Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
25/09/2026
5 min

Bazar vende peças luxo a partir de R$ 10 em shopping e arrecada R$ 2,5 milhões para causa social

Criado pela influenciadora Claudia Bartelle, evento reúne roupas, acessórios e objetos doados por marcas e apoiadores para financiar a Casa Madre Ana, ligada à Santa Casa de Porto Alegre

Bazar vende peças luxo a partir de R$ 10 em shopping e arrecada R$ 2,5 milhões para causa social
RESUMO +

O Bazar Claudia Bartelle & Friends arrecadou R$ 2,524 milhões na quinta-feira, 24, no Shopping Iguatemi Porto Alegre, em sua sétima edição. O valor será destinado à Casa Madre Ana, espaço ligado à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre que oferece hospedagem, alimentação e suporte a pacientes pediátricos e familiares durante tratamentos de alta complexidade.

Uma camisa social da Ralph Lauren avaliada em R$ 1.900 foi vendida por R$ 90 na sétima edição do Bazar Claudia Bartelle & Friends, realizado em Porto Alegre. Já um chapéu da Chanel, que custa R$ 15 mil, saiu por R$ 4.200.

Esses são apenas alguns exemplos de itens que o público encontro no evento realizado dentro do Shopping Iguatemi Porto Alegre na última quinta-feira, 24.

O valor desses e outros produtos foram destinado à Casa Madre Ana, espaço ligado à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre que acolhe pacientes pediátricos e familiares vindos de diferentes regiões do país para tratamentos de alta complexidade.

No total, a sétima edição do evento arrecadou R$ 2.524.000 em um único dia.

Criado pela influenciadora Claudia Bartelle, o bazar reúne peças doadas por marcas, apoiadores e uma rede de 150 embaixadoras voluntárias. O evento começou com oito participantes e, ao longo dos anos, ampliou sua estrutura. Na primeira edição, foram arrecadadas 1.600 peças; atualmente, o acervo chega a cerca de 25 mil itens.

“Eu falo que a gente é uma grande loja de departamentos, porque não é só roupa. A gente tem setor infantil, masculino, feminino, decoração, luxo, importados, acessórios e utensílios”, afirma Claudia Bartelle.

Segundo a gerente-geral do Iguatemi Porto Alegre, Naile Santos, o evento passou a ganhar escala ao unir a estrutura do shopping com a mobilização criada pelo projeto.

“As pessoas não estão fazendo uma compra, elas estão fazendo uma doação. Elas estão levando uma lembrança para casa”, diz.

Nailê Santos, gerente-geral do Iguatemi Porto Alegre: parceria com o shopping ampliou estrutura do bazar e ajudou arrecadação crescer 70% desde 2023 (Anna Alves/Divulgação)

Como o bazar nasceu a partir de uma rede de doações

A origem do projeto está ligada à Casa Madre Ana, criada para receber pacientes pediátricos e seus familiares que chegam a Porto Alegre para tratamentos realizados na Santa Casa. Claudia conta que conheceu a estrutura após visitar a unidade pediátrica do hospital.

Segundo ela, muitas famílias que viajavam para realizar transplantes ou outros tratamentos de alta complexidade não tinham onde permanecer durante o período de atendimento.

“A gente começou porque eu, como influenciadora, ganho muita roupa e muitas coisas. Pensei: vamos juntar essas peças que não usamos mais, fazer um bazar e destinar tudo para sustentar essa casa”, afirma.

A Casa Madre Ana, fundada em 2016, oferece hospedagem, alimentação e suporte aos pacientes e familiares. Desde sua criação, já acolheu aproximadamente 8 mil pacientes em áreas como cardiologia pediátrica, oncologia e transplantes.

Com o crescimento da iniciativa, o perfil das doações também mudou. Além das peças vindas dos acervos pessoais das embaixadoras, marcas passaram a enviar produtos novos com etiquetas.

“Hoje temos muitas marcas parceiras que doam seus estoques. São produtos que talvez não tenham mais sentido para elas, mas aqui ganham propósito”, afirma Claudia.

Como marcas passaram a participar do projeto

A edição de 2026 contou com produtos exclusivos desenvolvidos especialmente para o evento. A Olympikus, marca pertencente à Vulcabras, grupo comandado pela família de Claudia Bartelle, lançou uma versão exclusiva do Olympikus Corre Max 2.

Foram disponibilizados 1.600 pares do modelo, vendidos por R$ 599 cada, com toda a renda revertida para a Casa Madre Ana.

Além da Olympikus, outras marcas participaram com produtos criados para a ação. Segundo Claudia, a ampliação da rede de parceiros ajudou a transformar o bazar em uma operação maior.

“A gente vai vendo que quanto mais damos as mãos, mais mãos são dadas. É uma corrente de doação que faz essa união de peças acontecer”, afirma.

O evento também contou com itens de moda, acessórios, decoração e produtos para diferentes públicos. As peças novas foram vendidas com descontos de aproximadamente 50% em relação ao preço original.

Como o evento ganhou escala no Iguatemi Porto Alegre

O bazar passou a ser realizado no Iguatemi Porto Alegre a partir de 2024, depois de edições anteriores realizadas em outros espaços da cidade. Desde então, segundo Cristina Maggi, gerente de marketing do shopping, a arrecadação cresceu 70% em comparação com 2023.

“A gente percebe efetivamente uma energia diferente no chão. As pessoas estão com uma vibração muito especial, porque entendem que aquilo não é só uma compra”, afirma Cristina.

A parceria também permitiu ampliar a estrutura da operação. O evento envolve etapas de arrecadação, separação, precificação e organização das peças, todas realizadas com trabalho voluntário.

Pela primeira vez, em 2026, a captação de produtos foi ampliada para fora do Rio Grande do Sul, com pontos de coleta em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, em parceria com a Breton.

Bazar Claudia Bartelle & Friends: milhares de peças de moda, acessórios e decoração foram comercializadas em um único dia (Bazar Claudia Bartelle & Friends/Divulgação)

Como o bazar busca manter transparência nas doações

Claudia afirma que uma das preocupações do projeto é garantir que todo o recurso arrecadado chegue diretamente à instituição beneficiada.

“Os caixas que estão aqui são os caixas da Santa Casa. O dinheiro não passa na conta de ninguém”, diz.

Segundo ela, as próprias embaixadoras seguem regras para preservar a organização do evento. As voluntárias responsáveis pela montagem e operação só podem comprar produtos após determinado horário, depois da abertura ao público.

A sétima edição consolidou um movimento que começou pequeno e cresceu apoiado na combinação entre moda, consumo e filantropia. Ao todo, o projeto já destinou mais de R$ 6 milhões à Casa Madre Ana desde sua criação.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
Distribuído por