Bancos do Brasil e da Argentina correm por estrutura para ativos digitais, aponta guia

A América Latina consolida sua posição como o mercado de criptomoedas que mais cresce no mundo. A demanda na região avançou 63% entre meados de 2024 e meados de 2025. Segundo a Chainalysis, cerca de US$ 1,5 trilhão em volume de transações onchain, ou seja, registradas diretamente na blockchain, passou pela região entre meados de 2022 e meados de 2025.
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Dois mercados concentram a expansão da demanda institucional. A Argentina, marcada pela longa exposição à volatilidade cambial, e o Brasil, impulsionado pelo ecossistema financeiro digital criado pelo Pix. Em 2023, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central respondeu por 42% dos pagamentos online no país.
Para bancos, gestores de patrimônio e outras instituições financeiras, a dúvida deixou de ser se devem participar do mercado. A questão agora é como fazê-lo com os padrões de governança, conformidade e controle exigidos pelo setor.
Segundo Stijn Vander Straeten, CEO do Crypto Finance Group, os ativos digitais atingiram um ponto de inflexão na adoção institucional. Para o executivo, as principais instituições financeiras já entenderam que não podem mais ignorar essa classe de ativos. O diferencial, afirma, deixou de ser o acesso ao mercado e passou a ser a infraestrutura regulamentada para operar com rigor institucional.
O Crypto Finance Group faz parte do Grupo Deutsche Börse e é regulamentado pela FINMA, a autoridade suíça de supervisão financeira, e pela BaFin, o regulador alemão. A empresa foi uma das primeiras a obter licença sob o MiCAR, o marco europeu que regula o mercado de criptoativos. O grupo publicou um guia prático com cinco etapas para instituições financeiras da Argentina, do Brasil e do México que desejam construir serviços de ativos digitais de nível institucional.
Regulação vem antes da tecnologia nos ativos digitais
A primeira decisão é regulatória, não tecnológica. Segundo o guia, o Brasil oferece maior visibilidade regulatória, enquanto a Argentina exige maior capacidade de interpretação das regras. Em ambos os casos, as instituições devem definir desde o início qual entidade jurídica assume a exposição, como os relatórios são estruturados e qual segmento de clientes o serviço pretende atender.
Custódia de ativos digitais é a base do controle
No mercado de ativos digitais, a ordem se inverte em relação aos mercados tradicionais. O controle sobre as chaves privadas, os códigos criptográficos que garantem a posse dos ativos, define o perímetro operacional antes mesmo de qualquer transação ocorrer. A custódia que opera fora das estruturas de controle institucional gera problemas de reconciliação e riscos que se agravam conforme a atividade cresce.
Liquidez fragmentada exige planejamento na execução
A liquidez do mercado é predominantemente denominada em dólar, enquanto a demanda nasce em pesos ou reais. Isso torna a exposição cambial parte intrínseca da execução das operações. Mesmo no Brasil, os fluxos institucionais frequentemente vão além das plataformas locais para acessar pools de liquidez mais profundos. As estruturas mais eficientes combinam liquidez agregada com liquidação integrada.
Stablecoins entram na estratégia de tesouraria
Na Argentina, no Brasil e no México, os mercados de ativos digitais operam de forma contínua e liquidam rapidamente. Esse ritmo força as instituições a repensar a gestão de garantias e as reservas de liquidez.
As stablecoins, criptomoedas pareadas a moedas estáveis como o dólar, muitas vezes deixam de ser ferramenta secundária e se tornam mecanismo primário para transferência e liquidação de liquidez. O movimento é mais forte em ambientes com restrições cambiais ou fricções de pagamento. No Brasil, a convergência entre o Pix e os fluxos onchain está redefinindo os pagamentos internacionais.
Integração é a fase mais exigente da jornada
Sistemas contábeis, plataformas de risco e ferramentas de relatórios precisam se adaptar às novas mecânicas de liquidação. Segundo o guia, instituições que se integram cedo evitam os silos operacionais que surgem quando projetos piloto dependem de ferramentas separadas.
Estrutura, e não acesso, limita avanço dos ativos digitais
A adoção de ativos digitais na Argentina e no Brasil é limitada menos pelo acesso e mais pela forma como as instituições estruturam execução, liquidez e governança. A escalabilidade, conclui o documento, não depende do acesso à negociação, mas da integração das estruturas de custódia e governança ao modelo operacional.
O Crypto Finance Group atua como parceiro institucional de bancos e instituições financeiras na Europa e na América Latina. A oferta cobre toda a cadeia de valor, incluindo negociação profissional, custódia regulamentada, liquidação e staking, o processo de bloquear criptomoedas em uma rede para gerar rendimento.
