Banco do Brasil (BBAS3): MP de dívidas rurais é ‘ponte’ para recuperação, mas 2T26 ainda deve ser desafiador, avalia BTG

A Medida Provisória 1.376/2026 representa um passo importante para aliviar a pressão sobre a carteira de crédito rural do Banco do Brasil (BBAS3), mas seus efeitos ainda devem demorar a aparecer no balanço da instituição. A avaliação é do BTG Pactual, que vê a iniciativa como uma “ponte para uma recuperação gradual”, enquanto mantém uma visão cautelosa para os resultados do segundo trimestre de 2026.
Em relatório desta quinta (23), os analistas destacam que o banco público acaba de confirmar ao mercado que iniciou os procedimentos para operacionalizar as linhas de renegociação de dívidas rurais previstas na MP.
O programa é voltado a produtores afetados por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços agrícolas, mas sua implementação ainda depende de regulamentação complementar do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Ministério da Fazenda.
Para o BTG, a medida é positiva por reduzir a incerteza no setor e aliviar o fluxo de caixa dos produtores elegíveis, além de diminuir o chamado risco moral — situação em que parte dos devedores vinha adiando pagamentos na expectativa de um programa de socorro do governo.
Ainda assim, o banco ressalta que a recuperação não será imediata. “A medida cria uma ponte para uma recuperação gradual, e não uma melhora imediata”, afirmam os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel, Bruno Henriques e Antonio Pascale, acrescentando que o impacto final dependerá das regras de elegibilidade e do volume de operações efetivamente renegociadas.
A cautela também se estende ao desempenho financeiro do Banco do Brasil. Na visão do BTG, o segundo trimestre de 2026 deve continuar pressionado, com despesas de provisão potencialmente em níveis semelhantes aos registrados no primeiro trimestre e perdas de crédito caminhando para o teto do guidance da instituição.
Os analistas acreditam que um alívio mais relevante na demonstração de resultados deve começar a aparecer apenas a partir do quarto trimestre deste ano. O BTG mantém sua recomendação neutra e preço-alvo de R$ 25 para a ação.
O que esperar da MP
Durante evento promovido pelo BTG no Rio de Janeiro, a administração do Banco do Brasil detalhou alguns pontos da medida.
Segundo o BTG, poderão aderir ao programa produtores recentemente inadimplentes e também aqueles que já haviam prorrogado suas operações. As novas condições preveem juros entre 5% e 12% ao ano, prazo de até dez anos para pagamento e carência de até dois anos.
O Banco do Brasil informou, ainda, possuir aproximadamente R$ 100 bilhões em operações rurais prorrogadas — sendo R$ 62 bilhões na carteira de rolagem e R$ 38 bilhões vinculados à MP 1.314 — além de cerca de R$ 30 bilhões em créditos inadimplentes. Ainda é cedo, porém, para estimar quanto desse montante poderá ser enquadrado na nova MP.
Para o BTG, os primeiros sinais de melhora devem aparecer por meio de uma menor necessidade de constituição de provisões. Além disso, contratos renegociados poderão voltar a gerar receitas com juros e, dependendo das garantias e da classificação de risco, permitir reversões de provisões.
A administração também informou que vem endurecendo os critérios de concessão de crédito ao agronegócio, com aprimoramento dos modelos de risco, reforço das garantias e ampliação do uso da alienação fiduciária nas novas operações.
Por enquanto, o Banco do Brasil manteve seu guidance para 2026. No entanto, o BTG pondera que o risco de uma revisão negativa continua existindo e deve voltar ao centro das atenções após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.
Em relação ao capital, os analistas destacam que a MP 1.376 não deve trazer alívio direto aos indicadores da instituição. A estratégia do banco continua sendo fortalecer sua posição de capital por meio da geração orgânica de resultados e do crescimento em linhas de crédito com menor consumo de capital.
