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InvestMercadosACS
15/07/2026
6 min

'Bancões' pressionam Ibovespa em dia de pesquisa eleitoral e dado de inflação nos EUA

'Bancões' pressionam Ibovespa em dia de pesquisa eleitoral e dado de inflação nos EUA

O Ibovespa opera nesta quarta-feira, 15, em leve queda, em um pregão marcado pela cautela dos investidores diante do avanço dos preços do petróleo no mercado internacional e da divulgação de novos dados econômicos nos Estados Unidos. Por volta das 10h50, o principal índice da B3 recuava 0,54%, aos 175.707 pontos.

Entre as ações de maior peso no índice, a Vale (VALE3) avançava 0,50%, acompanhando a alta de 1,13% do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China. Na noite desta terça, 14, a companhia também informou ao mercado a nomeação de Wilfred Theodoor Bruijn como presidente interino do conselho até 22 de julho, antes da assembleia que definirá a liderança definitiva, após a renúncia na semana passada de Daniel André Stieler.

Já os papéis da Petrobras tinham desempenho próximo da estabilidade, mas com viés de alta. As ações ordinárias (PETR3) avançavam 0,13%, enquanto as preferenciais (PETR4) subiam 0,12%.

Na contramão das commodities, os grandes bancos pressionavam o índice nesta primeira hora de negociação. As ações de Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander Brasil e BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) operavam em queda, contribuindo para a perda do Ibovespa.

Segundo Eduardo Marzbanian, analista CNPI-P da Eleven Financial, o ambiente externo segue dividido entre sinais mais benignos de inflação nos Estados Unidos e o aumento dos riscos geopolíticos envolvendo o petróleo.

O cenário de tensão no Oriente Médio voltou ao radar dos mercados após uma nova ofensiva americana contra capacidades militares iranianas, elevando os riscos sobre rotas marítimas e sobre a oferta global de energia. O Irã ameaça responder e interromper corredores adicionais, o que mantém a pressão sobre combustíveis, fretes e inflação.

Dólar ronda estabilidade

O dólar comercial iniciou a sessão desta quarta-feira próximo da estabilidade. Nos primeiros minutos de negociação, a moeda americana chegou a apresentar viés de alta, influenciada pela ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na pesquisa Genial/Quaest, fator que trouxe impacto sobre as expectativas relacionadas ao cenário fiscal e eleitoral.

A divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos abaixo das expectativas, no entanto, reduziu a pressão sobre a moeda e levou o dólar a operar em leve queda. Por volta das 10h30, o dólar à vista recuava 0,07%, cotado a R$ 5,074, bem próximo da estabilidade. 

O PPI americano caiu 0,3% em junho na comparação mensal, após alta de 0,6% em maio, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. O resultado ficou abaixo da expectativa dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que projetavam estabilidade.

Na comparação anual, o índice acumulou alta de 5,5%. O núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, avançou 0,1% no mês, abaixo da expectativa de alta de 0,3%, acumulando aumento de 5,1% em 12 meses.

Para Marianna Costa, economista da Mirae Asset, os dados de inflação ajudam a reduzir a preocupação com uma aceleração dos juros americanos, mas o mercado segue atento ao impacto do petróleo sobre as expectativas inflacionárias.

"O rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos está estável ao redor de 4,59%, após a divulgação de dados de inflação abaixo do esperado reduzir as preocupações com uma alta iminente dos juros pelo Federal Reserve", afirmou.

Os investidores aguardam ainda a decisão final dos Estados Unidos sobre a investigação comercial contra produtos brasileiros. A expectativa é de recomendação de uma tarifa adicional de 25% sobre importações do Brasil, segundo análise da Mirae Asset. O governo brasileiro avalia medidas de apoio aos exportadores e possíveis retaliações.

Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio e risco sobre Estreito de Ormuz

O petróleo voltou a avançar nesta quarta-feira diante do aumento das tensões geopolíticas. O Brent quase 0,60%, negociado aUS$ 85,22 por barril, enquanto o WTI subia 1% de volta ao patamar de US$ 80.

"Os riscos de interrupções no Estreito de Ormuz ampliam a pressão sobre combustíveis, fretes e inflação", disse Marzbanian. Segundo o analista da Eleven Financial, a instabilidade também se soma aos conflitos no Mar Negro, com ataques russos contra Odessa e ações ucranianas contra embarcações russas elevando os riscos para exportações de grãos e energia.

Índices avançam em NY

Nos Estados Unidos, futuros do S&P 500 e Nasdaq subiam, enquanto o Dow Jones oscilava perto da estabilidade. O CPI mais fraco reduziu apostas em novas altas de juros, mas investidores aguardam também o Livro Bege e novos balanços bancários.

Com a abertura dos negócios, logo nos primeiros minutos o Dow Jones registrava ligeira alta de 0,17%, o S&P 500 subia 0,45% e o Nasdaq avançava 0,73%.

Bolsas da Ásia fecham mistas

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quarta-feira, após a recuperação de Wall Street na véspera e na esteira de dados de crescimento da China mais fracos do que o esperado.

O índice sul-coreano Kospi liderou os ganhos, com alta de 6,24% em Seul, a 7.284,41 pontos, impulsionado pelas gigantes de semicondutores Samsung Electronics e SK Hynix, que subiram 6,27% e 8,83%, respectivamente.

Em outras praças da Ásia, o japonês Nikkei subiu 1,49% em Tóquio, a 68.751,51 pontos; o Hang Seng avançou 1,40% em Hong Kong, a 24.681,10 pontos; e o Taiex registrou alta de 2,00% em Taiwan, a 45.631,59 pontos. Na China continental, por outro lado, os mercados ficaram no vermelho hoje: o Xangai Composto caiu 0,29%, a 3.955,58 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,68%, a 2.608,27 pontos.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) da China teve expansão anual de 4,3%, abaixo do previsto, sinalizando desaceleração ante o acréscimo de 5% do trimestre anterior.

Na Europa, bolsas operam em sua maioria em queda

Na Europa, os principais índices também operam em direçõe opostas. Pela manhã, eles chegaram a recuar diante da escalada das tensões no Oriente Médio.

Às 10h03 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 se mantinha perto da estabilidade com ligeira alta de 0,15%, aos 643,07 pontos sustentado pelos setores de tecnologia e de luxo, que reagem aos a balanços positivos da ASML, fabricante holandesa de equipamentos para semicondutores, e da Richemont, grupo suíço de luxo que controla a Cartier.

A bolsa de Paris, CAC, também operava praticamente estável no horário com ligeira alta de 0,11%, aos 8.375,87 pontos, assim como a Londres (FTSE), que registrava ligeira queda ed 0,02%. Por outro lado, os principais índices acionários da Alemanha (DAX), e Milão (FITSE MIB) recuavam 0,46% e 0,38%. "Londres, Frankfurt e Milão recuam sob pressão de software, mineração e riscos geopolíticos", diz Marzbanian.

AutorClara Assunção
FonteExame
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