computação em nuvem devem chegar a US$ 1,3 trilhão no próximo ano.
Memória limita margens
Apesar da força da demanda, o balanço também mostrou que a expansão da infraestrutura de IA traz custos adicionais para a Nvidia. A alta dos preços de memória deve pressionar as margens da companhia nos próximos trimestres.
A Nvidia espera que a margem bruta atinja seu ponto mais baixo no quarto trimestre do ano fiscal de 2027, entre 71% e 72%, ante 75% no segundo trimestre. Depois, a expectativa é de estabilização entre 72% e 73% no ano fiscal de 2028.
Para o Safra, porém, a pressão sobre as margens não altera a leitura positiva sobre os resultados. "Os custos mais elevados de memória reduzem a trajetória das margens para o ano fiscal de 2028, mas a receita mais robusta deve mais do que compensar a pressão sobre os lucros absolutos", afirmou o banco.
O Itaú também aponta os custos de memória como um dos principais pontos a monitorar, ao lado dos compromissos assumidos com fornecedores e das garantias financeiras relacionadas a projetos de infraestrutura de IA.
