Bank of America tem um dos trimestres mais fortes e lucra US$ 9,1 bi

O Bank of America (BofA) divulgou um lucro líquido de US$ 9,1 bilhões no segundo trimestre, alta anual de 27%, nesta terça-feira, 14. O resultado equivale a US$ 1,21 por ação e ficou acima da estimativa de analistas consultados pela LSEG, que projetavam US$ 1,13.
A receita também superou as projeções, somando US$ 31,7 bilhões ante expectativa de US$ 30,72 bilhões.
Um dos pilares foi a receita líquida de juros, que mede o quanto o banco ganha com a diferença entre o que cobra em empréstimos e o que paga em depósitos. Ela somou US$ 16,2 bilhões, alta de 9% na comparação anual, praticamente em linha com a expectativa de consenso da StreetAccount, que era de US$ 16,23 bilhões.
O avanço foi puxado pela maior atividade das operações de mercado do banco, por saldos mais altos de empréstimos e depósitos, e pela repactuação de ativos com taxa fixa, fatores que compensaram o efeito de juros mais baixos no período.
Mercados e banco de investimento puxam o resultado
A área de Global Markets, que reúne as operações de negociação de títulos, moedas e ações do banco, teve o desempenho mais forte do trimestre. O lucro da divisão somou US$ 2,6 bilhões, com receita de US$ 8 bilhões, avanço de 34% na comparação anual.
Dentro desse resultado, a receita com ações mais que compensou o restante, subindo 70% para US$ 3,6 bilhões, impulsionada por maior atividade de clientes e forte desempenho em derivativos e operações à vista, especialmente na Ásia e nos Estados Unidos.
Já a área que negocia renda fixa, câmbio e commodities cresceu de forma mais moderada, com alta de 9%, para US$ 3,5 bilhões, enquanto o banco de investimento também teve um trimestre de destaque.
As taxas cobradas em operações como fusões, aquisições (M&A) e emissões de ações somaram US$ 2,1 bilhões em toda a instituição, salto de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado, com o 'boom' da oferta pública inicial (IPO) recorde da SpaceX.
A divisão de Global Banking, que reúne essas operações corporativas junto a empréstimos e serviços de tesouraria para empresas, teve lucro de US$ 2 bilhões, com receita 10% maior, e viu os depósitos médios de clientes corporativos subirem 8%.
Consumer Banking cresce em ritmo mais lento
A divisão de Consumer Banking teve lucro de US$ 3,3 bilhões, alta de 10%, com receita de US$ 11,3 bilhões, 5% maior. O crescimento veio da receita de juros mais alta, enquanto os depósitos médios da área somaram US$ 957 bilhões, praticamente estáveis, e os gastos combinados com cartão de crédito e débito dos clientes cresceram 9%, para US$ 266 bilhões.
Já a área de gestão de patrimônio e grandes fortunas, a Global Wealth and Investment Management, teve lucro de US$ 1,4 bilhão, alta de 42%, beneficiada pela valorização dos mercados financeiros. A receita da divisão somou US$ 6,9 bilhões, 16% a mais, puxada por taxas de administração de ativos, que cresceram 19%, para US$ 4,4 bilhões.
O total de recursos de clientes sob acompanhamento da área chegou a US$ 4,9 trilhões, alta de 12%.
Moynihan destaca crescimento em todas as áreas
O CEO do BofA, Brian Moynihan, classificou o trimestre como um dos mais fortes já registrados pela instituição, com lucro por ação 34% maior na comparação anual e crescimento de dois dígitos no lucro líquido de todas as divisões de negócio.
A receita cresceu 15% em relação ao ano passado à medida que o banco aprofundou relacionamentos com clientes existentes e conquistou novos, em um cenário econômico saudável que tem levado consumidores e empresas a usar o banco para gastar, tomar crédito e investir, na sua avaliação.
Moynihan também citou a gestão disciplinada de despesas combinada a investimentos em crescimento, fatores que ajudaram a melhorar em cerca de 360 pontos-base a eficiência do banco na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
O índice de eficiência, que mede quanto o banco gasta para cada dólar de receita gerado, caiu para 59%, ante 63% um ano antes, uma melhora expressiva.
Banco distribui US$ 8 bilhões
O Bank of America devolveu US$ 8 bilhões a acionistas no trimestre, sendo US$ 2 bilhões em dividendos e US$ 6 bilhões em recompra de ações próprias. O valor patrimonial por ação chegou a US$ 39,34, alta de 7% em doze meses.
Os depósitos médios do banco somaram US$ 2,02 trilhões, com crescimento sequencial pelo décimo segundo trimestre consecutivo, enquanto os empréstimos médios avançaram 8%, para US$ 1,22 trilhão, com expansão em todas as divisões de negócio.
Do lado do crédito, a provisão para perdas somou US$ 1,4 bilhão, uma leve queda em relação ao mesmo período do ano passado.
O índice de capital principal do banco, usado por reguladores para medir sua capacidade de suportar perdas em cenários adversos, ficou em 11,2%, patamar que a própria instituição descreve como bem acima do mínimo exigido pelos órgãos reguladores.
