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11/08/2026
4 min

Banco do Brasil (BBSA3): Resultado pior que o esperado? Ação desaba e chega a mínima do ano; o que pode sair do 2T26

O Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar mais um trimestre de resultados pressionados pela deterioração da carteira de crédito rural, mantendo os analistas cautelosos em relação à recuperação dos lucros. A divulgação ocorrerá na próxima quarta-feira (12), após o fechamento do mercado. Nesta terça-feira (11), a ação desaba 3%, em meio ao mau humor do […]

Banco do Brasil (BBSA3): Resultado pior que o esperado? Ação desaba e chega a mínima do ano; o que pode sair do 2T26

O Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar mais um trimestre de resultados pressionados pela deterioração da carteira de crédito rural, mantendo os analistas cautelosos em relação à recuperação dos lucros.

A divulgação ocorrerá na próxima quarta-feira (12), após o fechamento do mercado. Nesta terça-feira (11), a ação desaba 3%, em meio ao mau humor do mercado. Em agosto, porém, o BB já recua 8%, o que pode indicar que o mercado já começou a precificar um resultado mais fraco.

Embora a Medida Provisória 1.376/2026, que prevê a renegociação de dívidas rurais, possa ajudar a reduzir a pressão sobre o banco, seus efeitos ainda devem demorar a aparecer no balanço.

O Bank of America (BofA) projeta lucro líquido de cerca de R$ 3,6 bilhões para o segundo trimestre de 2026, queda de 3% na comparação anual. O resultado representa ainda uma retração de 7% ante o primeiro trimestre.

Apesar da queda relativamente moderada no lucro, o BofA espera que o resultado antes de impostos fique abaixo das estimativas, principalmente devido a despesas com provisões maiores do que o esperado.

O crescimento da carteira de crédito também deve permanecer em um dígito baixo, refletindo a fraca concessão de empréstimos no segmento rural e a desaceleração do consumo.

Agro vai pesar?

O cenário do agronegócio continua sendo um dos principais obstáculos para o Banco do Brasil. Desde 2024, a instituição enfrenta uma deterioração da inadimplência no setor rural, que segue pressionando os indicadores de qualidade da carteira.

Dados mais recentes da Serasa mostram que a inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

Nas projeções do BofA, as despesas com provisões devem ficar acima das expectativas diante da deterioração contínua da carteira rural, em linha com os dados mensais do Banco Central, e da espera dos produtores pela regulamentação das medidas de renegociação das dívidas.

As receitas de tarifas e serviços também devem permanecer fracas, com crescimento abaixo da inflação. Do lado das despesas, os custos operacionais podem continuar pressionados, inclusive pelos encargos relacionados às provisões.

A leitura é semelhante à do Goldman Sachs, que também espera pressão sobre os resultados. O banco vê as contingências legais elevando as despesas operacionais na comparação trimestral, criando mais uma barreira para a recuperação dos lucros.

O Goldman projeta lucro líquido de R$ 3,5 bilhões para o trimestre, queda de 6% em relação ao mesmo período de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) deve ficar em 8,4%, recuo de 1,06 ponto percentual na comparação anual.

O JPMorgan também estima lucro de R$ 3,5 bilhões, queda anual de 6%, enquanto o consenso compilado pela Bloomberg aponta para um lucro de R$ 3,1 bilhões.

MP pode ajudar, mas recuperação deve ser gradual

Apesar do cenário ainda desafiador, a MP 1.376/2026 representa um possível ponto de inflexão para a carteira rural do Banco do Brasil.

O BTG Pactual avalia que a medida pode funcionar como uma “ponte para uma recuperação gradual”, embora seus efeitos ainda não devam ser relevantes no segundo trimestre.

O banco público já confirmou que iniciou os procedimentos para operacionalizar as linhas de renegociação previstas na medida, voltadas a produtores afetados por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços agrícolas.

A implementação, porém, ainda depende de regulamentação complementar do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Ministério da Fazenda.

Para o BTG, a iniciativa é positiva porque reduz a incerteza no setor, melhora o fluxo de caixa dos produtores elegíveis e pode diminuir o chamado risco moral, em que devedores adiam pagamentos na expectativa de um programa de socorro do governo.

Ainda assim, a recuperação não deve ser imediata. O impacto sobre os resultados dependerá das regras de elegibilidade e do volume de operações efetivamente renegociadas.

Para o segundo trimestre, o BTG espera que as despesas com provisões permaneçam em níveis semelhantes aos registrados no primeiro trimestre, enquanto as perdas de crédito devem caminhar para o teto do guidance (projeção) divulgado pelo banco.

Na avaliação da instituição, um alívio mais significativo na demonstração de resultados deve começar a aparecer somente a partir do quarto trimestre de 2026.

O BTG mantém recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 25.

AutorRenan Dantas
FonteMoney Times
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