Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Economia
25/06/2026
4 min

BC aumenta previsão de crescimento do PIB para 2%

BC aumenta previsão de crescimento do PIB para 2%

O Banco Central elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A revisão foi divulgada nesta quinta-feira, 25, noRelatório de Política Monetária.

Ela reflete principalmente a surpresa positiva do primeiro trimestre do ano, além da melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa. Entre janeiro e março, aeconomia brasileira avançou 1,1% em relação ao trimestre anterior, resultado acima tanto das estimativas de mercado quanto da própria projeção do BC para o período.

Entre janeiro e março, aeconomia brasileira avançou 1,1% em relação ao trimestre anterior, resultado acima tanto das estimativas de mercado quanto da própria projeção do BC para o período. Na comparação com o mesmo período de 2025, a economia cresceu 1,8%.

A revisão para cima da projeção, segundo o relatório, "reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia". A autoridade monetária, porém, ressalta que a trajetória mais elevada dos juros deve limitar parte desse avanço.

Agropecuária, indústria e serviços impulsionam atividade

Os três principais setores da economia registraram crescimento no primeiro trimestre. A agropecuária avançou 2%, favorecida pela safra recorde de soja. A indústria teve alta de 1%, com destaque para a construção civil e a indústria extrativa, enquanto o setor de serviços cresceu 0,5%.

O consumo das famílias também voltou a crescer após dois trimestres de estabilidade, com avanço de 1% no período. O desempenho foi associado ao aumento da renda disponível, influenciado pela expansão da massa de rendimentos do trabalho, benefícios sociais, reajuste do salário mínimo e mudanças no Imposto de Renda para faixas iniciais de renda.

O mercado de trabalho continua sendo um dos principais sustentáculos da atividade econômica. A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em abril, menor patamar registrado nas últimas décadas. Entre fevereiro e abril, foram criados, em média, 82 mil empregos formais por mês, equivalente a uma expansão anualizada de 2,1% no estoque de vagas.

O rendimento médio real dos trabalhadores também apresentou avanço, com alta de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo trimestre deve ter ritmo menor e mais incertezas

Apesar darevisão positiva para o crescimento anual, o Banco Central projeta uma desaceleração da atividade no segundo trimestre.

Os indicadores disponíveis para abril e maio apresentam resultados mistos. Enquanto a indústria de transformação e os serviços mostram sinais positivos, dados do comércio e do setor de pagamentos apontam retração.

O conflito no Oriente Médio também aumentou as incertezas sobre o desempenho econômico ao longo do ano, especialmente pelos impactos sobre os preços dos combustíveis e das commodities.

Inflação segue como principal desafio

Segundo o Banco Central, a probabilidade de a inflação romper o teto da meta de 4,5% em 2026 saltou de 30% para 79% em relação ao relatório anterior, de março.

As projeções de curto prazo indicam manutenção do IPCA acima do teto da meta nos próximos meses. O BC projeta variação mensal de 0,32% em junho, 0,26% em julho, 0,23% em agosto e 0,16% em setembro. Nos próximos meses, a inflação acumulada em 12 meses deve atingir 4,81% em junho e julho, subir para 5,17% em agosto e recuar para 4,83% em setembro.

O BC apontou quatro fatores principais que elevaram as projeções de inflação desde março: a inflação observada acima do esperado no trimestre encerrado em maio, 1,07 ponto percentual acima do esperado, concentrada em alimentos e preços administrados como gasolina e diesel; a estimativa mais elevada para o hiato do produto, que mede o grau de aquecimento da economia; o aumento nos preços do petróleo e de seus derivados, reflexo do conflito no Oriente Médio; e a deterioração das expectativas de inflação.

Para o segundo semestre, o BC também destacou riscos relacionados às condições climáticas. A possibilidade de transição para um El Niño mais intenso aumentou a incerteza sobre os preços dos alimentos. O órgão ainda projeta tarifas de energia elétrica mais pressionadas, com a mudança para bandeiras vermelhas entre julho e outubro.

Esse não é um cenário de curto prazo. O BC projeta que a inflação brasileira vai subir até o fim de 2026, permanecendo por mais de dois trimestres consecutivos acima do teto do intervalo de tolerância da meta, antes de recuar ao longo de 2027. No cenário de referência do Copom, o IPCA acumulado em quatro trimestres deve sair de 4,1% no primeiro trimestre de 2026 e chegar a 5,2% no quarto trimestre do ano.

A partir de 2027, a trajetória se inverte. A inflação projetada recua para 3,7% no quarto trimestre daquele ano e segue caindo até atingir 3,1% ao fim de 2028, próximo à meta de 3%.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
Distribuído por