Bank of America volta a recomendar Cosan (CSAN3) apostando em geração de caixa, dividendos e venda de ativos

O Bank of America (BofA) retomou a cobertura da Cosan (CSAN3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 5,50 por ação, o que representa potencial de valorização de 69% em relação ao fechamento mais recente.
Para o banco, a tese de investimento está apoiada na combinação entre recebimento de dividendos das subsidiárias, venda de ativos e melhora gradual da geração de caixa da holding.
Segundo os analistas, a Cosan vive um momento decisivo de desalavancagem. A administração da companhia tem como meta reduzir sua dívida líquida para zero ao longo dos próximos anos. O BofA estima que a dívida líquida da Cosan encerre 2026 em cerca de R$ 9,5 bilhões.
A estratégia passa pelo aumento dos dividendos distribuídos pelas controladas e por eventuais monetizações do portfólio. Em maio deste ano, a companhia concluiu a oferta pública inicial (IPO) da Compass, reduzindo sua participação de 88% para 75% e levantando R$ 2,5 bilhões.
Além disso, o mercado acompanha especulações sobre uma possível venda de participação na Rumo (RAIL3), enquanto a própria administração já sinalizou alternativas envolvendo a Radar e a Moove.
Para o banco, a Compass é hoje o principal ativo da tese. A participação de 75% da Cosan na empresa de gás natural é avaliada em cerca de R$ 4,60 por ação da CSAN3, equivalente a aproximadamente 47% do valor total da companhia pela metodologia de soma das partes. O BofA destaca o forte potencial de crescimento e geração de caixa da Compass como pilares para sustentar o processo de desalavancagem.
Os analistas reconhecem, porém, que a execução da estratégia ainda envolve riscos. O principal deles é o timing das operações de venda de ativos e a capacidade de geração de caixa da holding no curto prazo. No primeiro trimestre de 2026, a Cosan registrou fluxo de caixa negativo de R$ 1,9 bilhão, impactado por despesas financeiras, perdas com derivativos e investimentos de portfólio.
Sem novas vendas de ativos, a melhora da situação financeira dependerá principalmente do aumento dos dividendos recebidos da Compass e da Rumo. O BofA projeta que esses proventos avancem de R$ 1,2 bilhão acumulados nos últimos 12 meses para cerca de R$ 2,8 bilhões em 2028, patamar suficiente para ampliar sua capacidade de redução da dívida e fortalecimento da estrutura financeira.
Na avaliação do banco, a combinação de ativos de qualidade, potencial destravamento de valor e avanço da desalavancagem justifica a recomendação de compra para as ações da Cosan.
