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Sacre Investimentos
Economia
25/06/2026
4 min

BC aponta que políticas do governo Lula geram risco de alta na inflação

BC aponta que políticas do governo Lula geram risco de alta na inflação

O Banco Central alertou nesta quinta-feira, 25, que as medidas de estímulo econômico adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem pressionar a inflação.

"Medidas e ações governamentais anunciadas recentemente podem gerar estímulos adicionais à demanda agregada, em um contexto de baixa ociosidade dos fatores de produção", afirma o BC no Relatório de Política Monetária do segundo trimestre de 2026.

O BC entende isso como um dos fatores de risco para a alta de preços no horizonte, que o Banco acredita durar até pelo menos o final do ano. A prévia da inflação medida pelo IPCA-15 está em 4,80% no acumulado de 12 meses, já acima do teto da meta de 3% estabelecida para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Esse prognóstico é relevante para as decisões do banco sobre a taxa de juros Selic, atualmente em 14,25%, seu terceiro corte consecutivo.

Preocupação com políticas de incentivo

A preocupação central da autoridade monetária é que a economia cresça além do seu potencial. O BC já havia sinalizado esse risco na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na semana passada.

Entre as medidas citadas está oDesenrola 2.0, programa que permite a renegociação de dívidas com acesso a crédito mais barato, e linhas subsidiadas para aquisição de caminhões, ônibus e veículos para taxistas e motoristas de aplicativo, operadas pelo BNDES.

Segundo cálculos do economista Marcos Mendes, do Insper, o conjunto de medidas anunciadas pelo governo neste ano já soma R$ 215 bilhões em estímulo à economia, equivalente a 1,6% do PIB. Desse total, R$ 97 bilhões, ou 45%, são classificados como despesas financeiras, referentes principalmente às linhas de crédito subsidiado.

Apesar do alerta, o BC reconhece os limites do próprio diagnóstico. "Permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e sobre a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política", ressalva o relatório.

IPCA-15 de 4,8% no acumulado e previsão de alta até o final do ano

A probabilidade de a inflação romper o teto da meta de 4,5% em 2026 saltou de 30% para 79% em relação ao relatório anterior, de março. Em maio, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, já acima do limite superior do intervalo de tolerância.

As projeções de curto prazo indicam manutenção do IPCA acima do teto da meta nos próximos meses. O BC projeta variação mensal de 0,32% em junho, 0,26% em julho, 0,23% em agosto e 0,16% em setembro. Nos próximos meses, a inflação acumulada em 12 meses deve atingir 4,81% em junho e julho, subir para 5,17% em agosto e recuar para 4,83% em setembro.

O BC apontou quatro fatores principais que elevaram as projeções de inflação desde março: a surpresa altista com a realização do IPCA no trimestre encerrado em maio, 1,07 ponto percentual acima do esperado, concentrada em alimentos e preços administrados como gasolina e diesel; a estimativa mais elevada para o hiato do produto, que mede o grau de aquecimento da economia; o aumento nos preços do petróleo e de seus derivados, reflexo do conflito no Oriente Médio; e a deterioração das expectativas de inflação.

Esse não é um cenário de curto prazo. O BC projeta que a inflação brasileira vai subir até o fim de 2026, permanecendo por mais de dois trimestres consecutivos acima do teto do intervalo de tolerância da meta, antes de recuar ao longo de 2027. No cenário de referência do Copom, o IPCA acumulado em quatro trimestres deve sair de 4,1% no primeiro trimestre de 2026 e chegar a 5,2% no quarto trimestre do ano.

A partir de 2027, a trajetória se inverte. A inflação projetada recua para 3,7% no quarto trimestre daquele ano e segue caindo até atingir 3,1% ao fim de 2028, próximo à meta de 3%.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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