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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
22/10/2026
3 min

Bancos dos EUA restringem agentes de IA no acesso a contas de clientes

JPMorgan bloqueia serviços que usam credenciais compartilhadas; regras do Chase atribuem ao cliente os riscos de ações indevidas dos assistentes

Bancos dos EUA restringem agentes de IA no acesso a contas de clientes
RESUMO +

Agentes de inteligência artificial estão no centro de uma disputa sobre o acesso a contas bancárias nos Estados Unidos. O JPMorgan afirma bloquear serviços que usam credenciais compartilhadas, e o Chase exige identificação das ferramentas automatizadas. Autorizar uma IA a consultar dados não significa que o banco aceite sua conexão. Integrações somente de leitura oferecem uma modalidade distinta do acesso capaz de executar ações.


Grandes bancos americanos identificaram agentes de IA externos acessando contas de clientes, segundo reportagem do Axios publicada nesta quinta-feira, 22.

No JPMorgan, o tema já chegou à apresentação de resultados. Em 13 de outubro, o diretor financeiro Jeremy Barnum afirmou que a instituição bloqueia, quando consegue, serviços baseados no compartilhamento de credenciais e na coleta automatizada de informações das telas, prática conhecida como screen scraping.

O episódio se insere na disputa sobre quais agentes de IA podem entrar nos sites e agir em nome dos usuários. A autorização do titular e a aceitação da ferramenta pelo banco são questões distintas: um cliente pode entregar suas credenciais a um serviço que a instituição não permite usar.

O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, disse na mesma teleconferência que o grupo utiliza agentes internamente, mas considera arriscado permitir a entrada irrestrita de ferramentas externas. Barnum afirmou que o banco trabalha em uma forma adequada de viabilizar essas conexões.

Quem responde quando o agente erra?

Os termos de uso do Chase exigem que agentes se identifiquem, sinalizem o tráfego automatizado e respondam com veracidade a perguntas destinadas a distingui-los de pessoas. A instituição também reserva o direito de limitar, suspender ou bloquear esse acesso.

O contrato de serviços digitais, atualizado em outubro, vai além: prevê que instruções enviadas por um agente com acesso fornecido pelo titular sejam tratadas como instruções do próprio cliente. O documento atribui a quem habilita a ferramenta a responsabilidade por erros de interpretação ou ações que ultrapassem a autorização concedida.

Esse é o posicionamento contratual do banco, não uma conclusão judicial sobre a responsabilidade em todo eventual conflito. O risco de uma ferramenta agir fora do esperado já alimenta negócios de monitoramento e seguros contra falhas de agentes.

Consultar dados não é o mesmo que movimentar dinheiro

Há integrações desenhadas para funções mais limitadas. A Plaid descreve a conexão do Personal CFO, da Perplexity, como um acesso somente de leitura: o usuário escolhe os dados que compartilha, e a ferramenta os utiliza para análises e painéis financeiros.

Essa modalidade é diferente de entregar a um agente acesso para executar operações na conta. No Brasil, a EXAME já mostrou uma integração da Belvo com dados bancários via Open Finance, também baseada no consentimento do usuário.

Restringir ferramentas externas não significa abandonar a tecnologia. A Charles Schwab anunciou em setembro o Charley, assistente próprio com implantação gradual a partir de outubro, para consultar informações e executar determinadas tarefas. A companhia alerta que os resultados podem ser imprecisos e orienta os clientes a conferir se as alterações solicitadas foram realizadas corretamente.

As regras e os alertas dos bancos mostram preocupações com controle e responsabilidade. Por si só, não comprovam que houve roubo de dinheiro ou transferências indevidas realizadas por esses sistemas.


AutorAndré Lopes
FonteExame
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