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InvestMercadosACS
12/08/2026
5 min

Banco do Brasil lucra R$ 3,9 bi no 2° trimestre e retoma alta, mas inadimplência sobe

Em balanço divulgado nesta quarta, 12, o BB afirmou que a dinâmica do crédito foi influenciada principalmente pelas carteiras de produtores rurais e pessoas físicas

Banco do Brasil lucra R$ 3,9 bi no 2° trimestre e retoma alta, mas inadimplência sobe

O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,908 bilhões no 2° trimestre de 2026, alta de 13,9% em relação ao primeiro trimestre e de 3,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado recorrente, que exclui efeitos não recorrentes, é o principal indicador para acompanhar a evolução da operação do banco.

O lucro líquido contábil, que incorpora os efeitos registrados na demonstração de resultado, foi de R$ 3,17 bilhões no período. O valor representa avanço de 2,7% sobre o primeiro trimestre e de 4,6% em relação a abril e junho de 2025.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 8,3% no 2° trimestre. O indicador avançou 107 pontos-base em relação aos três primeiros meses do ano, mas recuou 10 pontos-base contra o ano anterior.

O resultado veio em um cenário de pressão sobre o custo do crédito e a inadimplência. A despesa com custo do crédito, que corresponde à provisão para perdas esperadas, somou R$ 18,48 bilhões no segundo trimestre, queda de 2,1% ante o trimestre anterior, mas alta de 16,1% em 12 meses.

No primeiro semestre, o custo do crédito chegou a R$ 37,3 bilhões, aumento de 43,3% sobre o mesmo período de 2025.

Inadimplência e custo do crédito

A inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,61% da carteira em junho, alta de 56 pontos-base ante março e de 165 pontos-base em 12 meses. O índice de cobertura, por sua vez, encerrou o período em 148,5%, queda de 3.471 pontos-base na comparação anual.

Segundo o banco, 91,2% da carteira de crédito estava classificada nos estágios 1 e 2 ao fim de junho.

O BB afirmou que a dinâmica do crédito foi influenciada principalmente pelas carteiras de produtores rurais e pessoas físicas. Nos últimos 12 meses, entretanto, o banco recuperou R$ 6,3 bilhões em perdas, dos quais R$ 4,9 bilhões, ou 78,2%, vieram de créditos recuperados à vista.

Na margem financeira bruta, o banco registrou R$ 27,48 bilhões no segundo trimestre, praticamente estável ante o primeiro trimestre, com alta de 0,2%. Em relação ao segundo trimestre de 2025, porém, houve crescimento de 9,6%.

No acumulado do primeiro semestre, a margem financeira avançou 12,1%, impulsionada pelas receitas de crédito, especialmente nas operações com pessoas físicas, que cresceram 15,3%, e pelo resultado de tesouraria, com alta de 16%.

Margem financeira e crédito

As receitas de prestação de serviços somaram R$ 9,12 bilhões no trimestre, crescimento de 3,4% na comparação trimestral e de 4,2% em um ano. Entre os destaques estiveram as receitas de administração de fundos, que avançaram 6,3%, conta corrente, com alta de 7,6%, e operações de crédito e garantias, que cresceram 4,7%.

As despesas administrativas chegaram a R$ 10,1 bilhões, alta de 0,6% em relação ao primeiro trimestre. No semestre, essas despesas cresceram 4,8%, abaixo do reajuste salarial de 5,7% concedido aos bancários no acordo coletivo de 2025. Segundo o banco, a disciplina de custos permitiu manter os investimentos em tecnologia e cibersegurança.

Acarteira de crédito expandida encerrou junho em R$ 1,31 trilhão, crescimento de 0,6% no trimestre e de 1,5% em 12 meses. A evolução, contudo, foi desigual entre os segmentos.

A carteira de pessoas físicas somou R$ 357,6 bilhões, queda de 1,2% no trimestre e alta de 4,4% em um ano. O consignado cresceu 5,8% em 12 meses, com destaque para o Crédito do Trabalhador, que alcançou R$ 15,7 bilhões.

Em pessoas jurídicas, a carteira terminou o trimestre em R$ 456,2 bilhões, alta de 1,6% ante março, mas queda de 2,5% em 12 meses. Entre os destaques positivos estão as operações de Pronampe e PEAC FGI, que somaram R$ 40 bilhões, avanço de 5,8% no trimestre e de 31,7% em um ano.

Já a carteira de agronegócios alcançou R$ 421,6 bilhões, crescimento de 0,8% no trimestre e de 4,1% em 12 meses. O banco destacou ainda a carteira de crédito sustentável, que chegou a R$ 431,5 bilhões, alta de 2,5% no trimestre e de 8,8% em um ano.

Apesar da recuperação do lucro no segundo trimestre, o resultado acumulado no primeiro semestre ainda mostra pressão sobre a rentabilidade. O lucro líquido ajustado do BB nos seis primeiros meses de 2026 ficou 34,2% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, em meio principalmente ao aumento do custo do crédito.

Em comunicado sobre o balanço, o Banco do Brasil afirmou que o resultado do trimestre refletiu a estratégia adotada pela instituição.

"Seguimos reforçando as bases da perenidade do Banco, da gestão disciplinada do crédito à integração digital, da diversificação das receitas ao investimento contínuo em pessoas e tecnologia, com o compromisso de gerar valor sustentável para os acionistas e para a sociedade", afirmou.

Em capital, o índice de capital principal terminou junho em 11,27%, enquanto o Índice de Basileia ficou em 13,91%. Nos três primeiros meses do ano, contudo, o indicador estava em 14,23% e 14,14% um ano antes.

AutorClara Assunção
FonteExame
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