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InvestMercados
10/08/2026
5 min

Balanços de tecnologia mudam apostas em IA, e uma ação ficou barata em NY

Palantir surpreende após chegar ao balanço com ações em queda de 29% no ano, segundo a Barron's

Balanços de tecnologia mudam apostas em IA, e uma ação ficou barata em NY

Se uma imagem resume a temporada de resultados do setor de tecnologia na primeira semana de agosto, é a virada de Palantir Technologies. A empresa divulgou balanço com as ações acumulando queda de 29% no ano até sob a percepção de que poderia ser uma das vítimas da disrupção provocada pela inteligência artificial (IA).

Só que bastou um resultado forte para reverter essa narrativa por completo, e o mercado reagiu na mesma hora, elevando o papel em 29% no pregão seguinte aos resultados, no dia 4, e reduzindo a perda acumulada em 2026 para apenas 2,47%. Os papéis (PLTR) fecharam o último pregão em alta de 10,32% em Nova York.

Palantir supera projeções pelo 12º trimestre

Os números ajudam a explicar a reação do mercado. Foi o 12º trimestre consecutivo em que a Palantir superou as projeções de receita do mercado e o 13º seguido de aceleração no crescimento das vendas, que já chega a 93% na comparação anual. As informações são da Barron's.

Nos últimos 12 meses, mais da metade da receita da companhia se converteu em geração de caixa livre. O indicador reforça a tese defendida por analistas de que o software da Palantir ocupa uma posição estratégica entre os dados proprietários das empresas e os modelos de IA que os processam.

Atlassian repete a dose, AppLovin sofre revés

A mesma lógica de superar expectativas e ser recompensado se repetiu dias depois com a Atlassian, companhia de software que também vinha sob pressão. Ao apresentar vendas e lucro acima do esperado, além de projeções igualmente otimistas, a empresa viu suas ações (TEAM) dispararem 35% na sexta-feira, 7.

Do outro lado dessa moeda está a AppLovin, plataforma de publicidade digital que por muito tempo foi queridinha dos analistas graças ao crescimento acelerado da receita e às margens de lucro elevadas, mesmo para os padrões do setor de software.

A companhia reportou seu quarto trimestre seguido de desaceleração no crescimento, com margem de lucro oscilando para baixo e projeção de nova queda no trimestre atual. Praticamente todos os indicadores vieram levemente abaixo do esperado, reforçando a tese pessimista que já rondava o papel havia meses.

A reação de Wall Street foi intensa depois do balanço, com 16 casas de análise publicando novos relatórios sobre a companhia, e 15 delas reduziram o preço-alvo das ações, em uma média de US$ 127, para US$ 554. Ainda assim, apenas duas dessas casas rebaixaram a recomendação de "compra".

Apesar do cenário de desaceleração, a AppLovin desperta interesse depois da forte queda, conforme a Barron's. O mercado ainda projeta crescimento de vendas de cerca de 30% em 2027 e 2028, com margem operacional ajustada em torno de 80%.

Datadog decepciona apesar de solidez

Outra queridinha do mercado que sentiu o golpe da última semana foi a Datadog, uma das poucas empresas de software vistas como vencedora da onda de IA. As suas ações já haviam mais do que dobrado no ano, antes do balanço, negociadas a um múltiplo de preço sobre lucro projetado para os próximos 12 meses acima de 100 vezes.

O resultado em si veio forte, mas a projeção para o restante do ano indicou desaceleração no crescimento. A empresa admitiu que seu maior cliente, uma companhia de IA que analistas acreditam ser a OpenAI, está reduzindo o uso da plataforma, mesmo tendo assinado recentemente um novo contrato de longo prazo.

Medo ainda ronda fabricantes de chips

No setor de armazenamento de dados, os resultados de Sandisk e de sua ex-controladora Western Digital mostraram como o ceticismo histórico dos investidores em relação a ações cíclicas continua vivo, mesmo em meio ao boom de investimentos em IA.

As duas companhias, cujos produtos são essenciais para data centers e, portanto, diretamente beneficiadas pelos centenas de bilhões de dólares em gastos de capital do setor de IA, divulgaram balanços acima do esperado, mas com projeções que assustaram o mercado.

As vendas da Sandisk cresceram 372% na comparação com o ano anterior e a margem bruta avançou 58 pontos percentuais, para perto de 85%.

A Western Digital entregou uma versão mais modesta do mesmo movimento de crescimento em vendas e margens. O problema, porém, esteve nas projeções futuras, com a Sandisk decepcionando totalmente as expectativas do mercado, segundo a Barron's.

As ações de ambas as companhias vinham de forte alta nos pregões anteriores aos balanços. Nos cinco dias que antecederam a divulgação, a Sandisk subiu 33% e a Western Digital, 12%, o que amplificou a reação negativa. No dia seguinte ao resultado, a Sandisk recuou 7% e a Western Digital, 13%.

AMD subiu antes e caiu depois do balanço

Um caso parecido ocorreu com a Advanced Micro Devices (AMD). As ações da fabricante de chips haviam subido 21% nos quatro pregões anteriores ao balanço. O resultado não teve nada de errado, com pequenas superações em receita, lucro e margens, além de projeções na mesma linha positiva para o trimestre atual.

Todavia, o o papel caiu 7% no dia seguinte. A aceleração mais significativa no crescimento de receita da AMD só é esperada para o quarto trimestre, quando as remessas dos novos servidores de IA da linha Helios devem começar a crescer para grandes clientes como Meta e OpenAI.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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