Bancários fazem paralisação: como fica o pagamento de contas e de salários?
Paralisação afeta atendimento nas agências nesta quinta-feira, mas canais digitais continuam disponíveis

Bancários de todo o Brasil fazem uma paralisação nesta quinta-feira, 20, em meio ao impasse nas negociações com os bancos. O movimento afeta o atendimento nas agências, mas não interrompe os serviços bancários digitais, que seguem como alternativa para pagamentos e transferências.
Aplicativos e internet banking podem ser usados normalmente para quitar boletos e contas. Caixas eletrônicos e correspondentes bancários também são opções para serviços que não dependem do atendimento dentro das agências.
Quem precisa resolver alguma questão presencialmente deve considerar a possibilidade de encontrar agências fechadas ou com atendimento reduzido. Para pagamentos e transferências, os canais digitais são a principal alternativa durante a paralisação.
O que levou à paralisação
O movimento foi aprovado por 90% dos bancários nas assembleias de segunda-feira, 17. A categoria cobra aumento real dos salários, além de melhores condições de trabalho e mudanças na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no vale-refeição, no vale-alimentação e no piso de entrada.
Na terça-feira, 18, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retirou três propostas que haviam provocado reação entre os trabalhadores, como os reajustes diferentes conforme a faixa salarial, aumento dos vales com valores distintos entre cidades maiores e menores e congelamento do piso para novos bancários.
As propostas tinham sido rejeitadas por 97% da categoria. Mas o recuo não resolveu o principal impasse, isto é, os bancos não apresentaram um índice de reajuste salarial nesta rodada.
Os bancários também pedem a suspensão das demissões, uma indenização adicional em casos de desligamento e programas de qualificação e requalificação.
De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT), a Fenaban sinalizou positivamente para essas reivindicações, mas ainda não apresentou uma proposta concreta.
Bancos queriam cancelar a paralisação
Na rodada de terça-feira, a Fenaban pediu uma pausa e voltou à mesa com uma condição, de seguir negociando somente se os bancários desistissem da paralisação de quinta-feira. O Comando Nacional recusou.
Também não houve acordo sobre a ultratividade, mecanismo que mantém os direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) enquanto um novo acordo não é fechado. A Fenaban rejeitou o pedido e, segundo a Contraf-CUT, pode levar a negociação ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Depois de uma nova pausa pedida pela Fenaban, ficou marcada uma reunião da entidade com todo o setor na sexta-feira, 21. A negociação com o Comando Nacional volta na segunda-feira, 24.
Por que a categoria fala em pressão sobre os bancos?
Um dos argumentos dos bancários é o desempenho financeiro do setor. Conforme números divulgados pela Contraf-CUT, os bancos lucraram R$ 171 bilhões em 2025 e terminaram o ano com patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão.
Os trabalhadores também destacam a queda da participação da PLR nos bancos privados. O percentual distribuído chegava a 14% em 1995 e ficou, em média, em 5,9% em 2025. Na Caixa, chegou a 15% da CCT; no Banco do Brasil, a 11%.
Outro dado citado pela entidade mostra a mudança no setor. Entre 2015 e 2025, foram fechados 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências. No mesmo período, os cinco maiores bancos ampliaram em 49% os contratos com correspondentes bancários.
Próximas datas da negociação
- 20 de agosto: dia nacional de paralisação dos bancários;
- 24 de agosto: retomada das negociações entre o Comando Nacional e a Fenaban.
