Balanço orçamentário do Brasil e inflação na Europa: o que move os mercados
Na agenda também está a a decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ)

Os investidores iniciam esta sexta-feira, 31, de olho em uma agenda carregada de indicadores econômicos no Brasil e no exterior, depois de um pregão marcado pela volta do apetite por risco nos mercados globais.
As atenções se concentram principalmente nos dados de inflação da Zona do Euro, nas estatísticas fiscais brasileiras e nos indicadores de confiança e expectativas de inflação dos Estados Unidos, que podem ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos da política monetária das principais economias do mundo.
O que acompanhar
O dia começa ainda durante a madrugada com a decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ), que será acompanhada de perto pelos investidores após rumores de uma possível intervenção das autoridades japonesas no mercado de câmbio para conter a desvalorização do iene.
Na Europa, o destaque fica para a divulgação da prévia da inflação ao consumidor (CPI) da Zona do Euro, às 6h (horário de Brasília). Em junho, o índice registrou queda de 0,1% na comparação mensal e alta de 2,8% em 12 meses.
Para julho, a expectativa do mercado é de aceleração da inflação anual para 2,9%. No mesmo horário também será divulgado o núcleo do CPI, que exclui os preços de alimentos e energia e deve permanecer em 2,4% na comparação anual.
A agenda europeia ainda inclui as prévias da inflação da França e da Itália, indicadores que ajudam a compor o cenário de preços na região e podem influenciar as perspectivas para a política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
No Brasil, o foco estará concentrado nas contas públicas. Às 8h30, o Banco Central divulga o resultado primário do setor público consolidado referente a junho, além das Estatísticas Fiscais.
Na divulgação anterior, o setor público registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões, enquanto a dívida líquida correspondeu a 67,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e a dívida bruta atingiu 81,1% do PIB.
No mesmo horário, o Ministério da Fazenda publica os dados do balanço orçamentário. Em maio, o resultado foi deficitário em R$ 163,7 bilhões.
Ainda pela manhã, às 9h, o IBGE divulga o Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação dos preços na indústria antes de os produtos chegarem ao consumidor. Na leitura anterior, o indicador registrou queda de 0,30%.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham uma série de indicadores que podem fornecer novas pistas sobre a economia americana após a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), anunciada nesta semana. Às 9h30, será divulgado o Índice de Custo do Emprego referente ao segundo trimestre.
Mais tarde, às 10h45, sai o PMI industrial de Chicago. Já às 11h, a Universidade de Michigan publica os dados finais de confiança do consumidor e das expectativas de inflação. O mercado espera que a expectativa de inflação para um ano recue de 4,6% para 4,2%, enquanto a confiança do consumidor deve permanecer próxima ao nível observado na divulgação anterior.
No campo político, também entram no radar novas pesquisas eleitorais. Estão previstas divulgações da Vox sobre a sucessão presidencial, do Instituto Paraná para a eleição ao governo do Rio de Janeiro e levantamentos da Real Time Big Data e do Datafolha sobre a disputa pelo governo de Pernambuco.
Volta do apetite global
Os mercados chegam a esta sexta-feira após uma sessão de forte recuperação dos ativos de risco. Na véspera, o Ibovespa avançou 1,88%, aos 177.158,86 pontos, encerrando o pregão na máxima do dia.
Em Wall Street, os principais índices também registraram fortes ganhos. O Dow Jones avançou 1,19%, enquanto o S&P 500 subiu 1,66% e o Nasdaq disparou 2,78%, em um movimento liderado pelas empresas de tecnologia.
Já no mercado de commodities, o petróleo devolveu parte da forte alta da sessão anterior. Os investidores voltaram as atenções para a reunião da Opep+, marcada para domingo, quando o grupo poderá anunciar um aumento da produção para setembro. Ao fim do pregão, o Brent recuou 1,88%, para US$ 89,03 por barril, enquanto o WTI caiu 1,03%, para US$ 83,59.
