Balneário Camboriú terá torre com 157 metros e apenas 78 apartamentos
FG Empreendimentos lança o North Tower, na Barra Norte, com VGV estimado em R$ 365 milhões e foco no mercado residencial de alto padrão

A FG Empreendimentos escolheu a Barra Norte de Balneário Camboriú para colocar no mercado mais uma torre de alto padrão. Com 157 metros de altura, 49 pavimentos e apenas 78 unidades residenciais, o North Tower terá VGV estimado em R$ 365 milhões e chega em um momento no qual a construtora tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma operação cada vez maior e mais diversificada.
Entre 2017 e 2025, a companhia multiplicou por dez o volume de vendas. No ano passado, registrou R$ 1,36 bilhão de receita líquida, avanço de 20% na comparação com 2024, enquanto o VGV comercializado cresceu 10%.
O ritmo continuou neste ano. No primeiro quadrimestre de 2026, as vendas avançaram 36% e a companhia calcula ter alcançado 68% de participação em seu mercado de atuação.
O crescimento aparece também nos canteiros. A FG mantém atualmente 16 megaempreendimentos simultâneos, entre pré-obra e construção, que envolvem cerca de 1,2 milhão de metros quadrados. É uma área que a empresa compara a aproximadamente 210 campos de futebol ou a mais de 20 grandes shopping centers.
O North Tower entra nesse pipeline com uma combinação de arquitetura contemporânea, conceitos de bem-estar e engenharia de alta performance. O projeto estrutural contará com a expertise da Talls Solutions, consultoria do próprio Grupo FG criada a partir do conhecimento acumulado em obras de grande complexidade.
Essa engenharia tem hoje sua maior vitrine no Senna Tower, também em Balneário Camboriú. Desenvolvido pela FG em parceria com a Marca Senna e a Havan, o empreendimento deverá superar 550 metros e, quando concluído, tem a previsão de se tornar o edifício residencial mais alto do mundo. Serão 157 pavimentos e 228 unidades, com entrega prevista para 2033. O VGV é estimado em R$ 8,5 bilhões e, somente no primeiro ano após o lançamento, as vendas chegaram a R$ 2,48 bilhões.
A experiência acumulada nesses projetos também virou negócio. A Talls Solutions já participa de mais de 70 torres de outras incorporadoras, com atuação em dez estados brasileiros e no Paraguai.
“A engenharia brasileira passou a sentar à mesa do mundo. Quando criamos a Talls, já tínhamos conhecimento técnico, experiência acumulada e acesso a dados reais. Faltava conquistar o único ativo que nenhuma empresa recebe ao nascer: confiança”, afirma Stéphane Domeneghini, diretora executiva da Talls.
A mudança de escala da FG também alterou a origem dos compradores. Em 2019, São Paulo respondia por apenas 2% do VGV comercializado pela companhia. Atualmente, essa participação está próxima de 20%.
O movimento avança também para fora do Brasil. Aproximadamente 5% dos clientes são estrangeiros, com destaque para compradores dos Estados Unidos, América Latina e Europa. A FG já inaugurou um escritório em Miami e prepara novas estruturas comerciais na Europa e na Ásia.
Crescimento de 10 vezes
É no estoque de terrenos, porém, que aparece com mais clareza o tamanho da aposta da empresa para os próximos anos.Somente em 2026, a FG adquiriu mais de 1,2 milhão de metros quadrados em novas áreas, com potencial superior a R$ 35 bilhões em VGV. Com essas compras, o landbank da companhia soma aproximadamente 4,5 milhões de metros quadrados, suficiente, segundo os cálculos da empresa, para desenvolver empreendimentos com VGV potencial de R$ 130 bilhões.
“Nossa história explica quem somos, mas não pode limitar onde queremos chegar. Falamos de passado e presente para compreender, principalmente, o futuro. Temos uma companhia maior, projetos mais complexos e uma responsabilidade proporcional a essa dimensão”, afirma Jean Graciola, presidente e cofundador do Grupo FG.
Parte dessa estratégia já tem endereço e cronograma. Para o segundo semestre de 2026, a companhia prevê dois lançamentos: um empreendimento residencial em Balneário Camboriú e outro de uso misto, com resort, na Praia Brava.
Entre 2026 e 2028, estão previstos ainda três hotéis ou empreendimentos de uso misto, que deverão acrescentar mais de 1.000 leitos ao portfólio. Os três projetos envolvem R$ 5,2 bilhões em investimentos, sem considerar o valor dos terrenos, e somam previsão de R$ 12,5 bilhões em VGV.
A diversificação inclui ainda um Open Shopping, cujo lançamento está previsto para o final de 2027.Para financiar essa expansão, a FG também ampliou a estrutura financeira construída ao redor do negócio imobiliário. Desde 2019, sua carteira de recebíveis cresceu sete vezes e cerca de 90% das operações de financiamento realizadas com os compradores são feitas diretamente pela companhia.
Nos últimos anos, a empresa manteve margem líquida de aproximadamente 37%, acima da faixa de 12% a 18% que considera saudável para o setor da construção civil.
“Crescimento sem resultado econômico não se sustenta. O desafio é ampliar nossa capacidade de investimento, preservando a saúde financeira, a disciplina e a visão de longo prazo”, afirma Leandro Benedet, diretor de Planejamento Estratégico, Controladoria, Desenvolvimento Imobiliário e Novos Negócios.
Administrar uma companhia que hoje vende dez vezes mais do que em 2017 foi justamente o tema de um encontro realizado recentemente pela FG com suas principais lideranças em Balneário Camboriú. A reunião colocou na mesma mesa áreas como estratégia, engenharia, governança, gestão de pessoas, mercado e experiência do cliente.
A preocupação é preparar a estrutura interna para uma carteira que já reúne 16 grandes projetos simultâneos, presença comercial cada vez maior fora de Santa Catarina e um banco de terrenos capaz de sustentar vários anos de lançamentos.
“Chegamos a uma escala que exige de nós uma nova forma de pensar e de liderar. Temos projetos mais complexos, ampliamos nossa presença em novos mercados e estamos construindo hoje as bases da FG dos próximos anos”, afirma Graciola.
